Folhetim | Casa de Hóspedes (17º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (17º. Episódio) O Zeferino, com o arzinho manhoso, metendo an, an, pelo meio, então pá, a Nandinha, explicações, não me digas, burra sai à mãe, burra mas ainda muito aproveitável, não achas, ó aproveitador, bocas eu, não sejas sonso, a mim é que não me calhou nenhuma, cala-te pá, se eu tivesse uma miúda como a tua não me queixava, ela não é para aqui chamada, pronto, andas esquisito, uma porra, isto é uma grande porra, os cabrões não caem,…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (16º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (16º. Episódio) Nesse Domingo, a D. Laura disse para a D. Balbina, ao ouvido, a vizinha já reparou que a Adelaide diz o Gil para cá, o Gil para lá, sem se­nhor nem doutor, uma confiança nunca vista, isto é a gente a falar, que Deus me livre de maus pensamentos, quem fizer boa cama nela se deita, abanou a cabeça, fran­zindo os cantos da boca, e disse em surdina, ai coitadinho de quem morre, é o que lhe digo,…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (15º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (15º. Episódio) O Verão estava a chegar e a luz, agora mais brilhante, a penetrar pelos vidros da clarabóia, evidenciava o mofo nas paredes das escadas do prédio. Na mercearia do Albertino, começavam a aparecer as nêsperas gorduchas e um bocadinho descoradas, a falta de Sol, já se vê, da árvore do quintal da D. Balbina, mais precisamente das pernadas pendentes para o pátio do maroto que as vendia fazendo crer que as tinha comprado. A D. Laura é que…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (14º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (14º. Episódio) Não pode, não diga, senhora, acudiu a Dona Júlia, sem perceber muito bem o que se tinha passado, mas se lhe fizer bem dizer, olhe que eu sou um poço, a minha boca não se abre, e fechava-a de canto a canto, correndo sobre ela dois dedos unidos. A outra não a ouvia e repetia-se, deu um murro na mesa, parecia louco, parecia mesmo louco. E então o que aconteceu depois, interrogou a outra, já intrigada. Ai, Dona…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (13º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (13º. Episódio) No recanto da casa de jantar, uma pequena mesa para as revistas e dois sofás desirmanados, a que Dona Júlia chamava pomposamente a salinha, a cena desenrolou-se. Sem intróitos, a outra falou, é o pulha do meu marido, a senhora desculpe a palavra, mas ele não merece outro nome, um homem que é homem não deixa assim o lar, sem mais nem menos, uma casa muito boa, a senhora havia de ver, com todo o conforto, tudo a…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (12º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (12º. Episódio) A campainha da porta tocou, uma vez, duas vezes, de seguida. Dona Júlia pensou, quem será que vem com pressa, se é para vender porcarias vai de caminho que eu já estou atrasada para ir à praça, e logo hoje que queria apanhar algum peixe fresquinho. Espreitou pelo ralo, uma figura desconhecida de mulher, bom aspecto, mas nunca fiando em aspectos, que anda por aí muito malandro com ar de pessoa séria, pigarreou e perguntou quem é. A…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (11º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (11º. Episódio) Era num anexo da Igreja setecentista, uma meia porta aberta, um degrau exterior para subir, dois interiores para descer. Um perigo, dizia a Dona Júlia, quando o tempo está de humidades não é preciso mais para se escorregar e partir uma perna, que Deus nos defenda, e persignava-se. No átrio de lajedo, à direita, um corredor mal iluminado dava acesso, ao fundo, à casa, para um ou dois lugares de morto, propriamente dito. Só um estava ocupado. Tem…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (10º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (10.º Episódio) Era num anexo da Igreja setecentista, uma meia porta aberta, um degrau exterior para subir, dois interiores para descer. Um perigo, dizia a Dona Júlia, quando o tempo está de humidades não é preciso mais para se escorregar e partir uma perna, que Deus nos defenda, e persignava-se. No átrio de lajedo, à direita, um corredor mal iluminado dava acesso, ao fundo, à casa, para um ou dois lugares de morto, propriamente dito. Só um estava ocupado. Tem…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (9º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   Casa de Hóspedes (9º. Episódio) A Dona Júlia aproveitou a hora do jantar para informar os hóspedes sobre as cerimónias fúnebres do vizinho de baixo. Que o corpo já estava desde as sete da tarde na casa mortuária da igreja de Santa Marta, que fecharia à meia-noite, que achava muito bem, não havia necessidade de ficarem ali toda a noite como se fazia antigamente. O Sr. Mário até acrescentou que era um sacrifício para os vivos e que nada adiantava para o falecido,…

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Folhetim | Casa de Hóspedes (8º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério Casa de Hóspedes (8º. Episódio) Quem havia de dizer, um homem que parecia vender saúde, na força da vida, eu nem quero acreditar, não somos nada, a vida são dois dias, coitada da família, coitado dele que vai para o barroco, quem cá fica governa-se. Não é bem assim, a Adelaide é nova, a miúda está uma mulherzinha, o miúdo é que ainda está atrasadito, tudo tem remédio menos a morte, parece que estava a adivinhar que a vida não durava muito, porque é…

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