Crónica de Alice Vieira | Cuidado comigo

Cuidado comigoPor Alice Vieira   Estou furiosa. Há meses que ando a sonhar com o meu regresso à pátria, ou seja à Ericeira. Primeiro aceitei este exílio porque  eram os meses de confinamento. Depois porque era um semi-confinamento. Mas agora em que, sempre com as devidas precauções, claro, já me podia meter num carro (transportes públicos ainda não…) e desaguar na minha varanda com vista para o mar –tenho de ficar por Lisboa pelo menos mais uma semana. Ainda se a culpa fosse minha… Mas não. E isso é que…

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Crónica de Alice Vieira | De hoje é que não passa

De hoje é que não passaPor Alice Vieira   De repente aparecem-me notícias que me deixam quase em estado de choque. Num dia deste mês — não digo qual, para não fazer publicidade—vai ser feita uma homenagem a… Ministra da Saúde? — Não. Médicos e enfermeiros? — Não. Professores e jornalistas? — Não Actores e músicos ? — Não. Estão bem sentados? Uma homenagem a Salazar, lembrando o 50º aniversário da sua morte. Vai haver missa, almoço, conferência de um tenente-coronel de que esqueci o nome, moeda comemorativa. Quando disse…

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Crónica de Alice Vieira | Afinal para onde é que vamos?

Afinal para onde é que vamos?Por Alice Vieira   Prometi ,na crónica passada,  que a de  hoje ia ser mais divertida Estou a fazer os possíveis, juro que estou ,mas.. estou a ver que não. Porque não há meio disto melhorar… Pessoalmente até estou bem, sem depressões nem nada dessas coisas. Mas… Há  dias que  suspiro pelo meu café em Lisboa, que vai ficar em lay-off a partir de 2ª feira (mas, para animar um bocadinho o pessoal, vamos lá fazer hoje—a meia dúzia que lá cabe, com as devidas…

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Crónica de Alice Vieira | Ora então parece que andamos a brincar

Ora então parece que andamos a brincarPor Alice Vieira   Ora então parece que andamos a brincar. Pode haver grupos de 20 pessoas—e vamos logo fazer festarolas com mil. Temos de guardar distância entre nós—vamos todos bailar e andar aos abraços. O vírus afecta toda a gente –ora, são só os velhotes. Aqui perto de onde eu moro, em Lisboa, há uma rua com muitos restaurantes e esplanadas—e é vê-los à noite, aos magotes, copo na mão—e, evidentemente, sem máscara. E assim tivemos de regredir, de não poder fazer aquilo…

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Crónica de Alice Vieira | Confinar ou desconfinar…

Confinar ou desconfinar…Por Alice Vieira   E cá andamos, mais ou menos desconfinados, mais ou menos mascarados, mais ou menos alcoolizados (eu sempre disse que o álcool curava tudo, mas as pessoas riam-se…) Adapto-me bem a esta nova vida. Leio por aí que os remédios  que as farmácias mais vendem actualmente são anti-depressivos e ansiolíticos Acontece que eu andava a tratar-me com uma psiquiatra antes da pandemia, por causa de uma depressão. Angústias, um sufoco no peito, tinha de sair de casa às seis da tarde porque não suportava estar…

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Crónica de Alice Vieira | O silêncio da leitura

O silêncio da leitura por Alice Vieira   Todos nós temos uma tendência  para falar preferencialmente daquilo que está mal. Claro que se deve falar dessas coisas, claro que se deve chamar a atenção para aquilo que está errado—mas quantas vezes olhamos para o que está bem…e não dizemos nada? (Mal acomparado, muito mal acomparado, admito, é um pouco o que se passa hoje, toda a gente a repetir vezes sem conta, o número de mortos e infectados sem nunca se lembrarem de anunciar o número de curados…  Adiante )…

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Crónica de Alice Vieira | Em louvor dos correios

Em louvor dos correiosPor Alice Vieira   Ora cá estamos, confinadas. Uma amiga minha diz “confitadas” porque, segundo ela, ao menos assim parece que estamos num banquete a comer coisas boas. E nestes últimos dias, para além de confinadas por causa do vírus, ainda estamos confinadas por causa da chuva. Mas como agora, muito resguardadas, de máscara e luvas, já podemos dar uma voltinha, tinha tudo preparado para ir deitar uns postais ao correio (muito perto de minha casa). Coisa pouca :58, e ainda não respondi a todos. Como eu…

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Crónica de Alice Vieira | Onde estavas no 25 de Abril?

Quando me fazem  a inevitável pergunta “onde é que estavas no 25 de Abril?”, eu respondo logo: “no Coliseu, a assistir a uma récita memorável da “Traviata” com o Alfredo Kraus e a Joan Sutherland. “ Eles vieram ao palco agradecer não sei quantas vezes, as pessoas atiravam cravos para a plateia, foi lindo. (Depois disso entrevistei o Alfredo Kraus uma série de vezes, e no final de cada entrevista ele fazia sempre questão de dizer: “não se esqueça de escrever aí que os primeiros cravos da vossa revolução foram…

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Crónica de Alice Vieira | O mundo cá dentro

Falava eu na minha última crónica de pessoas de quem eu não sabia nada há anos—e que agora me telefonam. Para já, devo dizer que o meu telemóvel não para. E ontem, num intervalo entre duas chamadas, liga-me um número que não conheço (sim, a minha lista telefónica também tem aumentado a olhos vistos.. ) Do lado de lá um grito de alegria “Alice, és tu? Que bom ouvir-te”…)  Então era um meu colega tipógrafo dos tempos do “Diário de Notícias” (e eu já saí do DN há mais de…

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Crónica de Alice Vieira | Sejam criativos…

E agora sim, agora estamos obrigatoriamente de quarentena…E lá começam a surgir as anedotas, porque nunca vi como os portugueses para fazerem anedotas de tudo. (“As igrejas estão fechadas, só o Pôncio Pilatos é que pode sair, porque está sempre a lavar as mãos…..”  Aí vai uma para amostra.) Claro que eu até gosto de estar em casa. Na minha infância complicada habituei-me muito a estar sozinha e a arranjar maneira de me entreter. Eu nunca me aborreço, é verdade. Mas, como dizia a Melina Mercouri, gosto muito de estar…

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