Crónica de Jorge C Ferreira | Encontro de Amigos

Crónica de Jorge C Ferreira | Encontro de Amigos Encontro de Amigos Fim de tarde, já noite. Estava marcado para aquela hora o encontro dos amigos. Mulheres, homens, todos os sexos iam chegando. Os mais velhos, os de todas as matrizes, o começo de tudo. Amigos mais antigos que a noite, outros de tempos impróprios para nascer. Novos amigos, novas ternuras, virtuais conhecimentos. Coisas de um tempo novo que se vai expandindo até a um infinito desconhecido. Todos foram poucos para tanta vontade de acolher vontades. O sussurrar, o riso…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Falar de Poesia

Crónica de Jorge C Ferreira | Falar de Poesia   Falar de Poesia Três versos bordados na fralda de uma camisa. Um pequeno, mas intenso poema. Os versos a quererem aquecer a vida. Um poema encantado pelo corpo em que vai crescendo. Letra a letra renasce a voz da poetisa. Uma voz funda vinda de tempos amados. Uma voz herdada das canções de amigo. Canta-se o amor e batem os corações. Porque a voz dos poetas é a voz da poesia. Há um músico que ama compor para os poemas…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Ruas e vidas

Crónica de Jorge C Ferreira | Ruas e vidas   Ruas e vidas Sinais que chegam como se viessem de astros distantes. A Lua a fazer caretas à terra. Uma rua inventada por mágicas mãos. A rua de todas as criações. Candeeiros de alumiar coisas por inventar. Árvores decoradas com bolas de cristal. Uma colorida estrada. As vias rápidas para alguma suposta felicidade. Sinais numa língua escrita com pontos e traços luminosos. A grande aventura pronta a começar. Que filme este! Que estória tão exuberante! Passeia-se gente muito iluminada pela…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Medos

Crónica de Jorge C Ferreira | Medos   Medos Suspiros. Ais. Desgostos imensos. Sonoros choros. Tudo antes que a vida se despeça de alguém. Malfeitorias danadas. Dizem que são artes de mulheres muito antigas feitas com rezas, benzeduras e outros artefactos que nem ouso referir. Mulheres vestidas de roupas largas e escuras. Mulheres capazes de abraçar pias baptismais e tentar envenenar toda a água benta. Tudo isto me era contado num telhado em noite de lua cheia. Eram estórias inventadas por mentes criativas e dadas ao gozo de criar alarme…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Livros e Ruas

Crónica de Jorge C Ferreira | Livros e Ruas   Livros e Ruas O coração aos saltos. Um livro a ferver. Gente que chama gente. Um medo sem medo. A vida a continuar. Tanta coisa a tratar. Tanta coisa a contar. Tanta coisa por contar. As páginas a encolherem. As letras cada vez mais pequenas. As ideias, as ideias a saltarem e a sumirem-se num jogo de enganar. Quantos espaços. Os espaços dos silêncios que muitos não entendem. O fim que se faz difícil. O desejo que se quer desejado.…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Cansaços e Beldades

Crónica de Jorge C Ferreira | Cansaços e Beldades   Cansaços e Beldades  Correm leves as mulheres para o fim do mundo das águas por descobrir. Tempos repetidos em histórias nunca filmadas. Só quem viu aqueles corpos nus, esbeltos, o pode contar. Os homens sentados e entregues ao seu pasmo, não acreditavam no que viam. Que liberdade tão bela. Que corpos tão ansiosos. O amor por acontecer. Ele deita-se no divã e deixa-se ir. Fala sem parar. Apenas algumas pequenas interrupções da mulher que o ouve. Diz o que queria…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Estórias da História

Crónica de Jorge C Ferreira | Estórias da História   Estórias da História Tanta estória contada. Tanta estória vivida. Tantos ecos ouvidos. Tanta fanfarronice. As estórias da história. A história que é lenda. A história para fazer heróis. O túmulo do soldado desconhecido. Milhares de viúvas. Velas e orações. Umas botas rotas, uma espingarda sem balas, umas pedras de outro mar. Um caixão vazio. As peregrinações, as promessas, as lágrimas de dor. Um coração oco. Uma pedra no lugar do músculo. Os que não conseguem verter uma lágrima. As batalhas mal…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Abriu a caça

Crónica de Jorge C Ferreira | Abriu a caça   Abriu a caça Os restos de nada. Os farrapos, os fiapos, os trapos. Um ermo sem fim. Um caminho sem destino. O pó e o transe. A ressaca, o cansaço, o corpo que treme. O fim da linha. Um corpo que não se vê ao espelho há anos. O ar hirsuto. As marcas que tenta esconder. As cicatrizes, as infecções, a quase putrefacção. Um destino sem destino. Entretanto abriu a caça. A caça ao voto. Os jantares, as bandeiras, os…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Um Tempo Suspenso

Crónica de Jorge C Ferreira | Um Tempo Suspenso   Um Tempo Suspenso A mágoa. A dor que parece uma brisa permanente. A marca. O ferrete. O não conseguir compreender. O não ser capaz de esquecer. Os enigmas. O saber cada vez menos. O pensamento contínuo. O círculo vicioso. A arte da prestidigitação. O truque que sabemos que é batota, mas a que vamos assistindo. O tudo que habita o nada. Conseguir ir vivendo. A metade da cama fria. As paredes invisíveis. Os muros que ainda não foram derrubados. Um…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Tempos inquietos

Crónica de Jorge C Ferreira | Tempos inquietos   Tempos inquietos Insinuante. Um olhar que trespassa muros e paredes. Um caudal de sedução. Uma mulher que podia ser uma estátua de um escultor de beldades. Tudo perfeito no que os nossos olhos vêem. As pernas cruzadas e enroladas uma na outra. Uma boquilha enorme. Um cigarro. Uma explosão de fumo. Tudo naquela sala é estudado ao mínimo pormenor. Tudo é de um tempo em que o belo se mostrava no mais pequeno detalhe. Um tempo em que o tempo passava…

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