Crónicas de Jorge C Ferreira | Aprendizagens

Aprendizagens A sabedoria, os sabores, os caminhos, o que não se esquece, o que se cola ao nosso viver. Como sabe bem aprender. Aprender a vida, num carrossel muito antigo. Tudo a andar à volta. A girafa com o seu enorme pescoço, um cavalo com brilhantes e crina colorida, um burro que tudo carrega e outros desassossegos. Tanta gente a andar à roda num burburinho que a música abafa. Ouve-se e não se percebe. Um desafio constante. O querer conseguir. A fantasia, os sabores inventados, a vida de brincar. Um…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Coisas Antigas

Coisas Antigas Este tempo de pensar. O aconchego de uma vida. Um livro que nos emociona. As dores da escrita. Uma vela e um ritual muito antigo. Uma escrivaninha e a gaveta de todos os segredos. Um anjo, muito antigo, com a mão partida. Um anjo louro. Um anjo que a minha Mãe me deixou. Um café que não é habitual. Quatro amigos à conversa. As viagens e os difíceis caminhos. Tudo o que não se espera e acontece. O amigo que tem de voltar para o lar. O beijo…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Chegar para Partir

Chegar para Partir O martírio dos aeroportos. Muita gente. Muitos voos. Muita segurança. Por vezes o exagero. As bichas. Máquinas que olham para dentro de nós. As mãos erguidas. O cheiro a aromas misturados na loja de todos os perfumes. A última compra. O último desejo. Cerrar as portas. Caminhar para o céu. Passear sobre as nuvens. Esperar chegar. Muito tempo para pensar. Um tubo cada vez mais incómodo. O cansaço que aumenta com a idade. Uma “refeição”. O plástico sempre presente. A revista do costume. Um livro em que…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | A Casa de Partida

A Casa de Partida Estamos cada vez mais perto da casa de partida. Vem-nos à memória o jogo da glória, os cavalinhos, a macaca. As saias plissadas, as calças de golfe, as meias brancas até ao joelho, os sapatos de carneira. Rolam os dados sobre o pano verde da esperança que nunca perdemos. Não há dados viciados neste jogo. Há quem gaste muito dinheiro no casino e ao balcão dos bares. Fazem-se as últimas apostas. Experimentam-se as derradeiras bebidas. De tudo isto sou um mero espectador. Não bebo nem jogo.…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | A Caminho do fim

A Caminho do fim Vamos desdobrando mar. Descemos. Cada vez mais perto do início. Cada vez mais perto do epílogo. Cada vez mais perto do balanço final. As conversas vão-se sucedendo. Comparações vão sendo feitas. Nunca se deve comparar o incomparável. Cada viagem é uma nova aventura, um novo sonho cantado. Teimamos em não aprender. Vamos pela rota destinada. Caminhamos até ao fundo de tudo o que aparece. Os cheiros vão-se modificando. O tempo vai aquecendo. Os corpos vão-se despindo. Há quem já ponha cremes. Quem se unte e besunte.…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Linda

LINDA É tempo de descer. O vento conta-se em nós. A distância e a velocidade em milhas. Assim vamos atravessando linhas imaginárias. Encolhe o gelo, um gostoso desaparecer, corre a líquida água pelas montanhas abaixo. Uma montanha de cada lado, um deslumbramento de água e verde. Rochas que apelam à aventura. Assim vamos de cidade em cidade. Assim vamos conhecendo nova gente. Subir ao cimo das montanhas e ver, cá em baixo, a nossa ausência e miniaturas que desconhecemos. Este subir e descer que nos baralha os ouvidos. Engolimos e…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Ainda o Norte

Ainda o Norte Procurar os limites conhecidos. Encontrar o sem-fim. Olhar e tornar a olhar. Encher os olhos de um azul líquido. Tentar agarrar uma esfera armilar entre as mãos e rir entre o frio e a neblina que avança. Uma foto para a posteridade. Quem olhará para isto? De repente um nevoeiro intenso. Tudo se concentra num espaço diminuto. Somos nós e os que andam por perto. Gente que veio só para estar neste lugar. Neste ponto ermo do globo. Para estar mais perto do tudo e do nada.…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Perder o Norte

Perder o Norte, de tanto Norte, de tão a Norte. O Desnorte. O Norte de todos os Nortes. Subir sempre mais. Procurar o lugar da felicidade inteira. Saborear o Sol que nunca se põe, o gelo que teima em não se derreter, regressar e aceitar o abraço de um urso que nos quer amar. Encontrar uma Igreja. Descalçar-me para entrar. O sossego no meio de muita gente. Ficar perdido no meio do silêncio.   Não saber de nada. Tento ouvir as antigas orações em latim. Esqueço-me do tempo. Ficar criatura isolada.…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | A Arte

A Arte Tentar ocupar o vazio. O espaço sem espaço. Uma simulação de ser. Uma aventura que sabe sempre a pouco. As letras a cavalgarem-se. Um galope alargado. Um abecedário que escreve o nome de todos os obstáculos que se vão ultrapassando. Até ao fim da dor. Até à linha final. Um tempo enganado, um tempo de enganar. Um tempo que, por vezes, custa a percorrer. Há sempre mais uma árvore atravessada no caminho. Uma floresta de enganos e um não saber da próxima corrida, da próxima desventura. Acreditar que,…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | O Tempo que avança

O Tempo que avança Está passado já um mês neste Reino. Muitas coisas a acontecerem. A vida que não pára. Esta vida, que teima em copiar o mar. vão partindo e chegando pessoas. Vão e vêm afectos, ternuras, beijos e abraços. Há sempre coisas que faltam. Dores vadias. Pânicos que se instalam. Os livros que se vão lendo. Os textos que se vão escrevendo. Textos que vão variando com o tempo. A calmaria e o terramoto. Uma amálgama de sentimentos que nos habita. Sucedem-se acontecimentos em catadupa. Prisões de políticos,…

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