Crónica de Alexandre Honrado – Para cá da máscara

Crónica de Alexandre Honrado Para cá da máscara   A manumissio era uma cerimónia de grande importância na antiguidade Clássica, durante a qual se libertava o escravo, ou se lhe devolvia a liberdade, sendo essa tarefa concretizada pelo magistrado que tocava o candidato à libertação com uma vara e lhe colocava depois um barrete sobre a cabeça acabada de rapar. Finda a cerimónia ficava em liberdade, isto é, sob os desígnios simbólicos de uma entidade do sexo feminino – Libertas ‒ que nas representações iconográficas aparece quase sempre personificada como…

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Crónica de Alexandre Honrado – Escrevo para não ficar sozinho

Crónica de Alexandre Honrado Escrevo para não ficar sozinho   Duas fontes de informação, aparentemente sem qualquer relação, caem suavemente no meu computador, vindas por correio eletrónico. Consagro-lhes os primeiros minutos da manhã que conterá logo a seguir centenas de outras razões de leitura e de reflexão. A primeira delas vem das Nações Unidas. Recebo quase todos os dias o seu correio e faço dessas matérias grande utilidade. Por vezes, os conteúdos são mais leves, felizmente, como este exemplo intitulado  “A arte é para todos. Eu uso minha música porque…

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Crónica de Alexandre Honrado – Só a democracia pode vencê-los

Crónica de Alexandre Honrado Só a democracia pode vencê-los   Leio que uma sujeita menor a quem a liberdade de expressão garante a possibilidade de exprimir-se sem quaisquer mordaças, sendo dotada de um tempo de antena sem explicação, diz que não festeja e que jamais festejará o 25 de abril, o que é natural vindo de que vem, com o seu percurso trapalhão e trambolhão, onde vagamente já foi tudo, até comunista e animadora barata de aniversários menores. Tudo menor, portanto. Este é mais um exemplo da grandeza da Democracia:…

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Crónica de Alexandre Honrado – O penico que ri (e algumas felicidades)

Crónica de Alexandre Honrado O penico que ri (e algumas felicidades)   Raphael Augusto Prostes Bordallo Pinheiro, o “nosso” Rafael Bordalo Pinheiro, foi um artista português, interventivo e dotado de grande humor, que se recriou em inúmeras peças de arte, da caricatura à cerâmica, ao teatro (subiu à cena como ator no Teatro Garrett e no Teatro Thalia, este último integrado no palácio do conde de Farrobo ou palácio da Quinta das Laranjeiras, em Lisboa), tendo sido aluno no Curso de Arte Dramática do Conservatório de Lisboa. Precursor do cartaz…

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Crónica de Alexandre Honrado – No céu cinzento sob o astro mudo

Crónica de Alexandre Honrado No céu cinzento sob o astro mudo   Ligou-me um amigo, com uma nota de nervosismo na voz, e atirou-me: «É só para ficares avisado. A direita vai lançar mais um jornal, e parece que este é mesmo da extrema.» Agradeci a informação, fiquei a matutar, farto de dizer para com os meus botões que essas coisas de direitas e esquerdas não são dos nossos tempos e todavia ei-las, absurdas e prolongadas no tempo, como a velha tartaruga que se nega a evoluir mas que permanece…

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Crónica de Alexandre Honrado – Como está tu, tattoo?

Crónica de Alexandre Honrado Como está tu, tattoo?   Muito tempo de confinamento e as discussões tornam-se a melhor alternativa ao tédio. Esta surgiu quando alguém nas imediações trouxe o tema para a ribalta: as tatuagens. De onde vieram, porque as usamos, são banalidade ou elementos da nossa originalidade e liberdade? Modelo duplo da civilização ocidental dos últimos decénios, a tatuagem perdeu entre nós a excecionalidade dos elementos estéticos e desafiadores. Chamo-lhe modelo duplo, pois por um lado tomou conta da pele do corpo e por outro fez o mesmo…

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Crónica de Alexandre Honrado – De frase em frase e o erro de citar este e aquele

Crónica de Alexandre Honrado De frase em frase e o erro de citar este e aquele   Sem nostalgias, guardo por vezes algumas frases. Não sou daqueles que gosta da citação pela citação e até me assusta a frase isolada, tirada de um contexto qualquer que fica sempre impune, que nos leva a pensar uma coisa quando o original tendia para outra muito diferente. É sempre útil resgatar o exemplo daquela frase (manipulada) de Fernando Pessoa que passou à memória das citações como “A minha Pátria é minha língua” e…

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Crónica de Alexandre Honrado – Leituras e revisões durante o confinamento

Leituras e revisões durante o confinamento Por Alexandre Honrado   Não sei bem, pelo menos ao certo, porque me detenho tão longamente sobre textos de autores com os quais discordo. Alguns desapontam-me tanto que acho incrível terem sido escritos por seres humanos sem marca visível de humanidade. Pode parecer masoquismo; estarei longe disso, porém. Não tenho o menor gosto pelas ideias deste e daquele, no entanto reconheço que a forma como as defendem e lançam ao mundo, acabam por interessar-me e ajudam-me a produzir maior firmeza nas minhas próprias ideias…

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Crónica de Alexandre Honrado – A história é muito feia

A história é muito feia Por Alexandre Honrado   A História mostra-nos a fealdade da progressão humana, desde as raízes mais remotas às desilusões dos dias que vivemos. Somos o resultado de muitos ancestrais que, para levarem pão à boca, à sua e só às vezes às dos seus, não olharam a meios para atingirem fins que não eram mais do que os do egoísmo cruel a que chamamos sobrevivência. A esmagadora maioria das sociedades históricas só o foram por eliminação, progressiva e consciente, das sociedades que as tinham precedido. …

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Crónica de Alexandre Honrado – Companheiro, aqui estou!

Companheiro, aqui estou! Por Alexandre Honrado   Gosto desta palavra: companheiro. Fazer companhia é uma arte subtil, é preciso saber como fazê-lo, isto é, parcimoniosamente, sem atropelos, sem dar demasiado ou sonegar em demasia, respeitando. Dar sem esperar receber, ou receber inesperadamente uma dádiva que, inconscientemente, era o que mais precisávamos. (Uma golfada de afeto para o coração funcionar a plenos pulmões? Ou esta é uma frase suficientemente confusa para saltar por cima?). Há companheiras e companheiros para a vida e repare-se que não falo apenas de seres humanos, incluo…

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