Crónica de Alexandre Honrado | A morte em congresso

A morte em congresso Prepara-se –  e eu serei um dos “cúmplices” –  a realização do I Congresso Internacional: a morte – leitura da condição humana, aprazado para o período mediado entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2019 (e com encontro físico no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães). O tema impõe estremecimentos e para muitos algum distanciamento, porque mais vale ignorar do que encarar, pensam alguns. Serão mais de 100 comunicações, onze áreas temáticas, contar-se-á na oportunidade a presença de representantes de vários pontos do mundo.…

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Crónica de Alexandre Honrado | O cidadão presidente e o necrófilo

O cidadão presidente e o necrófilo A entrevista feita por um não jornalista a um não sujeito, o primeiro à procura de audiências e o outro felicíssimo pela atenção que lhe foi dispensada, trouxe alguns comentários para a praça pública. A confusão do entrevistado que não sabe nada sobre história, que confunde o passado e deseja para todos o que todos em seu juízo rejeitaram, só teve rival com a convicção do não jornalista, sorridente, pensando estar a fazer um serviço enorme, talvez até público, retirando arsénico e rendas velhas…

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Crónica de Alexandre Honrado | Noite de Natal para lá da idolatria

  Em noite de Natal falo sobre religião com pessoas de muito diferentes convicções e mais uma vez me espanto com o domínio dos textos religiosos exibido por um dos ateus presentes. É aliás um hábito dos ateus participar com o maior dos entusiasmos na festa do Natal, sabendo tratar-se da evocação simbólica da data convencionada para o nascimento de Jesus. Celebram e sublinham que datas como esta, em que um dos mestres da Humanidade se celebra com vigor e universalidade, deviam ser repetidas e promovidas ao longo do ano,…

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Crónica de Alexandre Honrado | O Digital Próximo da Religião (a época do Deus mercadoria)

O DIGITAL PRÓXIMO DA RELIGIÃO (a época do Deus mercadoria)   Discutíamos há poucos dias, em ambiente académico, a relação entre conectividade tecnológica e conexão cultural, estabelecendo-se então a dúvida: afinal a que estamos ligados? Sem entrar nos domínios da reflexão, sempre motivadora de acalorados argumentos, do que será, afinal, em especial nos nossos dias, uma estrutura de crença e, nessa, que lugar ocupa o religioso no homem contemporâneo, demos com um exemplo que se nos afigura motivador, estimulante e a um mesmo tempo ligado ao tema que nos é…

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Crónica de Alexandre Honrado – Nos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A maior aniquilação pode ser desencadeada numa grande cultura – é o que justifica a queda de grandes edificações culturais de outrora, persas, gregos, romanos, outros que se reduziram a uma insignificância do que tinham sido, pelo simples erro de se autodestruírem. Pensei nisto à saída do Museu do Oriente onde participei, com alegria, numa festa muito especial: a evocação do dia 10 de Dezembro, Dia dos Direitos Humanos, sessão comemorativa do 70º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Reuniu este acontecimento um punhado de gente boa, com princípios…

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Crónica de Alexandre Honrado | O Homem, a Natureza, a Natureza do Homem

O Homem, a Natureza, a Natureza do Homem   Quando, no liceu, éramos obrigados a estudar as ideias, algumas e em rápidas sínteses, do filósofo Emanuel Kant, ficávamos entre o mais absoluto desprendimento e a mais perfeita envolvência; só se ama ou odeia como dizia um dos nossos professores, pois nisto das ideias não há meios termos. Era uma época interessante, essa em que vivíamos, pois ao contrário de hoje estávamos ávidos de pensar. E alguns dos nossos mestres estavam desejosos de partilhar as formas como, em seu entender, o…

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Crónica de Alexandre Honrado | A cultura dos incultos

A cultura dos incultos A ilusão de que há uma “cultura portuguesa” ou mesmo uma “identidade nacional”, somada a outras, como a estranha convicção de que a cultura é uma coisa boa, ou que somos a língua que escrevemos – e não a que sentimos, aquela em que amamos e nos damos – faz das matrizes que interpretam Portugal e os portugueses parecerem estranhas quadrículas coloridas, um mapa de muitos pontinhos, cara com acne ou simplesmente uma forma pacóvia de desentender o multicultural (que somos) e as heranças tão variadas…

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Crónica de Alexandre Honrado – À espera do caldeirão

À ESPERA DO CALDEIRÃO   Sempre que encontro José Gil – o filósofo português que o mundo mais atento reconhece – fico, sempre, entre o mais evidente estádio de maravilhamento, que economiza palavra e emana inibições, e a sensação de atrever-me a perturbar um cérebro de menino capaz de fulgores destinados a derrubar os momentos mais incapacitantes do quotidiano asperamente adulto. Oiço-o, a José Gil, com uma vergonha do meu saber tão pouco; outro tanto acontece quando o leio, nos livros nem sempre fáceis, das frases enormes aos simples conceitos…

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Crónica de Alexandre Honrado | Haverá um Brasil horrível à nossa espera?

HAVERÁ UM BRASIL HORRÍVEL À NOSSA ESPERA?   Há efeitos surpresa na sociedade atual que merecem um vagaroso tempo de análise de reflexão. Como é que chegámos aqui, muitos se interrogam, e todavia parece que o caminho foi de todos, com todos, empurrando-se todos pelo pequeno terminal do funil, depois de atrás ficar esquecida a entrada grande que nos trouxe aos apertos. O resultado é miserável: programas de televisão pouco mais que pornográficos, corrupção nos locais mais inesperados, a troca da saudável sensação de praticar ou ver desporto por uma…

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Crónicas de Alexandre Honrado – Permitimos a imbecilidade que somos (é simples)

Permitimos a imbecilidade que somos (é simples)   Quando eu era miúdo o mundo era fácil de entender. Na Europa, esse continente que não o é – olhem para o mapa e verão como é uma pequena excrescência, pobre, da Ásia, com muitas manias intelectuais e autocentradas – havia pelo menos três ditaduras de fôlego que viviam dos seus crimes e autoritarismos: a portuguesa, a espanhola e a grega; na continuação desse continente uma superpotência, reedição atualizada do potente regime despótico dos Romanov que ensombrou séculos e escravizou e matou…

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