Crónica de Alexandre Honrado – Há tanta ideia por pensar – parte seis

Pensar Virgílio Há tanta ideia por pensar – parte seis Uma pequena homenagem a Virgílio Ferreira   Este tempo é diferente. A religião é o capital e o seu deus é um mercado, quando pelo menos devia ser um mercador. As coisas foram fluindo até se transformarem numa folha muito fina. As folhas antigas, os papiros e seus semelhantes, permitiam escrever e rasurar, escrever por cima. Ainda encontramos magníficos palimpsestos onde aquilo que se raspou e escreveu por cima é apenas uma máscara do que, raspado, se escreveu por baixo.…

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Crónica de Alexandre Honrado – Há tanta ideia por pensar – parte cinco

Pensar Virgílio Há tanta ideia por pensar – parte cinco Uma pequena homenagem a Virgílio Ferreira   Volte-se então a essa simplicidade que opõe o mal ao bem. Os deuses aos demoníacos, os indiferentes aos imbecis que são piores do que os indiferentes. Ambos são de grande utilidade. Dão-nos a sentir, por vezes ao espelho, que estamos mais perto de nós do que queremos. Os deuses precisam desesperadamente de nós. Há um sonho recorrente que deve ser partilhado: o do ser humano que acorda e descobre com espanto que o…

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Crónica de Alexandre Honrado – Há tanta ideia por pensar – Pensar Virgílio

Pensar Virgílio Há Tanta Ideia Por Pensar – Parte quatro Uma pequena homenagem a Vergílio Ferreira     A arte pretendeu dar-nos um lado cromático e volumétrico, sensual do pensamento. Por vezes é a vida tal como a vida era ou pensava ser. Outras vezes, distorção. Mais tarde, a exaltação da fealdade. Hoje, a pele e as paredes são telas. A arte fica nelas. Alguns de nós ainda reparam nisso. Já vivemos muitas vezes o fim do mundo e o mais inquietante na nossa era foi aquele que antecipava uma…

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Crónica de Alexandre Honrado – Há tanta ideia por pensar – Terceira parte

Há tanta ideia por pensar Terceira parte   O ato de nascer é uma impureza. No momento inicial, somos seres muito próximos da natureza, é certo, pelo que nenhum ato cultural nos pode ser exigido como atividade consciente. A idealização da inocência é contrariada pela veracidade da agressão. Batem-nos para que choremos. As secundinas, pasta inexplicável para o leigo, composta de placenta e de membranas expelidas connosco dão-nos – a todos nós! – a aparência suja da matéria impura. O meio relativiza-nos. Entre a clínica luxuosa ou a enxerga mais…

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Crónica de Alexandre Honrado – Há tanta ideia ideia por pensar – parte dois

HÁ TANTA IDEIA POR PENSAR PARTE DOIS   Um andorinhão intui. O homem pensa. Ou será o contrário, neste tempo, o de agora, em que nos inquietamos tanto e, paradoxo!, nos aquietamos demasiado. É um risco trazer nomes para um local onde o pensamento se quer resistente, acima de qualquer protagonista. Mas é irresistível. Por exemplo, Heidegger e Deleuze. Não importa nem biografá-los nem fazer-lhes a louvação. Limitemo-nos a explicar porque os requisitamos: não sendo parecidos no modo como pensam, ambos nos advertem de um problema impensável: nós não pensamos,…

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Crónica de Alexandre Honrado | Há tanta ideia por pensar Uma pequena homenagem a Vergílio Ferreira

Há tanta ideia por pensar Uma pequena homenagem a Vergílio Ferreira   Só uma filosofia do impuro interpreta o impensável O que seria de uma vida inteira se, vivendo-a, não pensássemos? Algum estranho equilíbrio nos levaria de uma à outra ponta, do nascer ao partir, enchendo parte de nós com a vã impossibilidade de sermos nós. Pensar, mesmo assim, não seria suficiente. Seria exigível a importância de saber como fazê-lo. E ao sedimento de todos os dias a que chamamos memória e que mais não é do que a soma…

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Crónica de Alexandre Honrado | Não há quem nos defenda (de nós)

Atento como era, o professor, historiador e filósofo, Michel Foucault teria publicado hoje as suas aulas no colégio de França, as de 1976, não com o título É Preciso Defender a Sociedade, como aliás o fez e com grande êxito, mas com uma atualização. É provável que intitulasse a reunião daqueles seus pensamentos sob um título novo e mais contemporâneo de todos nós: É preciso Defender a Sociedade de si mesma. Já nessa altura, nos anos 70 do séc. XX., Foucault preocupava-se com aquilo a que chamava o bio-poder, força…

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Crónica de Alexandre Honrado | Nada se compara com o meu cantinho

Nada se compara com o meu cantinho Ganhei o (estranho) hábito de me sentar em cantinhos bem iluminados. É fundamental que sejam bem iluminados, esses cantinhos, e a razão para essa exigência é muito simples: regra geral faço-me acompanhar de livros, artigos de revistas, fotocópias e apesar de ler bem sem óculos, a luz devida tem de acompanhar-nos. A esse hábito acresce a sua motivação: é em cantinhos iluminados que as ideias se revelam e da escuridão – zona habitada pela profundidade – pode muito bem nascer a luz, como…

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Crónica de Alexandre Honrado | O Sorriso do Filósofo

O Estou em acreditar que o filósofo René Descartes faria hoje um episódico sorrisinho ao ver a sociedade ocidental atrapalhada na ideia de que a expressão “Eu penso” é uma aquisição de todos e de cada um. Não há dúvida de que temos todos essa ilusão, eu penso, e (para ser ainda mais próximo do filósofo), é por pensar que vamos existindo. Eu penso, logo existo é dessas frases quase publicitárias que se tornaram um clássico no mundo da cultura. O filósofo René Descartes, no entanto, deixaria murchar o sorrisinho,…

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Crónica de Alexandre Honrado | A geografia é que nos explica?

Sob o ponto de vista da cultura e da história  (áreas que mais me ocupam no que respeita a desafios académicos e pessoais), a singularidade é sempre exigível, no que respeita às análises. Não falo do excêntrico pelo excêntrico – e muito pensamento tem sido produzido e veiculado (os órgãos de comunicação adoram-no) que não passa disso mesmo, vulgar excentricidade – mas elevações de novas matrizes, coisas inéditas para usarmos contribuindo para o necessário pensamento “fora da caixa” que pode conter o último reduto curativo para as doenças aparentemente terminais…

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