Crónica de Alexandre Honrado | Fazer abril (em março)

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado Fazer abril (em março)   “A porta da justiça é o estudo” Walter Benjamin.   Há quem não goste de estudar e há quem não veja qualquer impedimento em estudar todo o tipo de matérias. Aprender confere ao indivíduo o bem-estar de libertação. Se o mundo interior for livre, muito mais facilmente se aspira à liberdade do mundo exterior, que se conquista pela determinação, persistência e sapiência. Todavia, o que se aprende deve ser escolhido de modo a não constituir um sedimento nefasto, que é o…

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Crónica de Alexandre Honrado | Sobre a ideia de crença Em hora de ameaças

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado Sobre a ideia de crença Em hora de ameaças   Numa altura em que fundamentalistas extremistas organizam manifestações antirreligiosas, como se isso fosse coisa natural ou edificante, numa altura em que o fascismo nunca vencido resolveu medir forças com o progresso e a esperança, numa altura de luto, acredito ser obrigatório resgatar a cultura e a inteligência, organizar forças que se deixaram amolecer por se julgarem intocáveis, e preparar aquilo que somos para aquilo que devemos ser. Revisito em texto já datado; foi produzido para um…

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Crónica de Alexandre Honrado | História transtornada

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado História transtornada Assistimos ao triunfo de uma barbárie que age em nome de uma aparente lealdade e que, todavia, não é mais do que uma nova dimensão do crime organizado, dos grandes negócios de armas e dos narcotráficos e dos interesses de países poderosos que, em tempo de crise, relançam as suas economias com a desfaçatez dos objetivos — e a ignorância do que é humano na jornada. Os deuses, todavia, ficam imunes ao que os homens fazem em seu nome. Permanecem vivos mesmo quando os…

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Crónica de Alexandre Honrado | Nada se compara com o meu cantinho

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado Nada se compara com o meu cantinho Ganhei o (estranho) hábito de me sentar em cantinhos bem iluminados.      É fundamental que sejam bem iluminados, esses cantinhos, e a razão para essa exigência é muito simples: regra geral faço-me acompanhar de livros, artigos de revistas, fotocópias e apesar de ler bem sem óculos, a luz devida tem de acompanhar-nos. A esse hábito acresce a sua motivação: é em cantinhos iluminados que as ideias se revelam e da escuridão – zona habitada pela profundidade – pode muito bem…

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Crónica de Alexandre Honrado | Conto de Natal

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado Conto de Natal   “Era uma vez… Era uma vez a minha pessoa, pequena e cheia de sonhos, que se chegava ao Natal em bicos de pés, a perguntar com os olhos: será que há uma prenda para mim? Mais do que gostar de prendas, eu gostava das histórias da avó Ana. Eu nasci há tantos anos que nessa altura as histórias tinham mais valor: as pessoas contavam-nas com um grande respeito. A música de Natal já andava pelo ar, as pessoas sabiam canções de cor…

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Crónica de Alexandre Honrado | Um texto em paz

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado Um texto em paz   A guerra – um dos tipos de assassinato cometido em nome de Estados – continua a ser prática corrente e recorrente numa civilização enferma, onde o cometimento dos excessos contra a dignidade humana parecem ter mais êxito do que a diplomacia, a proximidade, a solidariedade, a mescla, únicas ações concretas que podem conduzir à sobrevivência do que há de efetivamente humano na Humanidade. A cultura da morte mantém-se com intensidade, vão oferecer-se às crianças muitas armas neste Natal, muitos jogos onde…

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Crónica de Alexandre Honrado | É uma questão de sobrevivência, diria.

Alexandre Honrado

Crónica de Alexandre Honrado É uma questão de sobrevivência, diria.   Duas ideias, pelo menos, inscreveram-se nas minhas próprias formas de pensar. Foram captadas da mais recente visita de Edgar Morin, o sábio, a Portugal – em setembro deste ano corrente de 2023- , que as legou com a altivez de uma cultura acumulada em 102 anos de vida intensíssima, contrariada pela modéstia com que se partilha e encanta. Quero resgatá-las, antes que a inevitável destruição da memória imponha a angústia de um esquecimento irreparável. Eu, que sempre pensei dedicar-me…

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Crónica de Alexandre Honrado – Lágrimas Regam O Crescente Fértil

Alexandre Honrado

Lágrimas Regam O Crescente Fértil por Alexandre Honrado   Escrevi este texto em 2006, para um livro-catálogo do meu amigo fotógrafo de guerra Ângelo Lucas. Achei-o por acaso – e nada é realmente por acaso. Com as devidas desculpas, resgato-o ao tempo e elucido-me. O que se terá passado durante os 17 anos seguintes? O que piorou?   Santo Agostinho – no século V, onde isso já vai!!! – falava do fim dos tempos. Hegel, nos primórdios do século XIX, do fim da História. Nós, no século XXI, do fim…

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Crónica de Alexandre Honrado | Vivemos num mundo em insolvência

Alexandre Honrado

  Crónica de Alexandre Honrado Vivemos num mundo em insolvência A razão e a sentimentalidade cruzam muitas vezes a mesma ponte de vida, encontram-se num entroncamento único e, não se reconhecendo, seguem o seu caminho em direções opostas. Ocorre-me esta ideia ao ver o estado do mundo, esta insolvência, esta incapacidade patrimonial de satisfazer regularmente as próprias obrigações, a que condenámos um planeta exemplar que, no imenso cosmos, parece ter sido o único capaz de desenvolver-se até à criação de vida. É que os sintomas atuais são terríveis – e…

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Crónica de Alexandre Honrado | Vai ficar tudo bem

Alexandre Honrado

  Crónica de Alexandre Honrado Vai ficar tudo bem Foram meses fugazes aqueles em que o poder e a responsabilidade do mundo, estrangulados nas mãos dos mercados, voltaram aos Estados. Quase dois anos, marcados pelo pânico e pela ignorância, presidiram a essa estranha migração, mas a causa foi-se esbatendo, os negacionistas foram sorrindo como se tivessem razão, e a desorganização humana voltou ao que era. Sim, falo da passagem da Pandemia pelo planeta, falo da epidemia da COVID-19, tão absorvida pelos populistas, tão improvisada pela Democracia, tão receada pelos autoritarismos…

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