Crónica de Alexandre Honrado – Fotos e espelhos

  Crónica de Alexandre Honrado Fotos e espelhos   Guardo fotos, coleciono-as sempre que posso, algumas vindas das mais inesperadas origens. Fotos de família, tentando adivinhar como sentiam o quotidiano os entes que me antecederam e que, pela data de nascimento e partida não cheguei a conhecer pessoalmente. É um repositório sensações e detalhes, uma revisitação, um modo ingénuo de devolver vida a pessoas e eras, a pensamentos e gostos. Coleciono ainda fotos de gente anónima, muitas vezes encontradas em arquivos deitados ao lixo e a qualquer outro desprezo, pois…

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Crónica de Alexandre Honrado – Surpresas – Entre indigentes e prósperos

  Crónica de Alexandre Honrado Surpresas – Entre indigentes e prósperos   Não ficaria surpreendido se as verdadeiras minorias pegassem em armas. Se os famintos, os andrajosos, os sem abrigos, empunhassem paus e pedras, roubassem as armas que pudessem, e em nome da sobrevivência – a única ideologia que parece ser uma sólida visão do mundo na atualidade -, procurassem um lugar no recinto que a sorte lhes nega. Não me admirava saber que os sem abrigo procuravam abrigo, um conforto qualquer que reabilitasse a sua debilidade humana. Que os…

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Crónica de Alexandre Honrado – Jorge Sampaio

  Crónica de Alexandre Honrado Jorge Sampaio   Tentei escrever várias vezes sobre Jorge Sampaio, na altura certa. A altura certa, todavia, era sempre nova e a última de todas as alturas certas era um embrulho de lágrimas e recordações, um patamar onde se dizia adeus a um homem que, sobretudo, foi um ser humano de sóbrio e eficaz humanismo e de um  humanitarismo inequívoco, sendo que o amor à Humanidade é sempre difícil, pois amar em todos cada um é quase impossível, e ser capaz de acolher o outro,…

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Crónica de Alexandre Honrado – Amarfanhar

  Crónica de Alexandre Honrado Amarfanhar   Dou comigo a desfilar pelo nada, preocupado com coisa nenhuma e uma buzinadela áspera desperta-me para uma realidade azeda e distópica: a sociedade urbana onde me são dados os relevos da minha agitada vida, reclama a minha atenção. Sempre teimei que a melhor explicação para o que me rodeia podia cingir-se a três coordenadas: o que a realidade parece impor, o que o imaginário é capaz de desfeitear à realidade e, finalmente, a simbólica que nos tolhe e liberta ao mesmo tempo. Dou…

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Crónica de Alexandre Honrado – A aparência do sublime

  Crónica de Alexandre Honrado A aparência do sublime   Li muito e discordei outro tanto de certos autores. Fui colecionando invariavelmente ideias que me pareceram destacáveis, pensamentos decididamente “fora das caixas” mais variadas, sem o preconceito de negar a uns a sabedoria por serem desta ou daquela corrente política, deste ou daquele rincão do mundo, deste ou daquele formato ético, moral, crítico ou artístico, não me importa a retórica alheia mas a utilidade do que me comunica. Fundamental, acredito, é aumentar a massa crítica. E aprender, aprender, aprender sempre.…

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Crónica de Alexandre Honrado – O circo dos horrores

  Crónica de Alexandre Honrado O circo dos horrores   Não me conformo com um mundo tão disfuncional, que festeja a globalização com o seu 5G – o padrão de tecnologia de quinta geração para redes móveis e de banda larga, coisa estúpida e tão inútil que só seria interessante se ajudasse a apagar a pegada imunda que a civilização humana deixou na destruição do mundo -; que festeja o que é doente, como a alienação, a proibição ou a repressão, negando-se a saúde da solidariedade, da proximidade, da pacificação.…

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Crónica de Alexandre Honrado – As aranhas que nos querem

  Crónica de Alexandre Honrado As aranhas que nos querem   Há uma inteligência de aranha no que está para trás, na história do mundo, a coberto de manifestações evidentes ou de siglas que agora são negras e pendem, como espada de Dâmocles sobre as cabeças de todos nós (embora aqui a moral da história seja bem diferente da que imperava no conto de Timaeus de Tauromenium que Cícero imortalizou). A aranha para alcançar os seus objetivos tece – e o que tece tem uma robustez de objetivos, liga os…

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Crónica de Alexandre Honrado – Um mictório faz sempre falta

  Crónica de Alexandre Honrado Um mictório faz sempre falta   Silva não gosta de liberalizações. De tudo um pouco e mais alguma coisa e a indignidade tece-lhe oposição; acorda com urticária e deita-se num palacete que remodelaram para as suas necessidades. A vida assim até parece fazer-lhe sentido. A palavra necessidades enerva-me e só me acalma quando penso na fonte revolucionária de Duchamp, um urinol, um mictório de porcelana que o próprio comprou barato para remodelar como peça de arte. Isto foi em 1917, mas todos os mictórios me…

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Crónica de Alexandre Honrado – Herberto (porque sim)

  Crónica de Alexandre Honrado Herberto (porque sim)   Herberto Helder, leitura de sempre, leitura de verão. A matriz insular de Herberto Helder define-lhe o tempo. Porção de homem rodeado de mitemas por todos os lados, construindo sempre, mais ou menos por opção o (seu) mito resistente. Como uma ilha e a água que a rodeia ou um poema (ilhado) no sentir. Tudo o que somos, reflete-se não só na nossa relação com o tempo mas também com o espaço, e com os outros. Quando as palavras chegam ao pensamento…

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Crónica de Alexandre Honrado – Peão faz cheque aos reis

  Crónica de Alexandre Honrado Peão faz cheque aos reis   Os deputados vão de férias. Oiço atentamente o Estado da Nação, a sua última reflexão sazonal. O Governo não é dos melhores; a oposição é das piores que temos tido. Vejo com muita atenção o que se vai dizendo e gesticulando na Assembleia da República, afinal aquela é a nossa casa maior, a casa da Democracia, enquanto durar e lá tivermos quem nos represente, bem ou mal, a bem ou a mal, é um sintoma muito positivo. Enquanto isso…

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