Crónica de Alexandre Honrado – A paz que me falta

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Crónica de Alexandre Honrado – A paz que me falta

 

Não me apetece escrever. Não me apetece dizer nada.

Vejo pela nesga de um olho aquele Trump europeu de cabeleira solta que acaba de ser formalizado como o novo primeiro-ministro inglês. Vejo imagens da criatura. Um comentador das imagens refere que é um sujeitinho que nem a brincar gosta de perder: e vê-se como, derrubando uma criança com brutalidade num jogo aparentemente inofensivo. Falo obviamente do líder do partido Conservador inglês, Boris Johnson já indigitado primeiro-ministro britânico pela Rainha Isabel II, na sequência da demissão formal de Theresa May (devido à dificuldade em implementar o ‘Brexit’, essa alarvidade que lançou os britânicos numa crise de consequências imprevisíveis). Após se saber os resultados da eleição, um vídeo foi projetado no Palácio de Buckingham e advertia Isabel II: “sua Majestade, Boris Johnson é um mentiroso”.

Por associação de ideias, lembro-me de alguns cartazes da última campanha eleitoral portuguesa que teimam em manter-se em locais da cidade, como bandeiras de ideias azedas ao vento. Num pede-se a saída do euro. Noutro fala-se inexplicavelmente em português do Brasil, com alegações graves e falsas, noutro, umas criaturas dizem que vão gastar bem o dinheiro da Europa, coisa que aliás sempre fizeram, noutros… nem interessa o que dizem.

Por falar em boçalidade, leio na imprensa, uma vez mais, que Donald Trump pode ser nomeado para o prémio Nobel da paz e recordo a conversa que o mesmo Trump teve com a ativista yazidi Nadia Murad e de como, a meio da conversa o presidente americano descobriu quem ela era e com grande espanto lhe perguntou: e deram-lhe o Nobel porquê? Parece que Marcelo Rebelo de Sousa convidou este presidente a vir a Portugal, mas ele hesita porque não descobriu no mapa da Ásia onde fica esse reino distante.

Depois, fixo o olhar nos incêndios na zona de Castelo Branco, obviamente fogo posto – vê-se pela imagens, focos de incêndio simultâneos ateados à mesma hora, extensões simétricas e bem delimitadas a arder ao mesmo tempo, provas recolhidas pela Polícia confirmando o ato criminoso… Afinal, o costume quando um governo está no bom caminho e certa oposição quer tirar-lhe os louros, em especial nas vésperas de desafios eleitorais, que é quando as falsas informações se reproduzem como bactérias loucas, veja-se o exemplo da foto montada de uma idosa estendida no chão de um hospital que afinal não tinha aquele cenário, nem aquela deficiência, nem aquela idosa.

As agências de comunicação e os responsáveis pela comunicação política já começaram a trabalhar nas “notícias” que irão surgir na sua maior força daqui a mês e meio. Nessa altura é melhor desviar o olhar, o escutar e o sentir noutra direção, ou sofreremos de um contágio avassalador.

Não me apetece escrever. Só porque tenho este compromisso (moral) é que o faço, talvez porque na escrita tenha sempre descoberto a paz que me falta tantas vezes. Aos meus cinco sentidos chegam agressões variadas. Cheira a queimado. E o sabor amargo que fica na boca não passa com lavagens. Oiço coisas assustadoras. Tateio e não reconheço o caminho. Serão lágrimas o que salta dos meus olhos?

 

Alexandre Honrado

 


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