Crónica de Alexandre Honrado – Ódio

  Crónica de Alexandre Honrado Ódio   Má educação conduz ao beco escuro, fétido, pobre, da má cidadania. É aí que entre ecos e murmúrios se ouve normalmente o discurso do ódio com mais acutilância, mas de lá emana para todos os lugarejos, aldeias, vilas e cidades, como se de uma pandemia mortal e vergonhosa se tratasse. Eu disse que voltava, e volto, a ocupar-me com o tema o discurso do ódio, e já depois de ter iniciado a minha reflexão vejo-me rodeado, sem espanto, de múltiplas notícias com origem…

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Crónica de Alexandre Honrado – Em torno do discurso do ódio

  Crónica de Alexandre Honrado Em torno do discurso do ódio   Minorias políticas são por vezes tentadas a usar o discurso do ódio como solução parcelar e parcial dos seus dissabores e frustrações. É o que notamos, em crescendo, nas redes sociais, nalguns pontos rotineiros de encontro, em palcos que insultam as plateias e as desdenham. Em democracia os que hoje governam amanhã serão governados, a alternância permite a respiração do sistema e a passagem pelo crivo de muitas tentações não democráticas, como as de tornar o poder totalitário…

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Crónica de Alexandre Honrado – Nos tempos em que usávamos máscara

  Crónica de Alexandre Honrado Nos tempos em que usávamos máscara   Escrevi este texto andávamos todos de máscara e essa realidade sublime e violenta parece-me agora distante, mesmo que de quando em vê a tenha de colocar no rosto para esta ou aquela função. Decido revisitar o texto – e esses longos meses de tensão e violência. Cito-me, apenas em parte, mas creio que perceberão porque o faço mesmo assim.    O texto completo foi publicado no livro PERSONNA PANDÉMICA Investigação sobre a noção de identidade no pós Covid-19. A…

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Crónica de Alexandre Honrado – Encontros nunca casuais

  Crónica de Alexandre Honrado Encontros nunca casuais Numa extraordinária e inesperada livraria de Aix-en-Provence, onde me perdi algumas horas, entre escolha de livros, leituras de resumos, consumo de limonadas com mel e uma paz de consumir digna de justos e atormentados, descubro uma não menos excecional e improvável autobiografia de Edgar Morin, em destaque num dos setores do estabelecimento, permitindo que aos nossos olhos chegue a força do olhar de Morin que, na capa, parece irradiar malícia e sabedoria. A edição é de 2022, o que dá ao prato…

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Crónica de Alexandre Honrado – A nova idade da polémica

  Crónica de Alexandre Honrado A nova idade da polémica A memória autoriza a narrar uma história sobre o mundo em que nós vivemos.  Cada um de nós, os portadores de memórias. A memória é uma narrativa sobre o mundo. Sobretudo, a memória é a narrativa de cada um de nós. São ecos, estas frases, que me perseguem enquanto atravesso mais uma vez um punhado da Europa, mal cuidada, muito ferida, com garrotes de sol que lhe secam as terras, os corações e o discernimento, onde se põe um ponto…

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Crónica de Alexandre Honrado – O tempo dos carrascos

  Crónica de Alexandre Honrado O tempo dos carrascos O tresloucado balancé da História reserva-nos sempre curvas descendentes impostas pela mediocridade e pelo extremismo. Chegam disfarçadas, essas curvas, essas quebras, de fantasias, umas vezes políticas, outras religiosas, não se sabendo onde começam umas e outras, mas adivinhando-se a onde irão parar, a que fim se destinam: ao derramamento de sangue, ao torniquete imposto à inteligência, à censura, à repressão, ao retrocesso. Foi assim que se ergueram e esmagaram civilizações, incapazes de fazerem leituras da sua própria escrita de vida. Encontramos…

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Crónica de Alexandre Honrado – À procura do nada

  Crónica de Alexandre Honrado À procura do nada Sempre considerei ínsita na minha pessoa não só a ideia de liberdade como a satisfação da procura do vazio. A primeira será talvez a única jornada e, ao mesmo tempo, a via única, para o conhecimento. A segunda, a muito difícil geração da possibilidade do autoconhecimento: estádio de equilíbrio que só é possível quando não sabemos o que somos. Nada, vazio e infinito sempre preocuparam o homem mais sensato. Se pudéssemos sair deste pequeno e pouco interessante planeta, recuando quilómetros capazes…

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Crónica de Alexandre Honrado – Tenho uns polegares enormes

  Crónica de Alexandre Honrado Tenho uns polegares enormes Na ausência de equipamentos eletrónicos e mesmo de canais televisivos abundantes como bactérias desafiantes do sistema imunológico, recordo uma vez mais como a minha infância foi recheada de leituras e de aventuras ao ar livre, de conversas infinitas e de um imaginário estimulado pela capacidade de criar num mundo abstrato novos mundos para o mundo que, pensando bem, se tivessem resultado, seriam hoje equivalentes a um outro mundo, melhor e muito mais divertido. Aventurei-me, desde muito cedo, com Corto Maltese, Sandokan…

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Crónica de Alexandre Honrado – Em bica de prosa

  Crónica de Alexandre Honrado Em bica de prosa Houve um momento neste verão em que, isolado de todos os contextos, vivi trinta e alguns segundos de uma paz indescritível, um silêncio casto, uma temperatura amena, nenhum sobressalto diante dos olhos, a ausência total de cheiros incómodos, uma superfície que ao tato me trouxe uma memória de infância numa época em que a ausência da compreensão do mundo era apenas a graça de nada compreender – ou querer. Perto de uma das casas onde vivi na minha infância, num desafogado…

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Crónica de Alexandre Honrado – Sem guerra nem guerreiros

  Crónica de Alexandre Honrado Sem guerra nem guerreiros   Houve um momento neste verão em que, isolado de todos os contextos, vivi trinta e alguns segundos de uma paz indescritível, um silêncio casto, uma temperatura amena, nenhum sobressalto diante dos olhos, a ausência total de cheiros incómodos, uma superfície que ao tato me trouxe uma memória de infância numa época em que a ausência da compreensão do mundo era apenas a graça de nada compreender – ou querer. Durante esses segundos de um bendito alheamento, senti-me longe de qualquer…

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