Crónica de Alexandre Honrado | Não há para onde fugir

Em sentido lato somos todos refugiados. Ou pelo menos os nossos antepassados o eram, deixando-nos a herança como um destino a cumprir sempre. Fugidos de ataques climatéricos, da fome e do desconforto, todos os seres vivos tendem a procurar melhor abrigo e local onde ficar. Mas raramente se permanece – e o para sempre é, regra geral, uma etapa do provisório. Com as tecnologias produziram-se muitos atalhos, chega-se mais depressa, sabe-se com maior rapidez, embora se chegue muitas vezes atrasado ao que realmente queremos ou devíamos querer e a pressa…

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Crónica de Alexandre Honrado | Elogio do pensamento

Elogio Do Pensamento Alexandre Honrado Historiador   Emanuel Kant, filósofo alemão, cruzava a sua vida, iniciada em 1924, com a nossa, reles mortais que estudávamos no secundário no fim do século passado. Deixava-nos entre dúvidas profundas e uma angústia existencial, que só podia passar mais tarde ou com a leitura de Sartre e Foucault ou com o abandono puro e simples dessas inquietações juvenis, embora intelectuais. Várias coisas ficavam-nos, no entanto, cosidas na pele como uma tatuagem, depois de ouvir falar de Kant. Se uma delas era a frase firme…

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Crónica de Alexandre Honrado | Pensar fora da caixa

PENSAR FORA DA CAIXA   Um colega e amigo pergunta-me porque fui a Paris ver e ouvir os coletes amarelos e se não houve nisso uma certa soberba, um desafiar da sorte, um tirar apontamentos para aplicá-los mais tarde numa experiência que surja mais perto de mim. Depois de pensar um bocado – muito rápido, por sinal – disse-lhe que esta aparente curiosidade se resumia numa resposta breve: fui lá porque eles estavam lá. Quando Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da  psicologia analítica propôs e desenvolveu os…

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Crónica de Alexandre Honrado | A ação (e o desequilíbrio de alguns movimentos)

A AÇÃO (e o desequilíbrio de alguns movimentos)     A ação devia ser uma coisa benéfica. Devia ser o conceito orientador da mudança humana em cada sociedade em que se organiza – e devia mostrar quão dinâmico pode ser o Humano quando age, isto é, quando em ação. O aspeto social de todos os processos que nos movem devia ser uma prioridade dessa ação. Somos o que agimos, é certo, mas nada seremos se ao mesmo agir não soubermos juntar instrumentos e atos do pensar e do sentir. A…

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Crónica de Alexandre Honrado | A morte em congresso

A morte em congresso Prepara-se –  e eu serei um dos “cúmplices” –  a realização do I Congresso Internacional: a morte – leitura da condição humana, aprazado para o período mediado entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2019 (e com encontro físico no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães). O tema impõe estremecimentos e para muitos algum distanciamento, porque mais vale ignorar do que encarar, pensam alguns. Serão mais de 100 comunicações, onze áreas temáticas, contar-se-á na oportunidade a presença de representantes de vários pontos do mundo.…

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Crónica de Alexandre Honrado | O cidadão presidente e o necrófilo

O cidadão presidente e o necrófilo A entrevista feita por um não jornalista a um não sujeito, o primeiro à procura de audiências e o outro felicíssimo pela atenção que lhe foi dispensada, trouxe alguns comentários para a praça pública. A confusão do entrevistado que não sabe nada sobre história, que confunde o passado e deseja para todos o que todos em seu juízo rejeitaram, só teve rival com a convicção do não jornalista, sorridente, pensando estar a fazer um serviço enorme, talvez até público, retirando arsénico e rendas velhas…

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Crónica de Alexandre Honrado | Entre coletes amarelos – os genuínos, que por acaso são verdes

ENTRE COLETES AMARELOS – os genuínos, que por acaso são verdes   Andar pelas ruas de Paris e conversar com os parisienses, sobre os parisienses, sobre os portugueses, sobre os europeus, sobre ninguém. Nunca há, claramente, um discurso comum, pois os povos não são comuns nem se vergam ao peso do discurso comum, mas têm coisas comuns nos seus universos mais ou menos sofisticados, lá isso têm. Conversei, todavia, com o incomum, posso asseverar. Pierre é professor de Filosofia e oferece-me um livro de Beatriz Sarlo, Sete Ensaios sobre Walter…

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Crónica de Alexandre Honrado | Noite de Natal para lá da idolatria

  Em noite de Natal falo sobre religião com pessoas de muito diferentes convicções e mais uma vez me espanto com o domínio dos textos religiosos exibido por um dos ateus presentes. É aliás um hábito dos ateus participar com o maior dos entusiasmos na festa do Natal, sabendo tratar-se da evocação simbólica da data convencionada para o nascimento de Jesus. Celebram e sublinham que datas como esta, em que um dos mestres da Humanidade se celebra com vigor e universalidade, deviam ser repetidas e promovidas ao longo do ano,…

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Crónica de Alexandre Honrado | O Digital Próximo da Religião (a época do Deus mercadoria)

O DIGITAL PRÓXIMO DA RELIGIÃO (a época do Deus mercadoria)   Discutíamos há poucos dias, em ambiente académico, a relação entre conectividade tecnológica e conexão cultural, estabelecendo-se então a dúvida: afinal a que estamos ligados? Sem entrar nos domínios da reflexão, sempre motivadora de acalorados argumentos, do que será, afinal, em especial nos nossos dias, uma estrutura de crença e, nessa, que lugar ocupa o religioso no homem contemporâneo, demos com um exemplo que se nos afigura motivador, estimulante e a um mesmo tempo ligado ao tema que nos é…

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Crónica de Alexandre Honrado – Nos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A maior aniquilação pode ser desencadeada numa grande cultura – é o que justifica a queda de grandes edificações culturais de outrora, persas, gregos, romanos, outros que se reduziram a uma insignificância do que tinham sido, pelo simples erro de se autodestruírem. Pensei nisto à saída do Museu do Oriente onde participei, com alegria, numa festa muito especial: a evocação do dia 10 de Dezembro, Dia dos Direitos Humanos, sessão comemorativa do 70º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Reuniu este acontecimento um punhado de gente boa, com princípios…

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