Crónica de Jorge C Ferreira Eles Comem Tudo” (Roubado ao ZECA) Gostos esquecidos, gostos perdidos. As antigas cozinhas e as velhas frigideiras. Os molhos espessos que eram montra das tabernas antigas. Não havia ASAE, os polícias iam comer uma sande de iscas e um copo de três ao balcão da tasca. Todos os dias passava por aquele sítio para apanhar, primeiro o autocarro nº 7 para Alvalade, para a Eugénio dos Santos, depois o carro operário até à baixa, para subir depois até à Veiga Beirão. A partir de…
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Crónica de Jorge C Ferreira | Os Sacramentos
Crónica de Jorge C Ferreira Os Sacramentos Uma ilusão. Uma estranha teimosia. A diferença entre o que vinga e não vinga. Foram dias, meses, anos. A vontade imensa que ele tinha de lhe dizer tudo e o mais que fosse. Trocavam olhares cúmplices, ou seria ele que assim os via? A verdade é que esses olhares lhe alimentavam sonhos. Assim se foram vendo e cruzando, assim foram crescendo vontades, euforias e desgostos. Faltava-lhe a coragem para lhe dizer o que já tinha estudado e escrito em folhas de sebenta…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | As estórias da madrugada
Crónica de Jorge C Ferreira As estórias da madrugada Chegar sem partir. Ignorar o caminho percorrido. Noites e Dias ou apenas o instante. Um corpo único. A virgem ansiada embrulhada num lençol branco. Uma renda a bordejar o branco e um monograma indecifrável bordado. Era tempo de os dias irem crescendo, no entanto, aquela noite tinha sido demorada. A vida a sangrar. Um par único que se encontrara e se demorara um no outro. Apenas costumavam ser alvoroço matinal. Sempre uma manhã e sempre diferente. Olhavam-se e sorriam. Um…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | Um sapato especial
Crónica de Jorge C Ferreira Um sapato especial Um sapato esquecido. Um sapato castanho. Um sapato do pé esquerdo. Um sapato caro e bem conservado. Onde estará o pé deste sapato? Por que foi abandonado? É só um sapato perdido, mas não deixa de ser esquisito, inquietante. – Foi alguém que quis entrar no ano com o pé direito e devido à impulsividade do salto deixou para trás o sapato do pé esquerdo, sentença ditada por um dos rapazes do grupo. O rapaz que costumava dar mais opiniões, e…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | Uma estranha ausência
Crónica de Jorge C Ferreira Uma estranha ausência Quando a tristeza não é fado. Quando o fado é um fado que, no entanto, mexe connosco. Um poema que sabe a saudade e procura o futuro. Tudo sem xailes, sem vestidos pretos e sem vinho. As guitarras e as violas caladas. Um estranho silêncio e um sentimento que causa agudas dores em todo o corpo. A incompreensão do acontecido. Uma cama estranha. Uma luz que custa a apagar. Acordar de luz ainda acesa. A noite mal dormida, a noite cansada.…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | A Busca
Crónica de Jorge C Ferreira A Busca Intempestiva a corrente do rio que te levou para o mar alto. Os olhos muito abertos, olhos de ver a vida, olhos salgados de salvar o tempo. Uma mulher intensa. Tempo aberto, tempo alargado, tempo alagado. Um homem a correr para o cais. Um porto de chegadas e partidas, algumas vezes de não chegar e de não partir. Um porto de incógnitas. Abraços e beijos esquecidos nas pedras de uma gare ensombrada pelas partidas para a guerra e da chegada dos caixões…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | Encontros e Desencontros
Crónica de Jorge C Ferreira Encontros e Desencontros Chamava-lhe manhã porque era o seu corpo a primeira coisa que via quando acordava. Era como uma visão. Algo que não sabia explicar. Era naquele corpo adormecido e em profundo descanso, que lavava os olhos. Parecia que tinha um sorriso de deleite. Seriam recordações da festa da noite, que os tinha embriagado de loucura? Seria desejo de acordar para matar desejos? O mais provável era ser só um esgar da felicidade que lhe corria no corpo. Veias de um sangue especial.…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | Mudanças
Crónica de Jorge C Ferreira Mudanças O desgaste, o desbaste, o engate. A vida solta dos tempos em que nos sentíamos imortais. A rebeldia, as atitudes provocatórias, a provocação feita amor. O amor que nascia e muitas vezes morria no próprio dia. Momentos únicos, momentos vibrantes, o impensável que acontecia. Casas desconhecidas, camas de uma só noite. Noites imensas e inesquecíveis. Manhãs de camas desfeitas, lençóis enrodilhados, os despojos da noite numa bênção rasgada. Garrafas, copos e velas. Os incensos, os cheiros intensos. Os cinzeiros e as beatas, a…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | As ilhas e os sonhos
Crónica de Jorge C Ferreira As ilhas e os sonhos Ninguém sabe a quantos picos subiu. Sempre na busca do que sabia que nunca ia encontrar. Na busca do inatingível. Passou pesadelos e jura que viu coisas de nunca ver. Coisas encantadas e de encantar. Ainda hoje não consegue descrever tudo o que viu de uma forma sucinta. É através de estórias com seres desconhecidos que faz desesperar os que esperam a realidade. Há coisas que nos ultrapassam e ultrapassam a própria verdade. Serão sonhos? Serão visões? Será a…
Ler maisCrónica de Jorge C Ferreira | Os mundos
Crónica de Jorge C Ferreira Os mundos Quando há um mundo que chega. Um mundo que pode ser uma mulher. Quando a mulher é inteira e vertical. Quando a vida parece nunca chegar. Quando a terra parece parar. Os minutos que passamos à espera do futuro. O futuro sem fim. Uma baleia que navega connosco. Um peixe voador. As escamas do amor. Amor feito e cantado. Amor desarmado. A vida desorbitada. A órbita desconhecida. A atracção da lua. Um amor que se quer colar a nós. Uma vida, a…
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