Crónica de Alice Vieira | Desconhecido nesta morada

Desconhecido nesta morada Alice Vieira   Tenho a sorte de morar num bairro de gente. Quer dizer : num bairro de prédios normais e não de torres gigantescas, num bairro onde as pessoas ainda se conhecem e ainda vivem, não se limitando a sair de manhã cedo e a voltar ao fim do dia. No meu bairro—apesar de já muita loja ter fechado ou mudado de ramo…– ainda existem vizinhos. Muitas vezes as mais velhas estão à janela, e ali ficamos a conversar. (Há dias, eu a passar debaixo da…

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Crónica de Alice Vieira | A propósito de orquídeas…

A propósito de orquídeas… Alice Vieira   Com tanta gritaria que vai por aí—estava ou não estava nas “Raríssimas”, roubaram ou não roubaram, pagaram ao fisco ou baldaram-se (agora até o Cristiano Ronaldo entrou na dança) ,a IURD que faz e acontece , e os furacões Ana e Bruno a atacarem sem piedade —eu hoje decidi fechar para férias. Isto é: decidi impermeabilizar ouvidos e olhos a todo o arraial que vai lá por fora, e ficar a olhar para as minhas orquídeas. Qual Nero Wolf de S.Sebastião da Pedreira.…

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Crónica de Alice Vieira | Ídolos…

Ídolos… Alice Vieira   Na semana passada, em Paris, deram-se os primeiros (e parece que  sólidos) passos para a criação do Instituto da Lusofonia. Com o patrocínio dos presidentes da República de França e de Portugal, da CPLP, da Unesco, da OIF (Organization Internationale de la Francophonie), e do GAFF (Groupe des Ambassadeurs Francophones de France). Três dias de conferências, e debates, com a participação de diversos ministros, deputados, escritores, músicos, artistas dos países de língua oficial portuguesa. Bom. Esta é a parte séria da crónica. Agora vem a parte……

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Crónica de Alice Vieira | As nossas pátrias

As nossas pátrias Alice Vieira   Para a semana tenho de ir apanhar um avião para Paris. Claro que, a esta hora, ao tempo que a mala já está feita. Pequena, que eu sempre aprendi a viajar só com o essencial. E, se bem me conheço, para aí quatro horas antes do voo já eu hei-de estar no aeroporto. Por razões de saúde, neste último ano não tenho viajado muito. Mas até há pouco tempo quando, por exemplo, um miúdo numa escola me perguntava “onde é que mora?”–eu ria e…

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Crónica de Alice Vieira | Ele há cada palavra…

Ele há cada palavra… Alice Vieira   Se depender de mim, os correios nunca irão à falência e hão-de ter sempre vida longa e próspera. Não há-de haver muita gente, concordo, que, nestes tempos websummíticos  escrevam cartas e postais todos os dias. Mas MESMO todos os dias. E muitos. Ainda não há muito tempo, Novembro era o mês em que eu inundava as duas estações de que “gasto” em Lisboa, com cartas e encomendas para amigos que viviam em terras  para  lá do sol posto. Das primeiras vezes, o funcionário…

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Crónica de Alice Vieira | Dia de finados

 Dia de finados Alice Vieira   As tias que me criaram tinham todas o culto exacerbado da morte. Não ligavam muito aos vivos—mas ninguém lhes levava a palma no choro pelos mortos. Podiam estar anos sem ver uma pessoa mas, no dia do seu enterro, não largavam o caixão até ele descer à terra, sendo sempre muito acarinhadas pelos presentes que, diante do seu choro convulsivo, as tomavam por familiares muito próximas do defunto quando, na maior parte das vezes, não passavam de simples conhecimentos das termas de Caldelas. Uma…

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Alice Vieira presidente da Assembleia de freguesia das Avenidas Novas

A escritora e colaboradora do Jornal de Mafra, Alice Vieira, do alto dos seus 74 anos de muitas experiências feitos, anos vividos no centro de tudo aquilo que acontecia no país, mais que não fosse, e muito mais havia, por se ter dedicado ao jornalismo em vários órgãos de comunicação social de alcance nacional, a mesma Alice Vieira que em 2013 se candidatou às presidência da Assembleia Municipal de Mafra, acabou ontem de ser eleita presidente da Assembleia de freguesia das Avenidas Novas em Lisboa, seu local de residência. Alice…

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Crónica de Alice Vieira | O cheiro a fumo

O cheiro a fumo Alice Vieira   Hoje—e até daqui a muito tempo—todas as ruas cheiram a fumo. Hoje—e até daqui a muito tempo—todas as palavras cheiram a  fumo. Hoje—e até daqui a muito tempo – tudo cheira a fumo. De repente, o mesmo cheiro que entrava pela minha casa, no princípio daquele mês de Setembro de 1966. Eu tinha pouco mais de 20 anos, e nessa altura vivia em Rio de Mouro, uma pequena aldeia perto de Sintra. E sempre que chegava o verão, chegavam os incêndios. Quer dizer…

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Crónica de Alice Vieira | A propósito de eleições

A propósito de eleições Alice Vieira   A primeira vez que o meu filho votou foi para umas eleições autárquicas, já lá vão quase 30 anos. Mas lembro-me sempre disso. Ele tinha então um amigo—amigo desde os bancos da escola. Eram inseparáveis aqueles dois. Gostavam das mesmas bandas desenhadas, eram sócios do mesmo clube de futebol, disputavam partidas de xadrez todos os sábados à noite, eram fanáticos dos Sétima Legião, iam às mesmas discotecas, estavam no mesmo curso da faculdade, trocavam CD’s, selos, vídeos, livros e confidências e lembro-me que…

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Crónica de Alice Vieira | Recordando António Reis

Recordando António Reis Alice Vieira   Para muitos, o nome de António Reis dirá muito pouco. Haverá quem pense tratar-se de um dos fundadores do PS –mas não, não é esse. Outros, mais bem informados, falarão talvez do cineasta, realizador de  filmes como “Jaime”,“Trás os Montes”, “Ana”,  e outros. E sim, aí acertaram. Mas aquilo que eu hoje gostaria aqui de recordar não é essa sua faceta—mas outra, e essa sim, quase completamente ignorada : António Reis foi um grande poeta português. Sempre poeta em tudo o que fazia, ou…

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