Saúde | 40 mil portugueses sofrem de afasia

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40 mil portugueses sofrem de afasia
Por Paula Valente, Diretora do Instituto Português da Afasia

 

São mais de 40 mil os portugueses com afasia devido a uma lesão no hemisfério dominante do cérebro, nas áreas da linguagem. A afasia impossibilita a execução de tarefas comunicativas que anteriormente não exigiam grande esforço, como evocar a palavra certa, construir frases, usar gestos, compreender os outros, ler e escrever. Sem afetar a inteligência, a afasia é uma condição crónica que causa isolamento social, depressão, diminuição da participação social e reduzida qualidade de vida.

Ao ser divulgado que Bruce Willis sofria de afasia, ficamos a saber da existência desta doença. Da pior maneira possível, o actor contribuiu para a divulgação da afasia. Todos assumimos como adquirida a possibilidade de nos conectarmos uns com outros. Nascemos para isso, predispostos a comunicar.  O Instituto Português da Afasia (IPA), a única ONG em Portugal que disponibiliza apoio, informação e reabilitação especializada na afasia, tem desenvolvido terapias inovadoras e projetos pioneiros em Portugal nos últimos seis anos, numa tentativa de diminuir o impacto social e psicológico que a afasia pode ter tanto na vida da pessoa como dos seus familiares.

Contudo, o IPA necessita de apoios para prosseguir com a sua missão e há um gesto muito simples que pode fazer toda a diferença: consignar o IRS ao IPA. A custo zero todos podem fazer a diferença na vida dos mais de 40 mil portugueses que sofrem desta doença. São mais de 5.000 as entidades às quais podemos “doar” 0,5% do IRS, mas apenas uma se dedica exclusivamente à inclusão social das pessoas com afasia – o IPA. Já imaginou como seria se perdesse a fala? Se quisesse dizer o que pensa, mas ninguém o entendesse?

30% dos sobreviventes de AVC ficam com afasia. Conversar é uma necessidade tão básica quanto comer, dormir ou amar. Diz-se que a afasia afeta a capacidade da pessoa conversar e por isso afeta a capacidade de ela se conectar com o mundo. Isto não é totalmente verdade. Esta afirmação advém da mentalidade paternalista da nossa sociedade que ainda influencia as diferentes visões (científicas, clínicas e sociais…) face às pessoas com deficiência — o problema é delas, elas têm dificuldades, nós temos de cuidar delas. A deficiência sobrepõe-se à pessoa. A ignorância promove a não-autonomia e a não-participação. E se pensarmos que a capacidade está lá, mas apresenta-se de forma diferente?

O IPA pretende ser uma fonte de informação e apoio presencial ou à distância, disponibilizando fichas, manuais e guias no seu site, bem como apresenta uma vasta oferta de terapias para as várias fases do processo de reabilitação. Na afasia, as terapias deverão ir ao encontro das necessidades de cada pessoa, potenciar a funcionalidade comunicativa e envolver os familiares e cuidadores de forma ativa, para que todos aprendam a comunicar e a lidar melhor com a condição, no sentido de uma vida plena apesar da afasia.

O IPA oferece uma ampla gama de respostas terapêuticas inovadoras que permitem minimizar o impacto psicossocial da afasia, trazendo a pessoa com afasia para o centro da tomada de decisões e envolvendo-a na construção das soluções para a sua vida com afasia. No acesso a este serviço de acompanhamento e reabilitação altamente personalizados e especializados, o IPA não quer deixar ninguém de fora.  Pretende-se que as respostas terapêuticas do IPA sejam acessíveis a todas as pessoas com afasia, independentemente das suas possibilidades financeiras. Para tal, o IPA atribui bolsas, ajustadas às possibilidades económicas de cada beneficiário. Apenas 20% das pessoas com afasia que beneficiam das terapias do IPA pagam o valor tabelado, sendo que as restantes beneficiam de bolsas. Os resultados da CONSIGNAÇÃO DO IRS garantem existência destas bolsas, e de tantos outros recursos e ações gratuitas.

Somos um projeto que realmente faz a diferença, que atua numa área que mais ninguém atua, que faz o trabalho que mais nenhuma organização faz.

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