Crónica de Alice Vieira | A morte de um amigo

Alice Vieira

A morte de um amigo Por Alice Vieira   Têm sido uns tempos complicados, com a morte de alguns amigos. E nunca se está à espera de que os nossos amigos nos deixem. Para nós, os nossos amigos são eternos. E um desses amigos era alguém que toda a gente conhecia: Jorge Nuno Pinto da Costa. Sabia que ele estava muito doente, que já andava e falava com dificuldade—mas nunca estamos preparados para a morte dos nossos amigos. (Também me irrita quando as pessoas me dizem, como justificação, “ah, mas…

Ler mais

Apresentação do livro “Viagem Às Memórias De Portugal” de Alice Vieira e Nelson Mateus

Alice Vieira apresentação Livro

Apresentação do livro “Viagem Às Memórias De Portugal” de Alice Vieira e Nelson Mateus   A Casa da Cultura da Ericeira recebe no próximo sábado a apresentação de mais um livro de Alice Vieira, desta feita, em parceria com Nelson Marques. Sobre o livro “(…) estas crónicas vestidas de carta têm o dom da simplicidade. Quer dizer que também têm o dom da sabedoria. Sem mascararem os temas de uma complexa parafernália que tantas vezes serve para esconder a essência das coisas, Alice Vieira e Nélson Mateus espantam-se em conjunto,…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Falando de livros

Alice Vieira

Falando de livros Por Alice Vieira   Dizem-me que no Iraque os donos das livrarias não guardam os livros quando fecham as lojas — e ninguém rouba nada. Isto pode significar uma coisa muito má ou uma coisa muito boa. Comecemos pela má: as pessoas detestam ler, nunca lêem nada e por isso não vão encher a casa de tralha que não lhes serve para nada — e os donos das livrarias  não têm de se preocupar. Se for uma coisa boa: as pessoas adoram livros e por isso são…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Lá vêm os mascarados

Alice Vieira

Lá vêm os mascarados Por Alice Vieira   E pronto, daqui a dias lá vem mais um carnaval. Claro que há quem ande mascarado o ano inteiro, Trump, por exemplo, anda para aí mascarado de presidente dos EUA quando toda a gente sabe que ele é apenas um palhaço — muito bem pago. Mas adiante. Todos os que me conhecem sabem que eu detesto o carnaval. E isto vem desde muito criança. Ou seja: nunca me lembro de ter gostado do Carnaval. Eu explico. As tias que me criavam– que…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Macau agora e dantes

Alice Vieira

Macau agora e dantes Por Alice Vieira   Leio, na revista “Além Mar” deste mês de Janeiro, um grande artigo sobre Macau. O título diz logo (quase) tudo: “Fé e prosperidade no Império do Meio”. E as imagens atestam a veracidade do título: grandes edifícios, grandes avenidas, pessoas bem vestidas, etc…. Estive em Macau há 25 anos, na transição de Macau de Portugal para a China, para escrever uma série de livros infantis com várias lendas e histórias desse território. Mas olho para estas fotografias—e como tudo mudou nestes anos!…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | A vila de Constância

Alice Vieira

A vila de Constância Por Alice Vieira   Há terras que ficam para sempre no nosso coração. Não falo, evidentemente, da Ericeira, pois toda a gente sabe que lhe chamo “a minha pátria”. Mas, para lá desta, existem outras onde eu até vou raramente mas que, sabe-se lá por quê, ficam cá dentro. Falo, por exemplo, de Constância. Estive lá há dias e foi uma alegria. Como se encontrasse um grande amigo que não via há muito e de quem tinha muitas saudades. Desta vez fui a uma escola (Escola…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Mar salgado

Alice Vieira

Mar salgado Por Alice Vieira   Estava eu muito sossegada, aqui há dias, na esplanada da praia do Sul na Ericeira, quando começo a ouvir um homem a recitar: “Ó mar salgado Quanto do teu sal São lágrimas de Portugal…”. Conheço-o bem. Trabalha num restaurante aqui perto, mas à hora do almoço, está sempre aqui na esplanada na conversa com uns amigos. Estranhei ouvi-lo recitar Fernando Pessoa, mas ele continuava: “Realmente, diante deste mar é só o que apetece dizer… E repete: “ Ó mar salgado ! Quanto do teu…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Dias de tudo

Alice Vieira

Dias de tudo Por Alice Vieira   Todos os meus amigos sabem que o melhor que me podem dar é uma festa. Festejo tudo, absolutamente tudo. E tenho uma agenda onde todos os dias são dias de alguém ou de alguma coisa. Passo por cima daqueles dias que toda a gente conhece e festeja (Dia de Camões, Dia de Santo António, Dia de Todos os Santos, 1.º de Dezembro, etc.). Passo também por cima daqueles mais insípidos (Dia dos Vegetais Frescos, Dia dos Seguros, etc.), para ficar com aqueles que,…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Desaparecidos

Alice Vieira

Desaparecidos Por Alice Vieira   Não sei o que me está a acontecer mas, de repente, há amigos meus que desaparecem. Telefono—não atendem; deixo mensagem—não respondem. Pura e simplesmente, desaparecem. E sem deixarem rasto. O primeiro foi o jornalista Paulo Correia da Fonseca, que era mesmo muito, muito nosso amigo, houve alturas em que até viveu em nossa casa. Era crítico de televisão na mesma altura em que o meu marido também era — mas cada um para o seu jornal: o meu marido para o “Diário de Lisboa”, e…

Ler mais

Crónica de Alice Vieira | Recordar quem merece

Alice Vieira

Recordar quem merece Por Alice Vieira   O escritor José Cardoso Pires viveu durante muitos anos na Ericeira. A casa (ao lado da casa onde eu nessa altura vivia) tem uma placa a lembrá-lo. Mas os anos deram cabo da placa, ou seja, as letras já não se veem. Há dias até me disseram que a placa tinha sido retirada — mas isso não posso confirmar e não quero acreditar. Lembro-me sempre de um dia, eram os meus filhos pequeninos, andávamos na praia e eles tentavam lançar um papagaio de…

Ler mais