OPINIÃO POLÍTICA | Matilde Batalha – O que são hortas urbanas comunitárias?

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O que são hortas urbanas comunitárias?

Na passada Assembleia Municipal de dia 29 de Novembro 2018 o PAN – Pessoas-Animais- Natureza apresentou uma moção para a criação de uma rede de Hortas Urbanas Comunitárias. Esta moção foi aprovada por unanimidade.

A agricultura sempre foi importante para as populações em todo o mundo e para quem não tem terra, é comum a existência de uma pequena horta no quintal de casa. No entanto, este conceito foi colocado de lado por muitos devido ao desenvolvimento dos centros urbanos e habitação vertical (em apartamentos), levando a que muitas famílias fossem impedidas de desenvolver esta prática.

O que se consegue obter em hortas urbanas (é esse conceito que torna esta ideia tão apelativa) são: alimentos com mais qualidade – biológicos, mais baratos, frescos e, não menos importante, contribui para a redução da nossa pegada de carbono, algo que se está a tornar cada vez mais essencial. Bom para a carteira e a saúde!

Quando estas hortas são comunitárias, isto é, talhões contíguos com partilha de pontos de água, compostores e espaços para guardar ferramentas, tornam-se espaços relacionais positivos e que estimulam as relações de vizinhança. Sabemos que muitas vezes não se criam ligações com os vizinhos. Quando existe uma horta comunitária e os vizinhos cultivam terrenos, isso é impossível. Para além de legumes, cultivam-se comunidades em torno de um interesse comum – a horticultura biológica.

Quando organizadas e criadas pelo município os talhões de terreno para horta atribuídos aos munícipes são cedidos a título gratuito, em terrenos municipais inseridos em parques ou zonas verdes. São lugares de convívio, lazer e aprendizagem para os seus utilizadores e para a comunidade local.

São espaços produtivos que contribuem para a economia social e auto-sustentabilidade familiar ou para a economia de subsistência entre os economicamente mais desfavorecidos. Servem ainda a promoção da saúde pública e dos indivíduos através da prática de exercício físico ao ar livre, ocupação dos tempos livres e da fonte de alimentação saudável que proporciona previstas pela Organização Mundial da Saúde.

Estas hortas potenciam uma maior consciência ambiental, pelo estímulo às práticas sustentáveis de reciclagem dos resíduos orgânicos (compostagem), o que se mostra compatível com as políticas ambientais assumidas pelo poder local do Concelho de Mafra. Estes espaços são pedagógicos por natureza, onde se aprende sobre agricultura, alimentação e sustentabilidade ambiental.

Inúmeros projetos de hortas urbanas têm sido desenvolvidos ao longo dos últimos anos, nomeadamente em Lisboa e nos Concelhos limítrofes da sua Área Metropolitana como Sintra, Torres Vedras entre outros, todos eles de características mais ou menos urbanas e/ou rurais. Em Mafra, tivemos conhecimento na Assembleia Municipal que já existiu uma Horta comunitária na Ericeira, organizada pela Junta de Freguesia, contudo desconhecemos se ainda se encontra em funcionamento e se há candidaturas aos talhões a decorrer. Existem outras hortas comunitárias, mas não municipais. Como o caso da horta comunitária da APERCIM.

Um projeto de implementação de hortas urbanas caracteriza-se pelos limitados investimentos envolvidos, uma vez que as infraestruturas necessárias apresentam custos reduzidos, representando ainda um grande potencial de retorno na vida económica das famílias.

As características do Concelho de Mafra sustentam inequivocamente o desenvolvimento e a implementação destas hortas, sendo evidentes os benefícios ambientais, económicos, para a saúde, individuais e sociais, analisados ao longo da moção apresentada.

Esperamos que vários espaços destes surjam em todas freguesias do Município, bem como em todas as escolas.

 

 

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