OPINIÃO POLÍTICA | Matilde Batalha (PAN) – A água não nasce na torneira

 

Opinião Política – Matilde Batalha (PAN)
A água não nasce na torneira

 

O Dia Mundial da Água é celebrado no dia 22 de março data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de fevereiro de 1993. Assinalar o dia tem como objetivo alertar a população mundial sobre a preservação deste bem vital e essencial para a vida de todos os seres e para o equilíbrio dos ecossistemas.

Além disso, destaca a necessidade tomarmos consciência sobre o cuidado e preservação desse recurso finito, que é explorado indiscriminadamente.

A Declaração Universal dos Direitos da Água é dividida em dez artigos. Destaco alguns:

Art.º 3º: Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados.

Art.º 4º: O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos.

Art.º 7º: A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada.

A superfície terrestre é formada aproximadamente de 70% de água. Grande parte dela é água salgada dos mares e oceanos (cerca de 97%), restando cerca de 3% de água doce (dos rios), onde apenas 0,01% é considerada apropriada para consumo.

Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.” (Thomas Fuller)

De acordo com a ONU, a cada 20 anos o consumo mundial de água duplica. Isso pode gerar uma enorme crise de abastecimento que atingirá cerca de 2,8 bilhões de pessoas a partir de 2025.

Um terço do consumo de água na Europa é da responsabilidade do setor agrícola. Em Portugal, a agricultura e pecuária representam 80% da água consumida.

Fazem-se campanhas para o uso eficiente de água, como fechar a torneira para lavar os dentes, reduzir a água do autoclismo, mas nunca ninguém fala do elefante que está dentro da sala“. (André Silva porta-voz PAN)

As alterações climáticas trazem um elemento adicional de incerteza no que respeita à disponibilidade de recursos hídricos pelo que uma utilização sustentável urge.

A agricultura e a pecuária influenciam, quer a quantidade, quer a qualidade da água.  A atividade agrícola é potencialmente poluidora porque o uso de pesticidas e fertilizantes químicos pode infiltrar no solo e atingir o lençol freático. As substâncias utilizadas na composição dos fertilizantes e pesticidas podem ser dissolvidas na chuva e gerar impactos ambientais significativos.

A intervenção política é essencial para incentivar o setor agrícola a adotar práticas de irrigação mais eficientes e menos impactantes do ponto de vista ambiental.

No passado, por exemplo, as políticas de preços da água nalguns países europeus não exigiam necessariamente que os agricultores fizessem uma utilização eficiente dos recursos hídricos.

É necessário criar apoios à produção agrícola de práticas mais impactantes para menos impactantes, como é o caso da agricultura biológica. A agricultura biológica em Portugal devia desenvolver-se muito mais, pelo seu efeito benéfico sobre o solo e ecossistemas, bem como para equilibrar a balança comercial e dar resposta a um mercado europeu cada vez mais ávido destes produtos.

Além disso, existe um potencial significativo de melhoria da qualidade da água em toda a Europa, mediante a diminuição do recurso a pesticidas e a modificação da rotação das culturas.

A utilização de águas residuais tratadas na agricultura, por exemplo, também possibilitaria a disponibilização de mais recursos de água doce para outras necessidades, inclusivamente para a natureza e os agregados familiares.

Uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos na agricultura é apenas um dos passos necessários a dar para reduzir o nosso impacto no ambiente. Sem esse passo, não conseguiremos criar uma economia eficiente na utilização da água, nem construir um futuro sustentável…ou mesmo ter um futuro, pois sem água, não há vida.


Matilde Batalha
Psicóloga clínica e deputada municipal pelo PAN

 


Pode ler (aqui) outros artigos de opinião de Matilde Batalha



As opiniões expressas nesse e em todos os artigos de opinião são da responsabilidade exclusiva dos seus respetivos autores, não representando a orientação ou as posições do Jornal de Mafra

________________________________________________________________________________________________

   

Leia também