Mafra | Ericeira – Conheça os pormenores do projeto de reabilitação do Forte da Natividade

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A 15 de dezembro de 2017, a GNR da Ericeira “abandonou” as instalações do Forte da Natividade, que estavam obsoletas, eram exíguas e funcionalmente desadequadas, rumando ao novo Posto Territorial da GNR na Ericeira, inaugurado nesse dia.

Nessa altura, o presidente do município afirmou que depois da desocupação do forte por parte da GNR, e obtida autorização da tutela, o município iria criar nas instalações, uma infraestrutura ligada ao mar.

Conheceu-se agora o projeto para o Forte de Nossa Senhora da Natividade, o qual inclui:

1) zona expositiva, dedicada à apresentação da Ericeira, das suas temáticas, tradições sui generis, história e atualidade;

2) zonas de lazer, dedicadas em especial aos habitantes locais, para que mantenham a tradição de desfrutar deste local privilegiado no seu dia a dia, com vantagens evidentes face à degradação atual — mas também prevista para os forasteiros e turistas, uma vez que não será fácil encontrar local mais apetecível em termos paisagísticos;

3) zona de restauração que servirá não apenas a população local mas será especialmente atrativa para turistas, pela posição ímpar face à paisagem marítima e pela centralidade na povoação.

Dada a “localização absolutamente privilegiada, quer do ponto de vista geográfico, quer do ponto de vista turístico, permitindo perspetivar soluções de recuperação e integração na vida local e na dinâmica turística”, o Município de Mafra pretende proceder à recuperação, preservação e manutenção deste edifício histórico que se encontra devoluto desde 2018 e que tem vindo a apresentar “sinais cada vez mais evidentes de degradação”.

O projeto prevê a criação de áreas de exposição de longa duração, com temáticas da Ericeira, nas quais o “visitante será acolhido numa autêntica “sala de visitas” da Ericeira”. Desenhada para produzir uma impressão significativa, memorável e envolvente, a exposição será toda interativa e multimédia, de modo a criar ambientes participativos.

[Imagem: CMM]
Estão previstas as seguintes áreas expositivas principais:

A – Ericeira como local de acolhimento: em função da forte importância e memória que deixou, a presença de refugiados judeus durante a 2.ª Grande Guerra será tratada de forma significativa, vincando a faceta de terra de acolhimento que a Ericeira sempre foi, e é; não tira, no entanto, que nesta área se tratem outros aspetos relacionados com as tradições de acolhimento da Ericeira, tanto do ponto de vista histórico como na contemporaneidade;

B – Tradições e património intangível: sabores tão fortes como a da «caneja d’infundice» (uma especialidade gastronómica que só tem par no hákarl da Islândia) não poderiam estar ausentes… a transmissão intergeracional dos saberes (sejam gastronómicos, sejam das artes de pesca, sejam outros) terá o seu lugar na exposição e num programa de eventos sazonais a eles dedicados; relevância terá, por exemplo, a evolução da morfologia das embarcações que desde tempos antigos
se usaram na Ericeira, nomeadamente a “rasca”, e a sua importância nas artes de pesca no
quotidiano dos seus habitantes; também aqui estarão referidos o artesanato, as lendas, a cultura material e imaterial, que fazem da Ericeira o que é hoje;

C – Arte e artes: aspetos que se prendem com a produção e fruição artística serão também tema de exposição (desde as obras disponíveis na Misericórdia local até à evocação de Paula Rego e da sua época de vida na Ericeira), dando mote a eventos de curta/média duração e apoio às artes e aos artistas locais; das artes plásticas à literatura, do cinema às artes perfomativas, este é um espaço que poderá, se desejado, acolher exposições temáticas temporárias;

D – Desporto, vida saudável e sustentabilidade: na Ericeira o surf uma temática inevitável, uma
vez que atualmente a Ericeira é a única reserva mundial de surf da Europa. Mas tal não esgota a temática do desporto, da vida saudável o dos objetivos do desenvolvimento sustentável (especialmente daqueles inscritos na Agenda 2030, que assim será trazida à colção tanto do ponto de vista expositivo quanto de programação de eventos e iniciativas de divulgação, educação e sensibilização).

A unidade de restauração que será acessível a partir do percurso de visita ou pela via pública, situar-se-á na zona norte do edifício e contará com áreas ao ar-livre voltadas ao mar e com uma esplanada na cobertura do Forte.

A recuperação do edifício prevê ainda que a esplanada a sul do Forte, onde atualmente grupos de locais se juntam “para uma conversa ou uma tarde a jogar cartas” será mantida, permitindo uma integração entre essas atividades e promovendo outras.

A reabilitação iniciar-se-á  pelo projeto museográfico e pelo projeto de arquitetura e especialidades, seguindo-se depois as obras no edificado, com remoção de todos os materiais espúrios, recuperação
dos edifícios e implementação das novas estruturas necessárias (em particular para a receção dos visitantes, para as zonas de lazer e restauração e de proteção para permitir o acesso público à cobertura do Forte).

O Ministério da Administração Interna cedeu agora ao Município de Mafra o imóvel do “Forte da Ericeira e Casa do Governador”, cedência que terá a duração de 50 anos a contar de 27 de dezembro de 2017, sendo renovável por períodos de 25 anos, salvo se qualquer das partes o denunciar.

A sustentabilidade do projeto será assegurada por verbas provenientes do orçamento municipal, representando um investimento inicial na ordem dos 757 mil euros, exigindo depois investimentos anuais a 5 anos, entre cerca de 82.300 euros no 1.º ano e 86.790 euros no 5.º ano.

 

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