Bastidores do ensaio para o concerto de inauguração dos carrilhões após a sua reabilitação [Vídeo]

O Jornal de Mafra esteve ontem à noite nos bastidores do ensaio para o concerto de inauguração dos carrilhões após a sua reabilitação.

Abel Chaves compôs uma obra para esta ocasião, que estreará no concerto de amanhã à tarde, obra que será tocada pelo carrilhão da Torre Norte, o “mal-amado”. Como referiu Abel Chaves, após terem sido os dois carrilhões alvo de restauro, fazia todo o sentido, que no concerto inaugural, a população pudesse ouvir ambos os carrilhões.

A obra de Abel Chaves, intitulada “Requiescat in peace Bizarro” pretende encerrar o ciclo de desgraças do carrilhão da torre norte, e particularmente, de um dos seus sinos, a que se colou o epíteto de “bizarro”. Reza a história que “este sino era a melhor voz de quantos sinos tinham as torres”, mas em 1817 fendeu, tendo sido mandado reparar por 4000$000. Depois de reparado, “logo que nele foi aplicado o primeiro golpe do badalo, saltaram os gatos fora […] e ficou o sino muito peor do que estava”. O sino foi depois refundido, mas não antes de que uma parte dele caísse sobre um homem matando-o instantaneamente…e na verdade, o carrilhão da torre norte esteve realmente vivo.

Ontem, depois de um pequeno brifing, o grupo, com cerca de 20 pessoas, subiu as escadinhas em caracol, munidos já de luvas, de proteção para os ouvidos e de martelos na mão, dirigindo-se para junto dos sinos que lhes estavam destinados. Feitos os ajustes necessários, de altura e de força, cada um ficou junto do “seu sino” e o ensaio geral teve então início, com os sentidos avivados não só pelos sons dos martelos no metal, mas também pelo cheiro a tinta e a novo, que todo os conjunto exala.

Entre os “músicos” a quem foi confiada a tarefa de fazer soar os sinos da Torre Norte, e que irão interpretar o “Requiescat in peace Bizarro” estarão,  não só músicos profissionais, mas também técnicos do Palácio Nacional de Mafra e da DGPC, bem como funcionários da empresa encarregue da reabilitação, os quais, acionando os martelos sobre os sinos ou puxando as cordas que acionarão os badalos, darão amanhã uma curta vida nova ao carrilhão da torre norte do Palácio Nacional de Mafra.

Na Torre Sul tudo está a postos, para que o carrilhão que aí está instalado possa soar bem alto e mostrar a todos, de quantos sinos se faz em Mafra, um concerto de carrilhão.

Aqui fica um “cheirinho” do ensaio de ontem à noite.

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