A Voz do Leitor | A transferência do Museu da Música para Mafra

Em relação à notícia de 18 Fev. 2019 do JM referente à Petição para reavaliação da transferência do Museu da Música para Mafra,  gostaria de manifestar a minha opinião.
Sou uma admiradora do esforço que Mafra tem vindo a desenvolver em diversas frentes, ao longo do tempo, para apoiar e potenciar o seu património e tradições e musicais.
Não obstante, independentemente do Museu da Música ser ou não Nacional – ser público ou privado, local ou regional – tem a particularidade de guardar a única coleção significativa de instrumentos musicais históricos, visitável.
Alguém já indagou o que seria dos museus congéneres de Bruxelas, Paris, Berlim ou Barcelona, entre muitíssimos outros, se os tivessem sacrificado aos interesses (talvez não inocentes) do ‘politicamente correto’ e os tivessem deslocado para uma encantadora vila, afastando-os dos grandes centros urbanos?
Todos estes museus, tal como o de Lisboa, nasceram com um objetivo primordial, que não caducou: para além de preservar, conservar e dar a conhecer este património singular, também o de permitir e incentivar o estudo dos instrumentos musicais históricos e todas as variáveis a eles associadas, nomeadamente do ponto de vista da construção, do som, da música, da decoração artística…
Se inicialmente estavam associados aos Conservatórios – à época, as escolas de ensino musical por excelência – a atual especialização da investigação em música e em musicologia, nomeadamente, encontra-se particularmente centrada nas Universidades, pelo que exilar esta coleção pode ser condená-la ao afastamento e esquecimento. Com as consequências daí decorrentes.
Uma coleção de instrumentos musicais desta natureza não pode, ou não deve, ser encarada como uma coleção de arte – que possivelmente também é!
Estou de acordo que seria de todo o interesse para o Governo – e também para Mafra, para um dia não vir a ser acusada de oportunismo, caso as consequências sejam negativas, como se teme – rodear-se de pessoas com conhecimentos aprofundados nestas áreas – música e museus – para informar e esclarecer as entidades envolvidas das vantagens e desvantagens deste projeto a médio/longo prazo, de forma criteriosa e imparcial.
Com os melhores cumprimentos,
Isabel Monteiro

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