Edifício da Misericórdia de Mafra palco de actividades marginais

Na Vila Velha, uma boa parte dos edifícios encontram-se em adiantado estado de degradação. O desleixo, a tradicional má gestão de fundos públicos e o tradicional deixa-andar nacional criaram naquele espaço urbano um ambiente quase de guerra, no que diz respeito ao estado de degradação do espaço urbano. Um destes edifícios foi entregue, por comodato, à Misericórdia de Mafra, pela Câmara Municipal de Mafra.

“os miúdos vão para lá nas horas de almoço e de saída da escola…entram realmente por trás da igreja de Santo André…”

O Jornal de Mafra foi alertado para a utilização imprópria desse edifício – dado pela câmara de Mafra à guarda da Misericórdia de Mafra – por parte de grupos de jovens, nomeadamente, por alunos da Escola EB 2/3 de Mafra, que estariam a utilizar o edifício degradado para fins menos próprios. Segundo a nossa fonte, isto terá já “sido falado [numa reunião de Pais na EB 2/3 de Mafra], e já não é a primeira vez, o espaço é utilizado para os jovens fumarem, isto dito por alunos que sabem que os colegas vão para lá….o resto que lá se faz não sei…”, adiantando depois, que “os miúdos vão para lá nas horas de almoço e de saída da escola…entram realmente por trás da igreja de Santo André…”

A propósito deste tema, uma fonte da GNR de Mafra contactada pelo Jornal de Mafra, afirmou não ter chegado qualquer queixa, da escola ou de particular, referente a este tipo de utilização mais marginal do edifício. Referiu, no entanto, conhecer situações de pichagem de edifícios naquela área da vila, tendo uma destas situações dado origem à detenção de um jovem em flagrante, com a levantamento do respectivo auto de notícia.

“…o espaço é utilizado para os jovens fumarem, isto dito por alunos que sabem que os colegas vão para lá….o resto que lá se faz não sei…”

Contactámos também a Misericórdia de Mafra. Um responsável por esta instituição confirmou que a responsabilidade do edifício é da Misericórdia de Mafra, referiu conhecer o seu estado de degradação e a utilização do edifício para fins menos próprios. Afirmou que a Misericórdia tem tentado limitar o acesso ao edifício através de fechaduras, correntes com cadeados e entaipamento de janelas, reconhecendo, no entanto, que isso não tem impedido grupos de jovens de entrar no espaço, fazer pichagens e dedicar-se a outras actividades menos ortodoxas, digamos deste modo. Afirmou ainda, já ter chamado à atenção das autoridades relativamente a este problema.

Não notámos grande receptividade por parte deste responsável da Misericórdia de Mafra, no sentido de reforçar os entaipamentos, com tijolos, nomeadamente, ou em colocar uma rede suficientemente consistente no muro do lado da Igreja de Santo André. O edifício irá, a prazo, ser demolido, para ver nascer uma nova estrutura da Misericórdia de Mafra e isso, desmobilizaria, neste momento, grandes investimentos no edifício.

Não sairia mais caro, ter de lidar um dia, naquele espaço à guarda da Misericórdia de Mafra, com eventos bem mais dramáticos, do que actuar já, evitando utilizações do edifício que poderão ser muito mais graves, manchando ainda mais o nome da Misericórdia de Mafra?

O estado absolutamente inaceitável de degradação a que se permitiu que se chegasse o edificado da Vila Velha foi já alvo de uma ARU (Área de Reabilitação Urbana) da Câmara de Mafra, que no entanto ainda não saiu do papel. Foi alvo também de duas reportagens do Jornal de Mafra durante o ano passado, sem qualquer efeito na sensibilização das autoridades locais.

Não sairia mais caro, ter de lidar um dia, naquele espaço à guarda da Misericórdia de Mafra, com eventos bem mais dramáticos, do que actuar já, evitando utilizações do edifício que poderão ser muito mais graves, manchando ainda mais o nome da Misericórdia de Mafra?

O estado do edifício, por si só, mesmo ser ter em conta as actividades pouco dignas de que estará a ser palco, afecta gravemente a imagem da Misericórdia de Mafra.

 

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