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Saúde Mental e Ocupacional | Manuel Bidarra

 

Sobrecarga do familiar cuidador nos quadros de Demência

Todos os anos, 1,4 milhões de cidadãos europeus desenvolvem demência, o que significa que a cada 24 segundos, um novo caso é diagnosticado. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 153.000 pessoas com demência, 90.000 com Doença de Alzheimer. (Associação Alzheimer Portugal, 2017)

A demência é uma síndrome de deterioração cognitiva progressiva que ocorre no adulto e é suficientemente grave para interferir funcionalmente na vida social, laboral, familiar e pessoal do mesmo.

 

O familiar cuidador na Demência

O significado de família tem evoluído ao longo dos tempos, como tal, cada indivíduo ou grupo associa diferentes imagens à palavra família. Todas as famílias têm funções que são desempenhadas para manter a integridade da unidade familiar e responder às necessidades dos seus membros e às expectativas da sociedade.

Contudo, o familiar cuidador, no cumprimento do seu papel, é confrontado com situações que implicam alterações do seu bem-estar e por vezes do seu desempenho. Essas alterações podem ter reflexos físicos, psicológicos e sociais, havendo necessidade deste se adaptar à nova situação, de forma a minimizar as repercussões e atuar sobre o problema.

Segundo o conceito de sistema familiar, qualquer doença que afeta um membro da família, de alguma forma, por extensão, afeta os demais membros. Dependendo das circunstâncias, a família pode precisar de adaptar e reorganizar o seu modo de viver.

A sobrecarga do Cuidador

A doença de um elemento da família obriga a que os seus membros alterem de algum modo as rotinas e os estilos de vida a que estão habituados, situações que se podem agravar quando ocorre uma fase aguda ou hospitalização, provocando dúvidas e incertezas.

Sinais de sobrecarga do cuidador

Cuidar poderá ser desgastante, com implicações para os familiares cuidadores, decorrentes de múltiplos fatores internos ou externos.

Sentimentos de isolamento social, privação do descanso, redução do rendimento económico, conflitos familiares, cansaço, stress, angústia, irritabilidade, insegurança no cuidar, a incerteza quanto ao desfecho da doença, podendo conduzir ao impedimento de exercer a sua atividade laboral.

A acumulação das responsabilidades e do desgaste físico e mental proveniente do cuidar, podem comprometer seriamente a qualidade de vida do cuidador refletindo-se consequentemente na pessoa dependente. É necessário que os cuidadores recebam o apoio necessário, para que possam ultrapassar as dificuldades e todas as situações complexas que vivenciam.

Quais os benefícios de fazer parte de um grupo de apoio

Partilhar as suas experiências, manter e melhorar os seus sentimentos de autoestima, diminuir a sua sensação de isolamento, aprender com outras pessoas que se encontram na mesma situação, ter conhecimento dos recursos sociais disponíveis, aconselhamento e partilha de informação, encorajamento e apoio entre os cuidadores, transformar-se em “grupos de entreajuda”.

É fundamental existirem apoios a nível da comunidade, nomeadamente, por parte dos profissionais de saúde e da área social, fornecendo aos cuidadores o suporte necessário, de modo a que se mantenham saudáveis e possam cooperar no processo de cuidar do seu familiar.

Devem promover o seu bem-estar Mental e Físico não necessitando de estar sozinhos na tarefa de cuidar do seu familiar com Demência.

Procure ajuda junto do seu Médico e Enfermeiro de família na sua Unidade Funcional do Centro de Saúde.

Mais informações em:

Associação Portuguesa de familiares e amigos dos Doentes de Alzheimer http://alzheimerportugal.org/pt/


Manuel Bidarra
(Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Psiquiatria e Saúde Mental; ACES Oeste Sul, UCC de Mafra)

 

 

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