Crónica de Jorge C Ferreira | A Poesia e os Poetas

  A Poesia e os Poetas por Jorge C Ferreira   A Poesia é um mistério. Muitas letras escondidas numa arca antiga que se vão juntando. A Poesia tem templos onde o belo se celebra. Templos guardados por deusas, feiticeiras, alquimistas e gente que se diz que levita. As palavras dos poemas vestem sonhos e enigmas. São tintas de todas as cores. Falar com Poetas é falar com algo mais longínquo. É viajar e sonhar através do seu falar. Há quem diga as palavras dos poetas, verso a verso num…

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Crónica de Alexandre Honrado – Escrever ou não escrever-me eis a questão

  Crónica de Alexandre Honrado Escrever ou não escrever-me eis a questão   Tenho de confessar que é um sintoma revelador dos meus desequilíbrios mais comezinhos o facto de não escrever. E às vezes a ausência é notória e dorida, acreditem. Quando estou feliz – ou pelo menos motivado – é na escrita que estabeleço os primeiros degraus de uma subida à tona, pois, mesmo sem grande objetivo a cumprir, sei que as ideias escritas fixam e fixam-nos enquanto seres, melhorando graus de entendimento e de sociabilidade, elevando os nossos…

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Crónica de Licínia Quitério | De ontem e de hoje – Ir a Lisboa

  De ontem e de hoje – Ir a Lisboa por Licínia Quitério Iam a Lisboa visitar as velhas amigas que há muitos anos, tantos quanto somavam três gerações bem contadas, emigraram para a cidade, levadas pelos pais, em busca, como todos os deslocados deste mundo, de melhor fortuna. Moravam numa grande cave que servia de habitação de porteiro, com muitos compartimentos e um longuíssimo corredor. Só menos de metade da casa recebia luz do exterior, através de pequenas janelas basculantes, abertas e fechadas com o auxílio de uma comprida…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Aprender

  Aprender por Jorge C Ferreira   Eram manhãs que nasciam súbitas dos ventres das madrugadas. Um tempo que passávamos em claro. Não tínhamos dado que a noite tinha acabado. Só os néons e as luzes psicadélicas viviam nas nossas cabeças. Tão jovens e com tanta vontade de viver depressa. Assim nos enrolávamos com a vida. Os beijos eram intensos. Intensos foram todos aqueles amores perdidos. Vir a casa, tomar banho, mudar de roupa. A farda para o trabalho. A outra vida que ia durar muitas horas. Até que os…

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Crónica de Alexandre Honrado – O que escrever quando é inútil a escrita (três)

  Crónica de Alexandre Honrado O que escrever quando é inútil a escrita (três)   Dizer o indizível – será o segredo. São Francisco[1], no Speculum perfectionis, afirma: “pois não serão os servidores de Deus senão uma espécie de jograis que têm por missão elevar o coração dos homens e conduzi-los à alegria do espírito?”. Fernando Pessoa estabelece como “as palavras são focos de energia com efeitos invisíveis”[2]. Os exemplos seriam infinitos. Limito-os. Na formulação do espírito, a palavra do Poeta, em geral, é não reverente[3]. Isso pode torná-lo, em…

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Crónica de Jorge C Ferreira | Viagens

  Viagens por Jorge C Ferreira   Uma esquina sombria e uma neblina ensombrada. A vida a andar ao contrário numa linguagem difícil de decifrar. Os cantos que deixaram de ser acolhedores. Os vértices que passaram a ser lâminas. O mundo a girar do avesso. É então que viver se torna difícil. Deixar de escutar as vozes, mesmo as mais doces, as que nos enchiam de doçuras. Ficar mudo de medo e as mãos presas e sem serem capazes de escrever uma linha. Sabemos que nos lugares mais longínquos do…

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Crónica de Alexandre Honrado – O que escrever quando é inútil a escrita (dois)

  Crónica de Alexandre Honrado O que escrever quando é inútil a escrita (dois)   Ao ser impossível a poesia – depois do triunfo da barbárie – a aceitação da derrota do Homem interior (aquele que descobre as vias da experiência interna,  capaz da produção de leituras superiores de si, dos outros e do mundo  que o rodeia, mesmo do intolerável), o homem ficar-se-ia pelo Real, impedindo o Irreal, ou o que, na sua capacidade de criar, permite suportar a realidade e vê-la de um modo elevado e amplo. Ou,…

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Crónica de Licínia Quitério | De ontem e de hoje – Coisas velhas

  De ontem e de hoje – Coisas velhas por Licínia Quitério Nas casas sempre habitam coisas velhas, antigas, gastas, feridas pelo tempo, pela desatenção, preteridas pelas novas recém-chegadas, com outro brilho, outra utilidade, diferentes no desenho e na cor. Nas mudanças de casa, nas mudanças de gente, escaparam à devora de usurários e ao lugar dos lixos. Foram-lhes concedidos sótãos esconsos, gavetas, arcas de memórias. Quando chegaram até mim, procurei-lhes as feridas, tratei-as como pude, fui espreitando as marcas que me contassem histórias de outro tempo, de outra gente.…

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Crónica de Jorge C Ferreira | O Mar e o Respeito

  O Mar e o Respeito por Jorge C Ferreira   Cheguei a vossa casa e entrei numa alegria imensa. Primeiro abraçámo-nos e beijámo-nos com muita força. Um abraço de vida. Como se tivéssemos regressado de um tempo antigo. Há sempre um abraço maior na vida de qualquer pessoa. Depois começaste a contar a tua aventura e foi um tempo de sonhos e pesadelos. O mar, o azul imenso. Olhar as nuvens. Ver o seu tipo e trajecto. Navegar. Ser levado pelos golfinhos nas suas danças maravilhosas. Esperar que um…

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Crónica de Alexandre Honrado – O que escrever quando é inútil a escrita

  Crónica de Alexandre Honrado O que escrever quando é inútil a escrita   Se Adorno[1], a propósito do Holocausto, afirmou que “já não é possível escrever poesia depois de Auschwitz”, é tempo de aceitar uma ideia que há muito me persegue: depois de tudo o que o século XXI tem produzido, já não é possível escrever uma prosa identitária e o que dela restar em afetividade arde no lume brando de todos os impactos traumáticos? (Falo da produção do Mal, para usar uma imagem fácil. Falo dos fundamentalismos, dos…

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