Crónica de Alice Vieira | A propósito de eleições

A propósito de eleições Alice Vieira   A primeira vez que o meu filho votou foi para umas eleições autárquicas, já lá vão quase 30 anos. Mas lembro-me sempre disso. Ele tinha então um amigo—amigo desde os bancos da escola. Eram inseparáveis aqueles dois. Gostavam das mesmas bandas desenhadas, eram sócios do mesmo clube de futebol, disputavam partidas de xadrez todos os sábados à noite, eram fanáticos dos Sétima Legião, iam às mesmas discotecas, estavam no mesmo curso da faculdade, trocavam CD’s, selos, vídeos, livros e confidências e lembro-me que…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (2º Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração 2º Episódio   Primeiro foram eles, tinham que ir, os miúdos ficaram com a mãe dela, à espera que eles assentassem casa e trabalho, o passador dizia que isso não havia de faltar, foi cobrando o serviço, a prestações mensais, durante quase um ano, até fazer a conta que entretanto já tinha subido, havia muita gente pelo meio a quem ele ia ter de untar as mãos, era como ele dizia, ao guarda-fiscal, ao guarda-republicano, a muitos,…

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Crónica de Alice Vieira | Recordando António Reis

Recordando António Reis Alice Vieira   Para muitos, o nome de António Reis dirá muito pouco. Haverá quem pense tratar-se de um dos fundadores do PS –mas não, não é esse. Outros, mais bem informados, falarão talvez do cineasta, realizador de  filmes como “Jaime”,“Trás os Montes”, “Ana”,  e outros. E sim, aí acertaram. Mas aquilo que eu hoje gostaria aqui de recordar não é essa sua faceta—mas outra, e essa sim, quase completamente ignorada : António Reis foi um grande poeta português. Sempre poeta em tudo o que fazia, ou…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | A Finitude

A Finitude   Não sei o que nos ata à vida. Não sei o que nos une às vidas vividas. Somos uma soma de vidas. Somos as experiências que vamos acumulando. Vemos nascer e morrer. Choramos e rimos. Há quem reze e agradeça a um ser que acha divino. Rimos quando ouvimos o choro anunciador da vida. Choramos quando o último suspiro de alguém anuncia a sua partida. Um dia conheci um homem que vivia numa cabana no alto de uma serra alta. Vivia só e, no entanto, nunca tinha…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | Um sonho de criança

Um sonho de criança   Era uma vez um menino, a quem, como a todos os meninos, um dia, começaram a perguntar: «Que queres ser quando fores grande?» A resposta saía pronta e convicta: «oficial da marinha mercante.» Esse era um menino que tinha um desejo imenso de  navegar, de correr mares e continentes. Um menino que não tirava os olhos do mapa mundo. As contingências da vida obrigaram-no a seguir outros caminhos. Caminhos de ganhar a  vida. Começou a trabalhar com tenra idade. Foi à tropa. Formou família. Teve…

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Crónica de Alice Vieira | Saudades de Camélias

Saudades de Camélias Alice Vieira   “Então o que vai ser hoje, menina?” É por estas e por outras iguais a esta que fujo dos hipermercados e tento o mais possível abastecer-me nos mercados da terra (ou da freguesia…)  : só mesmo aqui, neste mercado perto da minha rua, é que eu ainda sou menina. Sorrio,  enquanto a rapariga vai gabando as virtudes da mercadoria, “por acaso as rosas até nem estão muito caras, e se a menina lhes deitar o pó desta saqueta duram muito mais. E temos umas…

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Crónicas de Jorge C Ferreira | As arcas e os baús

21 Ago 2017 | Crónica | Jorge C Ferreira   As arcas e os baús   As arcas e os baús, a mania de guardar coisas. Os papéis e as roupas. As bolas de naftalina e a cânfora. As arcas que são mães de todas as arcas. Os segredos guardados a cadeado com ferragens quase medievais. O cinto de castidade. As arcas de madeira simples, as arcas carunchosas, as arcas de cânfora, as arcas de folha, as arcas de porão, a arca congeladora e a última de todas as arcas,…

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Crónica de Alice Vieira | A Blusa Verde

25 Ago 2017 | Crónica | Alice Vieira A Blusa Verde Alice Vieira   Não sou mulher de superstições. Nunca fui. Sempre convivi muito bem numa mesa de 13 pessoas, não me afligem gatos pretos atravessando-se no meu caminho nem cabides largados em cima da cama, não me preocupo se abrirem chapéus-de-chuva dentro de casa, não acredito que uma carteira pousada no chão possa afastar o dinheiro dos meus bolsos e, se não passo por debaixo de andaimes, é apenas porque me parece perigoso, desde o dia em que uma placa…

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