José Martinez

 

Os Transportes em Mafra

Éramos pouco mais de 35 mil no início da década de 60, hoje somos mais de 80 mil.

Cerca de 70% dos homens e 60% das mulheres trabalham, 63% do total, aproximadamente 50 mil.

Os empregos no município não chegam aos 30 mil, dos quais apenas cerca de mil na agricultura.

Somos 14 mil estudantes.

Não temos ensino superior

Não temos hospital

Temos 13 extensões do Centro de saúde.

Não temos Teatro.

Não temos Cinema.

As poucas actividades culturais, com excepção de festas anuais e procissões, são concentradas na sede do concelho e  na Ericeira.

Não somos um concelho rural.

Somos um concelho com todas as características de concelho de área metropolitana, trabalhamos fora, estudamos no ensino superior fora, não temos a escola ao pé de casa, o hospital é fora do concelho, para muitos o centro de saúde não é ali já, as principais actividades são fora do concelho.

Será isto mau? Não. Pertencer a uma área metropolitana é um privilégio, em particular se o concelho estiver dotado de um bom sistema de transportes tanto mais necessário quanto mais periférico for o concelho.

Temos (teríamos) o descanso próprio da periferia e o acesso a tudo o que está disponível na área metropolitana.

O problema são os transportes. Todas as forças políticas reconhecem este ponto fraco do concelho.

As infraestruturas rodoviárias, se rentabilizadas com transportes públicos, são razoáveis, mas as autoestradas que atravessam o concelho, em particular a A21, são caras fazendo subir para valores incomportáveis o custo do transporte individual (à auto estrada à que acrescer o custo do veículo, a respectiva manutenção, o seguro, o consumo) para além da incomodidade, quando se trata do transporte para as zonas de maior tráfego e de dificuldade e custo de estacionamento. O meu camarada Eduardo Libânio não me perdoaria se não referisse os custos ambientais provocados por maior contaminação da atmosfera com CO₂.

O transporte público tem custos, nalguns casos, superiores aos do transporte individual, sempre superiores quando à família é possível a rentabilização com o transporte de mais de um elemento.

Há quatro eixos de actuação que me parecem fundamentais: a requalificação da linha do Oeste ; a criação de um verdadeiro passe intermodal; a diminuição dos custos das portagens; a melhoria do serviço público de transportes em toda a área metropolitana de Lisboa.

Esta situação implica a mobilização do concelho para a resolução do problema. A CDU tem-se empenhado:

– Várias distribuições de comunicados quer relativos à linha do Oeste, quer relativos à criação do passe intermodal;

– Na Assembleia Municipal, em 30 de Junho de 2016 propôs e foi aprovada, embora com a abstenção do PSD e voto contra do CDS, moção que recomendou “à Câmara Municipal de Mafra que em reunião do Executivo:

  1. Afirme o seu interesse e disponibilidade para continuar a aprofundar o tema da melhoria da rede e oferta de transportes públicos no Concelho de Mafra, bem como das vantagens associadas à existência de um Passe Social Intermodal para toda a Área Metropolitana de Lisboa;
  2. Promova o debate e a iniciativa pública relativa a esta temática em todo o Concelho de Mafra.”;

– Na Assembleia da República, em 28 de Outubro de 2016, o Projecto de Lei 250/XIII, do PCP – Confirma o  passe  social intermodal  como  título  em  todos  os  transportes  coletivos  de  passageiros  e  atualiza  o  âmbito  geográfico  das respetivas coroas na Área Metropolitana de Lisboa, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS PP, votos a favor do PCP, de Os Verdes e do PAN e a abstenção do BE;

– A Câmara Municipal, no dia 3 de Fevereiro de 2017 aprovou uma moção em que “…na defesa dos interesses das populações do Concelho de Mafra, a Câmara Municipal delibera reivindicar, ao Governo, a criação de um Passe Social Intermodal para toda a Área Metropolitana de Lisboa, garantindo a igualdade de oportunidades de todos os utentes na utilização dos transportes públicos. “;

– Na Assembleia Municipal, em 27 de Fevereiro de 2017, a CDU congratula-se com a aprovação na Câmara Municipal da moção referida no número anterior;

– Já este ano, a CDU, colocou nalguns dos seus MUPI’s, cartaz de apelo à criação de verdadeiro passe intermodal.

 

A luta continua e espero que a Câmara e Assembleia Municipal tenham nesta luta empenho equivalente á manutenção de órgãos e carrilhões, que sendo necessários à cultura do país, merece, no mínimo, a mesma atenção.

 



José Martinez
Venda do Pinheiro, Reformado, Militante do PCP e membro da Assembleia Municipal pela CDU

Pode ler (aqui) os artigos anteriores de José Martinez