Opinião Política | Alexandre Nascimento (Partido Aliança) – Os donos de Abril

Opinião Política – Alexandre Nascimento (Partido Aliança)
Os donos de Abril

 

Comemorámos, no passado domingo, a revolução de 25 de abril.

Foi a 47.ª vez que o fizemos mas eu confesso que não percebo muito bem porque é que o continuamos a fazer. É que passaram todos estes anos e não aprendemos nada!
Ou quase nada.

Este ano, sedentos de LIBERDADE por via de uma terrível pandemia que lhes condicionou a vida, alguns cidadãos manifestaram vontade de celebrar o dia da LIBERDADE… de forma espontânea e, pensavam eles, em LIBERDADE. Queriam juntar-se às comemorações, queriam ser livres de festejar a LIBERDADE… em plena LIBERDADE.

Nada disso! Qual quê?! Não podiam estar mais equivocados.

A Associação 25 de Abril, um organismo corporativo constituído por alguns dos ex-capitães da Revolução veio dizer que não. Que, pelo facto terem organizado um programa de comemorações, seriam eles a decidir quem podia ou não podia participar. Uma espécie de grémio de iluminados, de esquerda revolucionária, que, por terem lutado pelo que é de todos, advoga agora para si o direito de decidir acerca… do que é de todos. É estranho… os mesmos que se sacrificaram, que lutaram, que foram presos por clamar por igualdade e liberdade, acham que a liberdade dos outros deve passar, primeiro, pelo seu escrutínio.

Quase 50 anos depois de terem organizado e perpetrado uma revolução que visava garantir a igualdade, acham, agora, estes senhores, que uns são mais iguais que outros. Que a plenitude de direitos de cidadania conseguida com o 25 de Abril é para ser cumprida à sua maneira. Não são bem direitos de cidadania… são “esquerdos” de cidadania.

Dizem que a sua atuação foi determinante para derrubar o regime ditatorial do Estado Novo. Muito bem… e que regime de comemorações é este em que “os donos de abril” impõem regras aos outros, de forma ditatorial?

Que a sua luta foi fundamental para se instaurar um regime democrático em Portugal! É verdade! Mas onde está a democracia quando uma pequena minoria quer impor aos outros limitações para que estes possam, também, festejar a liberdade?

É como se aquilo que todos amam e que deve ser de todos, tivesse donos. Como se a liberdade fosse privilégio de alguns, pelo facto de terem lutado por ela. É como dizer… fui eu que lutei, portanto sou eu que agora avalio e determino qual o grau de liberdade que cada um deve ter. Uma coisa assim… vá… a modos que ditatorial.

Lamento, mas estamos ainda muito longe!

Na página de internet da Associação 25 de Abril, o seu presidente, o “Capitão de Abril” Vasco Lourenço, escreve algumas linhas de boas-vindas. Começa assim… “Bem-vindo à página da Associação 25 de Abril (A25A), onde procuramos praticar, aprofundar e desenvolver os valores que em Abril de 74 levaram o MFA a tudo arriscar, para libertar o seu povo de todos os jugos.” Ora, numa breve consulta ao melhor dos dicionários portugueses, fica claro que a palavra “jugo” é, normalmente, utilizada em sentido figurado por ter uma carga simbólica muito forte. Jugo significa… “Peça de madeira encaixada sobre a cabeça dos bois para que possam ser atrelados a uma carroça ou a um arado para a realização de determinadas tarefas.”.

Liberdade significará, para sempre, liberdade!

Bois serão sempre bois… em qualquer circunstância.

Alguns de nós, ainda não perceberam.

 

Alexandre Gomes do Nascimento

Vice-presidente

Partido ALIANÇA

Alexandre Gomes do Nascimento
Empresário, Vice-Presidente do Partido Aliança

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