OPINIÃO POLÍTICA | José Martinez (CDU) – O Partido Comunista dá o exemplo!

O Partido Comunista dá o exemplo!

 

Há muito que a direita e extrema direita, se é possível estabelecer qualquer diferença entre direita e extrema direita, se atendermos à persistência da chamada Aliança Democrática reforçada com a chegada do mais recente rebento o CHEGA, se esforça por reduzir a democracia de participação generalizada aos actos eleitorais, e confundir democracia com os arranjos de distribuição de “jobs for the boys” alternando entre funções políticas e funções ao serviço dos grandes grupos económicos.

Altos responsáveis partidários queixam-se junto dos seus patrocinadores das dificuldades que tem de lhes proporcionar maiores lucros, eufemisticamente intituladas de reformas, em democracia, preconizando a sua suspensão, mesmo que temporária, chegando a fazê-lo em público como foi o caso da leader do PSD, Manuela Ferreira Leite.

O surgimento da Covid-19 e o seu caracter pandémico pareceu-lhes a oportunidade, antes rechaçada pelo povo, para suspender a democracia confinando-a aos leaders partidários domesticados com palanque televisivo.

O chamado “estado de emergência” aparece como sendo a figura ideal para a submissão dos mais explorados aos exploradores contribuindo para o reforço do rendimento de grandes grupos económicos, submissão dos trabalhadores e destruição de pequenas e médias empresas, acelerando, por estas vias, a concentração capitalista.

Dominados os média pelos pagamentos chorudos aos comentadores de serviço, tudo parecia propicio à satisfação dos seus intentos, mas o tiro começa a sair-lhes pela culatra:

  • O parlamento comemora o 25 de Abril;
  • Milhares de pessoas cantam à janela a Grândola Vila Morena em homenagem à Revolução dos Cravos;
  • A CGTP sai para a rua no 1º de Maio em comemoração e luta respeitando medidas sanitárias;
  • O partido comunista avança com o primeiro comício político pós pandemia no alto do Parque Eduardo VII.
  • Os trabalhadores começam a resistir ao aproveitamento que os patões fazem da pandemia para ilegalmente aumentarem a precaridade do trabalho e desregulamentarem, ainda mais, as relações laborais.
  • O PCP dá o exemplo e mostra que a cultura, o lazer, a actividade política, são possíveis em tempo de pandemia, não abdicando de concretizar a sua Festa do Avante!

A comunicação social, a mando dos respectivos patrões, concertada com os políticos reaccionários, atemorizam as populações com vista ao confinamento de tudo o que se oponha à destruição de pequenas e médias empresas facilitando a concentração de capital e possa ser uma ameaça ao acréscimo da exploração dos trabalhadores pelos grandes grupos económicos estrangeiros ou nacionais com pagamento de impostos no estrangeiro.

O Partido Comunista, é o alvo preferencial, primeiro é considerado o “agente” do vírus por não desistir da Festa do Avante!.

Constatada a falácia das acusações, de que a Festa do Avante seria a maior “cadeia de transmissão”, tratam o povo como os meninos a quem se diz(ia) que se vai chamar o papão para comerem a sopa toda, pelo imaginário bacoco/infantil da chamada  “percepção”, “percepção” do perigo iminente do contágio para, depois da, porventura, resposta do espelho da fada má, lhes dizer o ridículo das acusações, que mais tarde ou mais cedo se irão virar contra eles, deixar de ser um problema sanitário para passar a ser um problema político. Um problema de equidade provocado pelas proibições impostas aos cidadãos, proibições que o PCP estava a demonstrar serem desnecessárias, desde que à população seja explicado qual o comportamento, individual e colectivo garante de riscos sanitários mínimos, “percepção” criada pelos comentadores de serviço, pelas declarações “musculadas” justificativas dos estados de emergência.

Os “afectos”, com beijos e selfies, para registo televisivo, transformam-se, no recôndito dos gabinetes, na palmatória da legislação coerciva, imposta pela convicção de que o povo não está preparado para compreender os necessários comportamentos impostos pelo que, à data, se conhece da pandemia.

Alguns comentadores confessam a derrota infligida pelo exemplo da Festa do Avante, festa que os comunistas não fizeram contra ninguém, mas que foi, como sempre, a festa inclusiva de todos os democratas, a festa internacionalista, a festa do debate de ideias, a festa do desporto, a festa das artes, a festa da ALEGRIA, A FESTA DA VIDA.

A vida ganhou alento a festa foi um exemplo.

O Verão, com as viagens, com o maior convívio familiar, com menor confinamento em casa e maior vida ao ar livre, manteve a “curva” achatada.

O regresso ao trabalho, ao “confinamento” nas empresas, nos transportes públicos, antecipou a segunda vaga da pandemia não dando tempo à responsabilização do frio, voltando a evidenciar a fragilidade e o tempo perdido com o não reforço dos serviços públicos, em particular o Serviço Nacional de Saúde, mas também a Educação e o deserto de residências de apoio à terceira idade públicas.

Surge, então, nova vaga anti-comunista, desta vez é o congresso, reunião magna do Partido em que é feito o balanço de actividade e se prespectiva a actividade a desenvolver no curto/médio prazo aferindo a actualidade do programa e estatutos.

O Congresso dos comunistas é o corolário de centenas de reuniões em que a situação internacional, a situação nacional são caracterizadas, assim como a resposta das massas trabalhadoras e o seu enquadramento nas prespectivas da política alternativa patriótica e de esquerda por que lutamos, assim como os pontos fortes, fracos e medidas de reforço a desenvolver para que o partido continue a servir os trabalhadores e o povo.

O nosso congresso não é uma reunião de lavagem de roupa suja para encontrar um mediático “entertainer”, construído ou a construir pelos média, ao serviço do capital. É a consagração da síntese plasmada na resolução política, não como um conto de fadas ou como um livro sagrado que só tem aderência à realidade nas iluminadas leituras das suas parabólicas entrelinhas, mas como um guia que vai permitir a todos os comunistas lutar concertadamente por objectivos claramente e publicamente expressos.

Os Comunistas não são os responsáveis pelos “congressos” de outros partidos não terem a importância do seu, podendo ser adiados ou eventualmente mascarados com meios adequados a reuniões de conselhos de administração, mas não próprios de reuniões com centenas de participantes, naturalmente com características diferenciadas.

No momento em que estou a escrever esta crónica está a decorrer o nosso Congresso, com a atenção dividida entre a escrita e as intervenções, a que tenho acesso via internet, meio adequado para um convidado.

Como devem calcular as intervenções não são, para mim, novidade, mas motivadoras para continuar a lutar e resistir.

Viva o XXI Congresso do PCP.

Mafra, 28 de Novembro de 2020.

José Martinez
Membro da direção concelhia do PCP e deputado municipal pela CDU.

 


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