Viagem pelos Castelos de Portugal | Castelo de Montemor-o-Novo [Imagens]

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Na nova rúbrica do Jornal de Mafra, Viagem pelos Castelos de Portugal, vamos hoje até ao Alentejo, para visitar o Castelo de Montemor-o-Novo.

O castelo situa-se na antiga freguesia de Santiago do Castelo, hoje união das freguesias de Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras, no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora.

Este Castelo foi conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques, pouco depois de 1166 e está construído sobre as prováveis ruínas de uma remota fortificação muçulmana, tendo sido alvo de várias reconstruções ao longo dos séculos. Segundo reza a história terá sido aqui que a travessia marítima para a Índia de Vasco da Gama terá sido ultimada, durante as Cortes de 1496.

Aquando do terramoto de 1755, já se encontrava bastante degradado, mas os efeitos do sismo contribuíram para acelerar o processo de decadência das defesas.

Descrição: Planta triangular, irregular. Panos de muralha voltados a N. pontuados externamente por doze cubelos semi-circulares. No troço SO. a muralha encontra-se interrompida, tendo desaparecido totalmente no flanco SE., onde se situaria a Porta de Évora ou o postigo. Acesso principal pela Porta da Vila, de Santarém ou Porta Nova, a N., de vão em arco pleno; é flanqueada pela Torre do Relógio, de planta quadrada, com porta em arco quebrado ao nível do adarve, sendo este rematado por ameias piramidais; corpo do relógio com coroamento cónico e ameias chanfradas; acesso através de uma escada exterior e porta em arco quebrado. Adossada pelo lado exterior, a Casa da Guarda, de planta rectangular, com cobertura em terraço; na fachada O. o escudo e as armas de D. Manuel; interior abobadado. Na vertente O. a Porta do Bispo ou do Anjo ladeada por duas torres de planta quadrada, uma das quais conserva telhado de quatro águas, vãos de lintel recto e arranque do arco que permitia a ligação à Casa dos Condes de Santa Cruz. A E., a Porta de Santiago ou do Sol (podendo corresponder à Porta de Évora) flanqueada pela Torre da Má Hora, de planta quadrada e rematada por ameias piramidais. A área da Alcáçova ou Paços dos Alcaides, implantada sobre o Monte Maior, orientado a S., apresenta planta rectangular concentrada, com acesso directo ao exterior através de uma estrutura em forma de couraça. Parte da muralha subsistente é cintada por três cubelos angulares semi-cilíndricos; destaca-se o cubelo do lado O., com duas janelas em arco conopial, interior coberto com abóbada de meia-laranja e cornija polilobada. Na sua proximidade torre de planta quadrada, adossada ao lado exterior da muralha e que poderá ter correspondido à torre de menagem. Mantém-se o espaço onde se organizava um pátio, dotado de cisterna, assim como parte da fachada E. do Paço, hoje restrita a um pano murário, unindo dois cubelos e com dupla arcada de volta inteira nos dois registos. Panos de muralha voltados a N. pontuados externamente por doze cubelos semi-circulares. No troço SO. a muralha encontra-se interrompida, tendo desaparecido totalmente no flanco SE., onde se situaria a Porta de Évora ou o postigo. A NO. a Cisterna-açougue de planta rectangular de duas naves com cobertura em abóbada de berço, parcialmente derrocada; no inetrior vestígios de pinturas murais. No interior da cerca encontram-se, entre outras estruturas arquitectónicas, a Igreja de São João Baptista, a Igreja de Santiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação e as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo.

 

 

Época de Construção: Séc. 13 / 14 / 15 / 16

Arquitecto / Construtor / Autor: Afonso Mendes de Oliveira (Séc. 16)

Materiais: Granito e xisto, alvenaria argamassada e cantaria; tijolo

Protecção: Monumento Nacional

Enquadramento: Peri-urbano. O circuito muralhado implanta-se na orla de uma colina com c. de 300m de altitude, sobranceira ao rio Almansor. Delimita a antiga área urbana, hoje arruinada e deserta, mas onde se observa a Igreja de Santiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação, as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo, entre outras estruturas arquitectónicas ainda identificáveis. As ruínas do Paço dos Alcaides erguem-se num dos três cabeços que coroam a colina; na sua proximidade a Igreja de São João Baptista e um dos actuais depósitos de abastecimento de água, resultado do aproveitamento de uma antiga cisterna. A Casa da Guarda, encontra-se adossada, extramuros, à Porta da Vila na muralha N. do Castelo, afrontando a Igreja de São Vicente e a Casa dos Morgados Cunhas e tendo a S. a Torre do Relógio e a N. o Núcleo urbano extramuros. A NO. das muralhas a Cisterna-açougue, conhecida por Matadouro mourisco, erguendo-se, semi-enterrada, na orla de uma colina com c. de 300m de altitude, sobranceira ao rio Almansor.

Utilização:
Inicial: Militar: castelo e cerca urbana
Actual: Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade:
Pública: estatal

Afectação: DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009 / Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, auto de cessão de 28 de Maio 1996 (Convento de Nossa Senhora da Saudação)

Cronologia
Época Romana – hipotética ocupação do denominado Castrum Malianum, indiciada pela identificação de um cipo funerário e da lápide que se encontrava na Igreja de Santa Maria do Bispo ( v. PT04070603006 ); Época Muçulmana – suposta existência de povoação fortificada, que teria estruturado o espaço urbano intra-muros, em particular a área da alcáçova; 1166 – reconquista do castelo; 1191 – destruição provocada pela invasão almóada; 1203 – concessão de carta de foral por D. Sancho I, sendo explícita a intenção de povoar a Vila; 1234 – provável instituição da paróquia de Santa Maria da Vila, também designada por Santa Maria dos Açougues, por Domingos Pelagio, filho do povoador Pelagio Peres; 1280 / 1310 – provável intervenção no castelo e muralhas por iniciativa de D. Dinis ( ESPANCA, 1975 ); 1365 – campanha de obras no castelo; Séc. 14 – provavel data de construção do Paço dos Alcaides que funcionou com sede de Alcaidaria-mor da Vila, dos Condes de Santa Cruz; 1451 / 1455 / 1466 / 1499 – renovação das muralhas e do castelo, da responsabilidade do alcaide D. João de Bragança, generalizando-se a designação Paço dos Alcaides; 1478 – referência ao alpendre da Porta Nova; 1485 – obras de renovação da Praça da Vila e do Açougue; 1499 – D. Manuel ordena ao concelho a urgente reparação dos muros e cubelos; instalação do relógio na Torre de Santarém; Séc. 15 / 16 – cenário de frequentes estadas régias sendo o Paço dos Alcaides palco de decisões históricas como a partida de Vasco da Gama para a Índia; 1502 – conclusão dos muros contratada com o mestre de obras Afonso Mendes de Oliveira; construção da Casa da Guarda destinada a reforçar a segurança da Porta da Vila a principal entrada no Castelo; coroamento da Torre do Relógio; 1642 – ordem régia para reedificação das muralhas, por solicitação municipal; 1663 – o Conde de Vimioso foi encarregado de promover as obras dos muros da Vila; 1664 – João Coutinho é nomeado ajudante de engenheiro das obras de fortificação, que em 1688 ainda permaneciam por concluir; teria sido iniciada a construção dos fossos e de revelins rudimentares em terra (ESPANCA, 1975); 1755 – o espaço intra-muros encontrava-se já abandonado e apenas duas pessoas habitavam o Paço dos Alcaides; 1777 – intervenção na Porta do Anjo; 1808 – incursão das tropas de Loisson; 1912 – mutilação de estruturas quinhentistas no denominado baluarte de Santiago; 1929 – reparação da Torre do Relógio; 1936 – derrocada de cerca de 30m de pano de muralha no lado N., na sequência de ciclone; 1956 / 1961- desmoronamento de alguns troços de muralha; 1964 – projectada a instalação de um parque de campismo no espaço intra-muros, entre o Paço dos Alcaides e a Porta do Bispo; 1992, 01 junho – o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1996, desde – têm-se registado vários aluimentos nas muralhas; 2006, 16 de Novembro – Alteraçãodo do PDM ratificada pela Resolução do Conselho de Ministros nº2/2007, publicada no DR, 1ª série, nº4, de 5 Janeiro.

 

Intervenções realizadas:
DGEMN: 1937 / 1945 – obras de restauro, construção de dois troços de muralha que se encontravam desmoronados, consolidação e regularização do pano de muralha junto à Porta da Vila; 1962- consolidação das muralhas; 1965 / 1966 – reparação da Torre do Relógio; 1968 – obras de consolidação das muralhas no troço entre a Porta do Relógio e a Porta do Bispo; 1970 – obras de consolidação da Torre do Relógio e panos de muralha adjacentes; 1978 – diversos trabalhos de beneficiação do Convento da Saudação e consolidação de panos de muralha; 1982 – obras de beneficiação das muralhas no troço N.; 1983 – obras de conservação na Torre do Anjo, consolidação da abóbada e paredes do Paço dos Alcaides; 1983 / 1987 – escavações arqueológicas dirigidas por Tatiana Resende; 1986 – obras de recuperação na Torre do Anjo; 1992 / 1993 – intervenção arqueológica dirigida por Ana Gonçalves; IPPAR: 2001 – obras de recuperação da Torre da Má Hora (obra em curso); 2010 – obras no interior da Casa da Guarda.

 

[Fonte: DGPC]

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