Casinos online em Portugal batem recordes em volume de apostas ano após ano

O negócio de casinos online tem crescido em todo o mundo, e em Portugal não é diferente. Segundo relatório divulgado pelo Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos (SRIJ), os Portugueses gastaram quase mil milhões de euros em casinos online, no primeiro trimestre deste ano. Esse montante representa um crescimento de quase 60% no valor apostado, em comparação ao observado no mesmo período em 2019. No primeiro semestre do ano passado, o faturação dos casinos já havia batido um recorde no país, chegando à marca dos 609 milhões de euros. O que os números do SRIJ indicam, portanto, é um crescimento expressivo e contínuo dos jogos de azar online em Portugal.

Além do aumento do interesse dos Portugueses pelos casinos virtuais, a receita das casas de aposta também tem crescido. Este ano, o crescimento foi de 47% (70 milhões, em comparação com 47 milhões arrecadados em 2019). Já o valor arrecadado em impostos passou de 15 milhões para 21 milhões. Ao mesmo tempo, o número de novos jogadores cresceu 25,8% nesse mesmo comparativo.

Desde o ano anterior, três novas casas de apostas haviam obtido autorização do SRIJ para operar online, o que pode ter contribuído para o aumento dos números registrados. Depois do final do trimestre, mais uma licença foi emitida pela entidade. Agora, são 14 os casinos com autorização para operar em Portugal, incluindo as casas listadas em bestcasinosites.net/portugal.

Efeitos do confinamento

A forte alta observada nos números do SRIJ não pôde ser relacionada ao recente período de confinamento por que passaram os Portugueses, provocado pelo Covid-19. Dos 91 dias que compõem o trimestre analisado, apenas 15 foram sob o abrigo do estado de emergência, iniciado a 16 de março. Além disso, ainda em abril, o parlamento aprovou diversas medidas com o intuito de limitar o acesso a sites de aposta. Essa foi uma forma de tentar coibir possíveis consequências negativas sobre viciados no jogo e menores de idade.

Não pode ser descartado, no entanto, um possível impacto do confinamento sobre o interesse em jogos de azar online. As medidas do parlamento certamente ajudaram a conter parte do efeito do confinamento sobre esse mercado, mas os números do trimestre seguinte (abril a junho) ainda incluíram 16 dias em que as casas de aposta funcionaram livremente. Contando com os 15 dias de março já sob o estado de emergência, terá sido um mês de confinamento sem restrições a casinos e outros jogos de azar online.

Além do possível impacto direto do confinamento, com os apostadores a passar mais tempo em suas casas, pode ter ocorrido também uma migração das apostas desportivas, já que estavam canceladas as principais competições nesse período. Com os jogos de futebol suspensos e a grande oferta de casinos online à disposição dos jogadores, esse tipo de aposto pode ter se tornado uma opção valiosa àqueles que se viam fechados em casa, muitas vezes também afastados de atividades laborais e à procura do prazer instantâneo proporcionado pelo jogo.

Apostadores cada vez mais jovens

Segundo os números do SRIJ, a grande maioria dos Portugueses que apostam online tem até 44 anos (85,5% do total). Mais que isso, chama a atenção a idade dos novos apostadores: 29,9% dos novos jogadores, em relação ao primeiro trimestre de 2019, tem entre 18 e 24 anos. É o segundo maior contingente de novos apostadores, pois fica atrás apenas da faixa etária seguinte – entre 25 e 34 anos, que corresponde a 33,3% do total. Como a diferença da distribuição entre essas duas faixas é pequena, o problema parece ainda maior, visto que a faixa etária de 18 a 24 anos compreende menos anos que a seguinte – apenas sete anos contra 10.

O apelo dos jogos de azar e apostas online junto aos mais jovens ocorre mesmo com os esforços do SRIJ no combate a operações ilegais e à publicidade direcionada a menores de idade, entre outras formas de propaganda fiscalizadas pela entidade. Com apenas quatro anos de existência em Portugal, o setor de casinos online, em franca expansão, é um dos responsáveis por levar mais jovens a apostar. Desde o início da operação legal das casas de aposta no país, com a regularização da atividade a partir de 2015, a atenção de quem apostava maioritariamente em partidas de futebol passou a ser dividida com bacarás e slot machines.

Um mercado em rápida expansão

O mercado de casinos online ainda é relativamente jovem, e parece cada vez menos voltado aos seus apostadores mais tradicionais. Com a evolução da tecnologia e a crescente competição entre as casas de aposta, os casinos reinventam-se para poder conquistar novos públicos.

Umas das principais tendências desse mercado, e que ajuda a explicar a crescente participação de apostadores mais jovens nos números do SRIJ, é a migração para os smartphones. Certamente não é exclusividade dos jogos de azar, já que a revolução trazida pelo ambiente mobile afeta, já muito tempo, a maioria das atividades econômicas. No entanto, a popularização crescente dos smartphones e os planos para telemóvel com pacotes de dados cada vez mais generosos têm feito com que as versões de jogos de casino para mobile correspondam a uma faturação maior, hoje em dia, do que o de suas versões para desktop.

Com a tendência de um uso cada vez maior de smartphones pela população Portuguesa (e mundial), o avanço da indústria de casinos e jogos de azar sobre essa plataforma tende a tornar ela o principal vetor de expansão das apostas online nas próximas décadas. Os slot machines estarão cada vez mais presentes nos telemóveis, representando uma fonte valiosa de receita para o Estado, mas uma preocupação a mais quando se trata de evitar os efeitos do vício em jogos entre crianças e adolescentes.

A aposta que Portugal e outros países fizeram, ao promover a regularização dos jogos de azar junto a estratégias de mitigação de seus efeitos sociais, segue ameaçada pelas casas de aposta ilegais, que não são monitoradas de perto e dividem a atenção – e o dinheiro – dos jogadores com as casas regularizadas. Segundo estudo da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, divulgado em outubro de 2019, 56% dos apostadores registrados em Portugal apostam em sites ilegais, incluindo aposta desportiva. Essa estatística também é liderada, infelizmente, pelos mais jovens.

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