Opinião Política | Leila Alexandre (PS) – O dia depois de amanhã

O dia depois de amanhã

No seu artigo de opinião de hoje [25 de junho] no Público, João Miguel Tavares tem uma reflexão interessante. Pega em três versos de Leonard Cohen para discorrer sobre a dificuldade que, no seu entendimento, Portugal tem em lidar com situações de meandro, e diz (cito), “Portugal também é dado a bloqueios: bastante bom a reagir a acontecimentos extremos, e muito mau nos intervalos do champanhe e do chicote”. Embora aqui contida uma crítica à atuação do atual governo, de uma linha política com a qual me identifico, tendo a concordar. Parece que nos é intrínseca uma incapacidade de lidar com tudo o que não é nem muito mau nem muito bom.

Faço uma avaliação muito positiva do que fomos/fizemos no estado de emergência. Até acho que fomos muito precavidos no momento em que escolhemos para o iniciar e zelosos nas medidas implementadas. Creio que evitámos um desastre daqueles a que assistíamos nas notícias internacionais. No entanto, agora parecemos estar numa zona de limbo onde já não estamos na emergência decretada mas também não podemos respirar de alívio: Portugal está a suster a respiração e ninguém sabe muito bem por quanto tempo.

Por aqui, para os lados de Mafra, acontece o mesmo. Seguimos esta linha nacional de um pé no champanhe e outro no chicote. Findo o estado de emergência, Mafra parece o parente encolhido nas festas, que não fala com ninguém mas escolheu o melhor fato. A sul, Odivelas, Amadora, Loures, Lisboa e Sintra estão a arder – e nós vemos o fumo paralisados. No estado de emergência, o Executivo municipal (que por essa altura não me inibi de elogiar) criou serviços de resposta social, acorreu aos cidadãos e às empresas, distribuiu máscaras e kits de proteção, mandou que as Juntas desinfetassem as ruas. Fê-lo bem. E agora? As Juntas questionadas sobre o que estão a fazer para prevenir e combater a pandemia, parecem não saber responder e já ninguém faz vídeos a explicar nada à população, qual canal rural de notícias da casa. Os maiores problemas voltaram a ser, como alguém me dizia no final de uma Assembleia de Freguesia, “as ervas e os cocós”.

O que foi feito até agora, em meu entendimento, foi útil, necessário e imediato na resposta. Resta saber o que está previsto para “o dia depois de amanhã” – e não nos basta nem repetir o que fizemos ontem nem continuar a assistir à dança encostados ao balcão.

 

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