Mafra | Em sessão de câmara sem público só o PS apresentou uma saudação ao 25 de abril

Teve hoje lugar nos Paços do Concelho da vila de Mafra, uma reunião ordinária da câmara onde, durante o período antes da ordem do dia, o vereador pelo partido socialista, José Graça, também presidente da comissão política local daquela força política, fez a única declaração alusiva ao 25 de abril, data que amanhã o país comemora, ouvida na sessão de câmara.

O 25 de abril de 1974 marca a instauração do regime democrático em Portugal no quadro da 3ª república, sinalizando o final de um período em que as liberdades políticas democráticas, as mesmas que permitem o atual quadro em que se move o poder local, foram restauradas depois de quase meio século de poder autoritário.

Por se comemorar amanhã o 25 de abril, e por ser esta a única intervenção que na sessão de câmara de hoje, se referiu ao tema, apresentamos de seguida a declaração política alusiva ao 25 de abril, proferida pelo vereador José Graça.

Estamos e vamos vencer a crise pandémica, feito que deve ser valorizado pela intervenção de todos os Portugueses tal como no ido ano de ’74, um punhado de militares, venceram o medo e a opressão que, então, se abatia sobre o povo português.

É preciso combater o vírus, sim, o vírus das emoções e dos medos do regresso a um passado obscuro, torturador, opressor onde o grito da palavra “Liberdade” era sinónimo de uns dias ou meses passados nas muitas prisões do Estado Novo.

Medo; pelo rolo compressor da polícia politica; Angústia por se viver num pais a definhar em que a emigração era o farol na procura de mais liberdade, desenvolvimento e maior justiça social; Esperança em que nas novas gerações fornecidas à máquina da guerra colonial, estes Homens viessem a ser o farol de um dia novo e livre.

Há 46 anos atrás, a Liberdade instalou-se assim em Portugal.
Que haja memória, que haja gratidão, que seja pela esperança renovada que aqui se recordem os resistentes de há décadas, prestando o nosso indelével reconhecimento. Aos que partiram, aos que permanecem entre nós, aos que nunca esqueceram o que fizeram e aos que, além disso, continuam a sonhar com um futuro melhor para Portugal.

Uma liberdade que trouxe a Portugal um regime democrático consagrado, numa Constituição da República que ainda hoje é uma referência na Europa democrática, que terminou com as vergonhosas taxas de mortalidade infantil, da falta escolaridade e em gélidos casarios, de um ensino académico que fosse o gerador de uma nova sociedade, com a falta de infraestruturas básicas.

Uma liberdade que trouxe a este Portugal renascido um Serviço Nacional de Saúde, pela mão do Dr. António Arnaut cujo nome, é hoje, justo recordar, uma liberdade que nos permitiu devolver a independência aos territórios africanos. Tudo isto nos uniu.

O Estado democrático e a comunidade têm hoje e de novo um enorme desafio e em que, tal como em ’74, todos somos chamados a participar; vencer o Medo, agora perante um inimigo invisível, ultrapassar a Angústia por se estarem a viver dias de isolamento para os quais nunca estivemos preparados mas com Esperança que o dia amanhã continue a ser o farol da liberdade

Se Abril nos trouxe liberdade e desenvolvimento é preciso que neste ano 2020, honrando Abril, a nossa a próxima batalha seja a de um Portugal livre de maléficos vírus, com a esperança numa recuperação económica que garanta os níveis de emprego desejáveis e necessários às famílias, mantendo os ganhos conquistados pelo Planeta Terra onde, visivelmente, se respira melhor.

Hoje, 46 anos depois, manda a verdade que se reconheça que se deve continuar a preferir a democracia, mesmo a mais imperfeita, à ditadura. Aquela que, mesmo a mais demagógica e travestida de populismo fácil, só possível porque, em democracia, todos contam. Mesmo aqueles que a dizem enjeitar!

   

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