O Jornal de Mafra ouviu portugueses a viver a pandemia nos quatro cantos do Mundo

Nesta altura são muitos os portugueses espalhados pelo mundo, que estão a viver esta situação de pandemia provocada pela covid-19 longe de casa, por trabalham, como acontece com muitos portugueses, por esse mundo fora.

O Jornal de Mafra falou com alguns portugueses sobre a forma como estão a viver esta situação, que não escolhe idade, sexo, cor ou religião e que está a atingir todo o mundo.

Eles estão na Alemanha, no Brasil, na Irlanda, em França, no Reino Unido, na Suíça e no Qatar, todos eles desejosos  – como diz a música de Pedro Abrunhosa “Quero voltar, Para os braços da minha mãe” – de regressar e matar saudades de todos os que deixaram em Portugal.

Aqui ficam alguns dos testemunhos que recolhemos, quando a todos perguntámos, como estão a viver estes tempos de pandemia, espalhados pelo mundo fora.


Ana Borralho, dona de casa por opção, tem 44 anos e vive há quase 5 anos, com o marido, Bruno, engenheiro informático, com tem 39 anos, e o filho, em Jungheim, na Alemanha. Ana é do Barreiro e Bruno nasceu em Amiais de Baixo (Santarém). Por esta altura ainda estão sem saber se podem vir a Portugal em julho como tinham planeado, vão matando as saudades de Portugal, como sempre através da internet e do telefone. Está agora a iniciar a 6ª semana de quarentena com o marido em teletrabalho e com o filho sem escola.

A Ana sai uma vez por semana para ir às compras, como vive numa zona rural, duas vezes por semana fazem um pequeno passeio pelo campo.

O filho, Gui, terminou as férias da Páscoa na passada 6ª feira e teve 3 semanas sem aulas, antes das férias. Apesar de não saberem ainda em que condições, sabem já que, como está no 4º ano, irá regressar à escola no próximo dia 27 de abril.

O marido trabalha numa organização europeia, entidade que tomou todos as cuidados desde o início da pandemia, ainda não sabendo quando irá regressar ao trabalho presencial.

Por lá, as restrições foram apertando aos poucos. A maioria do comércio fechou, e tal como em Portugal, os eventos públicos foram cancelados. Estão agora a preparar-se para começar a retomar gradualmente as atividades.

Ana refere que na Alemanha as coisas podem ser decididas pelos estados, sendo que o estado onde eles se encontram, o estado de Hessen, não foi muito afetado.

 

Jonas Rolo tem 44 anos e vive há 3 anos em Doha, no Qatar. A mulher e os 3 filhos juntaram-se a ele há 2 anos.

Jonas é Director Sénior de Sourcing (Compras) no Grupo Ooredoo, um grupo internacional de telecomunicações e desde a segunda semana de março, passou a trabalhas sobretudo a partir de casa, ainda que tenha ido ao escritório de vez em quando. Na segunda semana de abril o escritório fechou e agora trabalha exclusivamente a partir de casa.

Está em casa com a família, 5 pessoas e a empregada e diz que as coisas vão correndo bem uma vez que se vão mantendo ocupados, as crianças com a escola e ele com o trabalho. Uma vez que podem sair à rua, tentam fazer um passeio a cada 2 dias.

No Qatar as restrições começaram cedo. As escolas fecharam no início de março e as crianças tem escola online a partir de casa. Muitas das empresas começaram a trabalhar remotamente, uma semana depois das pessoas serem encorajadas a não sair de casa. Jonas diz-nos que desde a última semana de março, todos os locais públicos (restaurantes, discotecas, ginásios, mesquitas, parques instituições públicas, eventos, praias, lojas e centros comerciais) estão fechados. As únicas lojas abertas são os supermercados e as farmácias.

Vai matando saudades de Portugal e da Roménia (onde está a família da esposa) através de videoconferência e cozinhando e comendo pratos nacionais de ambos os países.

Jonas é da Marinha Grande, mas sempre morou em Lisboa e arredores (Amadora, Oeiras, Massamá).

 

No Brasil, falamos com a Maria, uma advogada de 54 anos, natural de Beja e que está há 8 anos em São José dos Campos, no estado de São Paulo.

Por lá, o confinamento também foi imposto, embora de uma forma menos rígida. Maria está a trabalhar a partir de casa, mas já o fazia antes, tendo optado por sair “muito de vez em quando” para ir passear com o cão.

Quando sai, tenta cumprir com as regras de distanciamento social e em alguns casos usa máscara e luvas. Quando regressa a casa cumpre com as regras de higiene recomendadas, como lavar as mãos e os sapatos, e muda a roupa.

Por lá as restrições impostas passam pelo encerramento de estabelecimentos comerciais, shoppings e restaurante, bem como, pela proibição de aglomerações de mais de 5 pessoas, sendo as pessoas aconselhadas a manterem-se em casa.

Estão abertos os supermercados, bem como outros estabelecimentos que tenham por fim a satisfação de necessidades essenciais, existindo um número limitado de pessoas em cada momento, em cada estabelecimento. As padarias apenas podem servir ao balcão.

Maria mata saudades de Portugal através da televisão e das plataformas digitais: Facebook, watsap, instagram.

 

Sara Correia vive com o marido e o filho de 11 anos, em Zurique, Suíça, desde 2017.

Está a fazer a quarentena repartida com o marido uma vez que a escola do filho se encontra fechada.

Por Zurique, as escolas e quase todos os serviços estão encerrados, as exceções vão para os farmácias, supermercados e alguns serviços que se mantém abertos.

Sara trabalha num banco e presta apoio a clientes que pretendem investir em Portugal. Por lá, as pessoas andam serenas e não falam muito sobre a situação que se está a viver, “acho que é uma questão cultural”.

Sara tem 42 anos e embora tenha vivido em Sacavém, cresceu e viveu em Sintra. Diz que é difícil estar longe da família ainda mais numa situação como esta.

 

Rui Lamy é Lead Solution Engineer na Salesforce e vive há 4 anos em Dublin, na Irlanda.

Tem 43 anos é de Lisboa e vive na Irlanda com a mulher e a filha. Há cerca de um mês que está a trabalhar a partir de casa.
Por lá as restrições passam pelo distanciamento social, não se poder fazer exercício/passear num raio de 2 km à volta de casa e estão todos a trabalhar a partir de casa.

 

Vera Mendes, tem 39 anos, é natural da Covilhã mas viveu a maior parte da sua vida, até imigrar, nas Paivas, no concelho do Seixal.

Faz 6 anos que rumou com o marido de 43 anos e os dois filhos, ele com 9 anos e ela com 6 anos, à região da Gironde, em França, a cerca de 50 kms de Bordéus.

O casal mantém na sua própria empresa, na área da construção civil, eletricidade e obras públicas. Vera já trabalhava a partir de casa na gestão da empresa (contabilidade, contacto com clientes e fornecedores), enquanto o marido trabalhava no exterior, mas por estes dias com o sector da construção praticamente parado está também em casa.

As escolas fecharam no dia 12 de março, funcionando agora em telescola, e Vera transformou-se em professora dos filhos. Tarefa que não se mostrou muito fácil, tratando-se de duas crianças em níveis diferentes de escolaridade, mais a mais, numa língua estrangeira.

Além das escolas estão fechadas as empresas e o comércio, à exceção de supermercados e farmácias. A deslocações apenas são permitidas para a aquisição de bens essenciais, idas ao médico, para o trabalho se não for possível o teletrabalho e para assistência a pessoas idosas. As saídas de tempo reduzido para a prática de desporto também são permitidas.

Todas estas deslocações apenas são possíveis depois do preenchimento, obrigatório, de uma declaração disponibilizada pelo governo e as sanções aplicadas pelo incumprimento destas regras são bastante pesadas, existindo um forte dispositivo de forças policiais por todo o lado.

Até ao próximo dia 11 de maio vão manter-se em confinamento. Por sorte, a família não vive num apartamento e tem um jardim, sendo que, com a ajuda de S. Pedro, têm conseguido “sair e respirar” e as crianças têm espaço “para correr, brincar e ser livres”.

Vera vai matando saudades de Portugal como já o fazia antes, falando com a família ao telefone, e por vídeochamadas. Antes desta situação ligava várias vezes, mas “agora ligo todos os dias”. Confessa que a tranquiliza saber que em Portugal a situação não é tão grave, e sempre ficam mais descansados com a família que está por cá.

Este ano o “tão aguardado mês de agosto” é uma incerteza. Não se sabe “qual vai ser a evolução” e “se vamos realmente ficar todos bem ou não”, “se nos vai ser permitido, falasse em fronteiras fechadas até setembro, há quem diga até ao final do ano”.

 

 

Sérgio Martins reside em Londres, com a esposa e a filha há 6 anos e estão a trabalhar a partir de casa.
Sérgio realça que por Londres as restrições são semelhantes às de outros países, salientando que é permitido às pessoas saírem à rua uma vez por dia, para fazer exercício.

 

 

Bela tem 48 anos é natural de Lisboa e está há 6 anos e meio em Lyon, França. Trabalha no Lidl e com todas as medidas de segurança.
Bela diz que por Lyon são muitas as restrições em vigor, estando tudo fechado. As saídas à rua são feitas apenas com uma autorização e quem não tiver a autorização necessária para sair à rua terá de pagar uma multa de 135€.
Vai matando as saudades do nosso País falando todos os dias com os pais.

 

   

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