Opinião Política | Alexandre Nascimento (ALIANÇA) – Enganar os tolos!

 Enganar os tolos!



Muito se tem falado durante as últimas semanas acerca do enorme embuste, digo eu, do
Excedente Orçamental para 2020 e daquilo que, dizem (digo bem… dizem), tem sido uma
execução orçamental rigorosa. Será?

Tenho como certas duas coisas… que as pessoas estão sempre primeiro e que, sem saúde, as
pessoas não vivem… sobrevivem, aguentam… até um dia!

Vamos a factos!

Com um SNS a implodir por dentro e a rebentar pelas costuras, com Médicos e Enfermeiros
insuficientes, descontentes e extenuados, com tempos de espera para uma cirurgia ou para
uma simples consulta absolutamente desumanos, Urgências caóticas, dívidas a fornecedores
avultadíssimas, infraestruturas degradadas e insuficientes, falta de equipamentos e por aí fora,
o que é que o Governo, apoiado pela Frente de Esquerda que tem guiado os destinos do nosso
País ao longo dos últimos 4 anos, decide fazer? Esquecer a Saúde, esquecer que as pessoas
sofrem… esperam… desesperam e, ao contrário de tudo aquilo que seria expectável,
desinvestir no SNS, preferindo fazer brilharetes e vangloriar-se, agora, com um Excedente
Orçamental.

Este Executivo (digo “Este” porque com duas ou três caras novas, trata-se exatamente do
mesmo) nunca cumpriu o que tinha previsto em Orçamento de Estado para a Saúde, ao longo
de toda uma Legislatura. Sabemos hoje que, ano após ano, foram apresentados números que,
afinal, nunca foram executados. Foram, uns atrás dos outros, orçamentos para enganar tolos…
investiu-se na saúde apenas 54% do orçamentado em 2016, 48,5% do previsto em 2017 e uns
surpreendentes 44% de toda a verba que estava prevista para o SNS em 2018.

Enquanto 18 países da Zona Euro têm vindo a aumentar os seus níveis de despesa com a Saúde
Pública e outros 14 os têm mantido, Portugal opta por reduzir a despesa com o bem-estar e a
vida dos seus cidadãos.

Excedentes orçamentais??? Como diz o outro… assim também eu!

A execução orçamental para a Saúde em 2018 (último ano em que as contas estão já fechadas
e, por isso, conhecidas) foi de 132 Milhões de euros, quando o que estava previsto em
Orçamento de Estado eram 301 Milhões. As perguntas, mesmo para os mais distraídos,
surgem de imediato… estando o SNS na situação absolutamente caótica que todos sabemos,
por que razão não foi executado todo o valor orçamentado? Onde estão os restantes 169
Milhões de Euros previstos e não investidos na Saúde em 2018? Para que é que se fazem
Orçamentos se, depois, estes não são para cumprir? Porque é que se investe cada vez menos
naquele que é hoje, com toda a certeza, o problema nº 1 do nosso País?

É preciso não ter nenhuma vergonha na cara! Apontar ao crescimento económico, a metas do
deficit e ao cumprimento de objetivos europeus é fundamental para um país periférico e
pobre como Portugal? Sim, é! Mas colocar todos esses desígnios à frente da vida dos seus
concidadãos é, simplesmente, deplorável.

Em Política a sério… com políticos de caráter, a vida humana devia estar em primeiro lugar.
Num país como deve ser, a pessoa deve estar sempre no centro das decisões políticas.

Com papas e bolos…

 

Alexandre Nascimento
Presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa
Partido ALIANÇA

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