Mafra | Convenção Nacional de Rádios 2019

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Mafra | Convenção Nacional de Rádios 2019

 

A Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), que representa 160 rádios locais, regionais, públicas e privadas, organizou a Convenção Nacional de Rádios 2019, que teve ontem lugar em Mafra, no salão do edifício da Loja do Cidadão.

Durante a convenção analisou-se a situação atual deste setor da comunicação social, com um enfoque especial no Contencioso com a PassMúsica, ou seja, os problemas relacionados com os direitos de autor. Também o futuro esteve em discussão, com temas ligados com a passagem de uma  programação linear para uma programação não linear, com a produção de conteúdos híbridos e com os problemas que se levantam na passagem para plataformas digitais.

“As rádios já perceberam que ser a voz do dono, não rende, nem economicamente, nem em termos de credibilidade”
[José Faustino Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Radiodifusão]

O Jornal de Mafra esteve à conversa com José Faustino, Presidente da Direção da APR, para quem o momento atual é complicado para o setor, embora isso não o impeça de planear o futuro, nomeadamente na operação digital. O setor da rádio é caraterizado por José Faustino, como sendo o parente pobre da comunicação social, até pelos constrangimentos que o estado tem vindo a colocar ao setor, com especial referência às questões da regulação, que constituirão um empecilho e que têm custos.

Também as “novas” formas de comunicação, a internet, constituem para José Faustino, um desafio para as rádios, nomeadamente, quando se fala de receitas. Já quando se fala de audiências da rádio, estas perecem estar a aumentar, justamente à conta das rádios locais.

A nível das rádios, o mercado publicitário não terá ainda recuperado da última crise financeira, situação que se refletirá sobretudo nos mercados de proximidade, influenciados por micro e pequenas empresas.

É importante que o poder político central se vire para a comunicação social. Passámos 4 anos com um governo que não tem políticas para a comunicação social”
[José Faustino Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Radiodifusão]

Em contrapartida, quando perguntámos acerca da importância da independência das rádios locais face aos poderes locais, constituídos sobretudo pelas câmaras municipais, que em muitas áreas são mesmo a maior “empresa” do concelho, o presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão

afirmou que “as rádios cada vez estão mais independentes” e “que é natural que a maior empresa seja um bom cliente da rádio e que isso não obriga, necessariamente, que o presidente da câmara mande na rádio“, referindo ainda que “as rádios já perceberam que ser a voz do dono, não rende, nem economicamente, nem em termos de credibilidade. Eu não digo que não acredito que algumas rádios não tenham alguma dependência da câmara, ou da força política que manda na câmara, mas é uma minoria, são números muito residuais“.

O presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão aproveitou também para mandar “um recado” ao poder político central, quando referiu que “É importante que o poder político central se vire para a comunicação social. Passámos 4 anos com um governo que não tem políticas para a comunicação social, não fala com a comunicação social e com o setor da rádio também não, e vamos ver se este novo governo muda de atitude. Têm de arranjar políticas, não é dinheiro, é perceber o que se está a passar e não criar obstáculos“.

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