Crónica de Psicologia por Filipa Marques | Cyberbullying – uma nova forma de crime?

Cyberbullying – uma nova forma de crime?

 

Com a escola a recomeçar é importante preparar positivamente o novo ano letivo, ganhando motivação, empenho e força para retomar os estudos. Mas, a escola não é apenas para aprender conteúdos. Aliás, é um meio importante de socialização e aprendizagens para a vida e, como tudo na vida, tem as suas vantagens e os seus perigos. Vamos conhecer e refletir sobre um dos perigos que a escola (e não só!) traz consigo nos dias de hoje – cyberbullying. Infelizmente, um fenómeno cada vez mais praticado. Só em Portugal, 1 em cada 10 alunos já foi vítima de cyberbullying.

O cyberbullying é a prática de bullying através das tecnologias de informação e comunicação. Ou seja, a prática de atos ou palavras violentas e/ou agressivas através dos meios tecnológicos, realizados de forma intencional e repetida com o propósito de intimidar, humilhar, perseguir ou difamar determinada pessoa.

No fundo, o cyberbullying vem dar continuidade a muitas das agressões que já se praticam nas escolas, colocando-as à vista do mundo através da internet, o que aumenta o impacto negativo da agressão na vítima e aumenta no agressor a perceção de objetivo alcançado – fragilizar determinada pessoa.

Em que atos é que o cyberbullying se traduz? Vou dar alguns exemplos.

Perfis de Facebook falsos para “brincar” com os sentimentos de outra pessoa.

Mensagens depreciativas e intimidantes, enviadas com intencionalidade de fragilizar psicologicamente aquele que as recebe.

Telefonemas anónimos.

Vídeos de agressões publicados na internet.

Fotografias privadas que são expostas, por exemplo após o fim de um namoro.

Pessoas com identidade falsa a tentar seduzir outras.

Promessas de encontros marcados que não são verdadeiros.

Chantagem emocional online.

 

É essencial haver campanhas de sensibilização nas escolas (felizmente já existem algumas!) sobre este tema e é também importante estarmos cada vez mais atentos à possível ocorrência deste fenómeno, para o podermos reportar.

É essencial proteger as vítimas, mas também estar atento aos sinais para percebermos quem poderá ser agressor. Na verdade, um dos maiores perigos e motivos para o aumento do número de casos de cyberbullying é o facto de qualquer pessoa poder ser agressora: basta ter a intenção e o acesso às tecnologias de informação e comunicação. Já não é necessário ter força física ou ser corajoso para enfrentar o outro e o atemorizar, como no tempo em que andávamos na escola. No cyberbullying a identidade agressor é na sua maioria camuflada, o que faz com que qualquer pessoa possa ser cyberbuller.

Sendo um tema atual estão a surgir cada vez mais meios de identificação do cyberbullying e estratégias de prevenção, bem como notícias e estudos através dos quais nos podemos informar. Vamos estar atentos e pensar mais sobre isto.

 


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Filipa Marques Psicologia


 

 

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