Trabalhadores da Tapada de Mafra estão em Greve [Imagens]

Trabalhadores da Tapada de Mafra estão em Greve

 

Desde que a atual gestão da Tapada Nacional de Mafra (TNM) tomou posse, sob a tutela do Ministro Capoulas Santos e tendo à frente Paula Simões, as relações entre a direção da tapada, personificada na sua diretora, e os seus trabalhadores, têm sido muito azedas, pautando-se por confrontos quase permanentes.

Estes confrontos culminaram agora numa inédita greve (ver notícia do Jornal de Mafra), a que a direção da Tapada já reagiu (aqui).

Portões da tapada encerrados, todos os trabalhadores em greve, à exceção de 2 funcionários que, segundo informação do sindicato, não terão aderido por estarem em final de contrato. Vários órgãos de comunicação social de âmbito nacional presentes, incluindo televisões. A nível local, como vem sendo habitual, e uma vez que não se tratava de uma festa, só o Jornal de Mafra esteve presente.

 

“Temos todos os trabalhadores de coração destroçado, chegámos a um limite”

[Margarida Gago, delegada sindical da Tapada Nacional de Mafra]

 

Marco Santos, representante do STPFPS revelou-nos algumas situações que, no mínimo serão insólitas, como o caso de um trabalhador “que se sentiu mal numa viatura em que viajava também a diretora da tapada, tendo a senhora diretora deixado o trabalhador no meio da mata” sem assistência. Este trabalhador terá ligado depois ao sindicato, que por sua vez terá ligado ao INEM, que o terá então recolhido no local onde terá sido “abandonado”. Este representante sindical mostrou ainda alguma surpresa pelo facto de a senhora diretora da tapada, depois de condenada pela ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), por um comportamento que poderá constituir uma contraordenação muito grave, não ter ainda sido demitida das suas funções.

 

“É importante e significativo, termos aqui representantes de todos os quadrantes políticos”
[Margarida Gago, delegada sindical da Tapada Nacional de Mafra]

 

Ouvimos também Margarida Gago, delegada sindical da Tapada Nacional de Mafra. “É a primeira vez, na história da tapada e na história de cada um dos trabalhadores, que fazemos uma greve“. É importante e significativo, termos aqui representantes de todos os quadrantes políticos, afirmou ao Jornal de Mafra, referindo ainda, que o que se passa aqui, não é um conflito PS-PSD, como Capoulas Santos afirmou na Assembleia da República. “Temos todos os trabalhadores de coração destroçado, chegámos a um limite“, acrescentou, pedindo depois o apoio de todos os mafrenses, para resolver este problema. Pelo que ouvimos a esta trabalhadora, em relação à gestão da tapada, a ideia que ficou, passa pela existência de um clima interpessoal pesado, que se reflete no ambiente de trabalho, porque os trabalhadores não se sentem pessoalmente respeitados, nem profissionalmente valorizados. Funcionalmente responsável pelo setor da educação ambiental, Margarida Gago estará, no entanto, a desempenhar funções de guia.

Esta greve está a ser apoiada pela generalidade das forças políticas do concelho. Estavam presentes nesta concentração e dirigiram-se aos trabalhadores, representantes do PSD, da CDU,  do PAN e dos Verdes.

 

O PSD Mafra pretende que Capoulas Santos demita a Presidente da Direção da TNM
[Carla Galrão, PSD]

 

Carla Galrão (PSD) declarou ao Jornal de Mafra, que o PSD manifesta “inteira solidariedade por toda esta situação reivindicada pelos funcionários da Tapada Nacional de Mafra”, referindo depois, ser a atual gestão, “uma gestão ruinosa, sobretudo do ponto de vista ambiental […] isto para além do assédio moral, que é algo que ultrapassa quaisquer limites“. Relativamente à conjugação de posições entre as várias forças políticas no apoio aos trabalhadores, Carla Galrão afirma que “o que se passa na tapada ultrapassa a questão politico-partidária. É uma questão ambiental grave, uma questão do foro das condições de trabalho, do assédio, por isso, é natural que todas as forças políticas se manifestem no mesmo sentido“. Relativamente à forma de resolver estes problemas Carla Galrão refere que o PSD Mafra pretende que Capoulas Santos demita a Presidente da Direção da TNM, afirmando que, “mais do que qualquer interesse nacional, nós temos primeiro o interesse municipal“. Por fim, perguntámos à representante do PSD, se via com bons olhos, colocar o Palácio de Mafra, o Jardim do Cerco e a Tapada, sob a dependência da mesma entidade de gestão, tendo a resposta sido afirmativa, “porque isso ultrapassaria esta situação deprimente e degradante que se está aqui a passar“.

O PS, embora tendo estado ausente, reuniu-se ontem com a delegada sindical dos trabalhadores da TNM (Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais – STFPS), Margarida Gago, tendo emitido um curto comunicado, onde pode ler-se “na reunião foram ouvidas todas as preocupações e queixas que levam estes trabalhadores a fazerem greve no dia 11 de Setembro. Acreditamos que este espaço natural, agora Património Mundial merece ser protegido e que acima de tudo, Mafra e os seus interesses globais devem ser dignificados e salvaguardados. Estamos, como sempre estivemos ao lado do Concelho e dos seus munícipes“.

 

“A Tapada está em serviços mínimos e em perfeita decadência”
[José Martinez, CDU]

 

Também José Martinez, em representação da CDU, declarou ao Jornal de Mafra que a posição da presidente da direção da tapada, é absolutamente inaceitável. “É absolutamente inaceitável que um gestor público não respeite os seus trabalhadores. Só isto, é suficiente para que a senhora diretora seja demitida. Para além disto, há questões relacionadas com a própria gestão, até porque a senhora consegue o equilíbrio financeiro da tapada à custa  da diminuição da atividade“. Este deputado municipal pela CDU remete depois uma parte da responsabilidade para a própria Câmara Municipal de Mafra, uma vez que, disse “a câmara municipal faz parte da direção da tapada, e não conheço qualquer ação que a câmara de Mafra tenha tomado, no sentido de contestar a orientação que a senhora diretora está a imprimir à gestão da tapada. Também desconheço que a câmara tenha apresentado à assembleia geral da cooperativa alguma proposta de orientação que tenha sido rejeitada pelos outros membros da cooperativa“.

 

“Dos 14 trabalhadores que hoje deveriam estar ao serviço, 8 estão em greve, o que se traduz num índice de adesão a greve de 57%” [Tapada Nacional de Mafra]

 

Entretanto, numa nova nota a comunicação social chegada à redação do Jornal de Mafra já durante a preparação deste artigo, Paula Simões, diretora da Tapada Nacional de Mafra, esclarece que “dos 14 trabalhadores que hoje deveriam estar ao serviço, 8 estão em greve, o que se traduz num índice de adesão a greve de 57%“, precisando ainda o quadro de trabalhadores da tapada, do seguinte modo: “a Tapada Nacional de Mafra tem 18 funcionários, 14 dos quais com vínculo permanente, 2 com contrato a termo e 2 com contrato de prestação de serviços“.
Neste esclarecimento refere-se ainda que a tapada “dispõe hoje de uma situação financeira equilibrada e de um Plano de Gestão Florestal e de Defesa da Floresta contra Incêndios“.
Relativamente à nota de culpa emitida pela Autoridade para as Condições de Trabalho, o comunicado da tapada insiste em que “foi apresentado, devidamente fundamentado, o contraditório, que corre a sua tramitação normal e sobre a qual não existe decisão transitada em julgado, pelo que não há qualquer condenação, prevalecendo o princípio da presunção de inocência“.

 

Esta situação, aparentemente insustentável, insere-se também numa estratégia de poder da câmara municipal de Mafra (PSD), que estará a aproveitar o compreensível descontentamento dos trabalhadores da TNM para assumir o poder na tapada, aspiração que nem sequer tem escondido ao longo deste processo.

Poderá haver uma solução a curto prazo, uma vez que este governo está de saída. Mesmo que o próximo governo seja assegurado pela mesma força política, a mudança de governo (e de ministro?) poderá abrir aqui uma janela de oportunidade para normalizar as relações laborais na TNM. Por outro lado, a maioria do PSD na câmara de Mafra não esconde a vontade de assumir em pleno e em exclusivo, a gestão da Tapada Nacional de Mafra, sendo que, no plano da descentralização de competências, se torna bem possível que isso venha a acontecer, mais cedo do que tarde.

 

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