OPINIÃO POLÍTICA | José Martinez – Estás em Festa, pá…

Estás em Festa, pá…

Prometi dedicar esta crónica à Festa do Avante! mas não posso deixar de começar pelo que me põe doente e talvez depois consiga cheirar o alecrim

O que me põe doente é a criação de Sindicatos mais ou menos “elitistas”, dessolidarizando-se dos irmãos de classe na convicção de que abandonando categorias profissionais ou isolando-se em subsectores podem com isso tirar vantagens.

O que me põe doente é que trabalhadores, com reais problemas, sirvam interesses de protagonismo que com a aparência da defesa dos seus direitos possam criar condições para limitações do direito à greve, instrumento fundamental da luta dos trabalhadores.

O que me põe doente é que uma greve, que na essência tem a ver com legítimas aspirações dos trabalhadores radicadas no incumprimento do seu CCTV, tenha como objectivo, não pressionar as entidades patronais, que violam acordos ou não reconhecem direitos, mas a população e que,  pela sua extensão e consequências, tenha a rejeição da generalidade da população.

O que me põe doente é que o governo não intervenha com os meios ao seu dispor para a defesa dos direitos dos motoristas face ao comportamento ilegal do patronato e desta forma criar condições para uma efectiva negociação para a melhoria de salários e direitos dos trabalhadores, mas para fazer de conta que o que é o defensor dos “não motoristas”, retirando daí dividendos políticos, pondo-se claramente ao serviço do patronato.

O que me põe doente é o oportunismo da Câmara Municipal de Mafra declarando a de Situação de Alerta no Município de Mafra em antecipação ao próprio governo, em seu total apoio, com objectivos “pardalequianos” de protagonismo e propaganda.

O que me faz cheirar o alecrim é a convicção de a resolução de problemas dos trabalhadores não se consegue sem o desenvolvimento da luta organizada e consequente em torno da acção reivindicativa nas empresas, locais de trabalho e sectores e sem o empenho dos trabalhadores, através dos seus sindicatos, na negociação colectiva.

E agora sim! Vamos à festa, pá.

É já no próximo dia 6.

Falar da festa para mim é trivial, mas o que pensam os “outros” da Festa?

Na pesquisa que fiz encontrei um artigo de Miguel Esteves Cardoso, confesso “reacionário”, de que me atrevo a transcrever algumas afirmações, assim diz:

“… muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. (…) Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático. (…) Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. (…) O que mais impressiona é a falta de paranoia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. (…) Há milhares de pessoas a entrar e a sair (…). É muito bom quando não desconfiamos de nós”.

Avançar é preciso! Andar para trás não.

E assim estou em Festa.

Vem à Festa, pá!

Agosto, 2019

 


Pode ler (aqui) outros artigos de opinião de José Martinez


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