OPINIÃO POLÍTICA | Leila Alexandre – Agosto por cá (1/2)

Agosto por cá (1/2)

 

É agosto. Domingo de manhã na Ericeira. Passo meia hora à procura de lugar para estacionar perto da vila. Quem aqui mora, reclama que ontem teve que deixar o carro longe, que a rua está entupida, que não se consegue entrar ou sair das garagens. Para quando estacionamento para residentes, mesmo que sazonal? Para quando o investimento em mais um parque de estacionamento na zona limítrofe ao centro da vila, à semelhança do que já existe a norte, em São Sebastião? A procura nas zonas centro e sul justifica uma nova solução. Só em Mafra é que há terrenos para estacionamento?

Pelo caminho, desvio-me de um monte de cartão, tento não escorregar no líquido pegajoso e escuro que se acumula do lixo há dias, sustenho a respiração junto aos contentores onde resíduos se amontoam. Não é só na A21 que cheira mal. Vou ao mercado comprar umas flores, não resisto às frutas nem à simpatia e não me demoro. O mercado comatoso ganha vida neste mês, mas há cada vez menos para se ver, quase nada para se fazer. Este mercado não é para novos. Já desisti de subir ao 1º andar, dá-me dó descer ao lugar do peixe onde ia em miúda percorrer as bancas de mão dada. Será impossível dar vida a este mercado? Concertos, workshops, oficinas, um food court? Por que não abrir um concurso de ideias para o Mercado Municipal da Ericeira?

Dali saio para os Pescadores. De chinelo no pé, como quase todos os outros, desço uma das rampas de acesso. Quem diz que aqui não se pratica desporto radical? A descida é perigosíssima, sobretudo para as famílias com crianças, idosos ou outras pessoas com mobilidade reduzida. Para quando uma escadaria de acesso?

Falando em escadaria. Decido ir a São Lourenço. O verão não se faz só na vila, para quem seja induzido a pensar o contrário. Não é fácil, fico presa na descida, faço marcha atrás, encosto, retorno, repito. O estacionamento está caótico e o trânsito desordenado. Desisto deste lado da praia, entro pelo lado de lá. Tenho uma longa escadaria para descer. Já alguém olhou para aquela escada com olhos de ver? Está ao abandono. Degraus irregulares, muros inclinados, cimento partido. Uma vez mais dou por mim a pensar: para quem é esta praia?

(Agora vou usufruir um bocadinho da minha praia de eleição, com o melhor pôr do sol e uma tranquilidade que só aqui. Daqui a duas semanas regressamos.)

 


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