Viagem pelo património classificado do município de Mafra | Igreja de São Pedro – Ericeira [Imagens]

Viagem pelo património classificado do município de Mafra | Igreja de São Pedro – Ericeira

De “Planta poligonal composta pela articulação dos volumes retangulares escalonados da nave e da capela-mor, com o da sacristia, adossada ao lado direito, e das pequenas dependências da fachada posterior”. As fachadas pintadas de branco são percorridas (exceção da fachada norte) por embasamento saliente pintado de azul.

A fachada principal é “rematada em frontão contracurvo, terminado em empena, com friso e cornija, encimado por cruz maçanetada e ladeado por duas aletas, flanqueada nos cunhais por pilastras em cantaria aparente, apoiadas em bases e plintos paralelepipédicos simples, encimados por fogaréus. É rasgada por portal de arco de volta perfeita e moldura em cantaria, com fecho saliente decorado por uma folha de acanto, apoiado em pilastras, coroadas por capitéis sem decoração”.

A sua torre sineira “com cunhais definidos por pilastras em cantaria, evolui em três registos, delimitados por cornijas, tendo o primeiro uma fresta e uma pequena janela retilínea, com moldura em cantaria, o segundo cego, e o terceiro, quatro ventanas de arco de volta perfeita em cantaria, com sinos de bronze apoiados em cabeções de madeira”.

No interior a igreja é constituída por uma “nave única, cujas paredes apresentam silhar de azulejos historiados. O pavimento é em madeira, com corredor central da nave em lajeado de calcário, o teto da nave é em masseira com caixotões octogonais, o central com uma pintura representando o “Arrependimento de São Pedro” e os restantes com atributos do orago”.
Com um “Coro-alto em madeira, assente em colunas jónicas de mármore, apoiadas num alto embasamento octogonal de calcário negro e encarnadão, e em modilhões de pedra embebidos na parede, com guarda balaustrada de côncavos e convexos em madeira, encontrando-se neste espaço um órgão de armário”.

 

Época Construção: Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor:
CARPINTEIRO: José António Colares (1802); António Bernardino (séc. 19);
DESENHADOR: Dr. Bento Franco (1950);
ENTALHADOR: Matias José de Faria (1745);
FERREIRO: Julião Ferreira (1950);
ORGANEIRO: José Carlos de Sousa Machado (1822); OURIVES: Manuel Martins Torres (1751);
PINTORES: Manuel António de Góis (1763); Manuel João (1789 / 1790 / 1791 / 1792); Joaquim José da Rocha (1790 / 1791); António Manuel da Fonseca (1876);
RESTAURADOR: João Maria Casimiro (1839 / 1840); António Simões (1986).

Materiais: Estrutura em alvenaria mista, embasamento, cruz, pilastras, plintos, bases, frisos, altares, cornijas, pias de água benta, pia batismal, cunhais, bacia do púlpito, colunas, modinaturas, escultura de São Pedro, pináculos, lajeado em cantaria de calcário; portas, cabeção de suporte do sino, guarda-vento, caixotões do teto; pavimento, banco, coro-alto e respetiva guarda, confessionários, arcaz da sacristia em madeira; sinos em bronze; coberturas exteriores em telha simples; vidro simples; grades, portão de ferro; revestimentos em azulejo; retábulos, sacrário, molduras em talha dourada e policroma; ferragens em latão, lavabo da sacristia em mármore; torneiras em metal.

Protecção: Imóvel de Interesse Público desde 25 junho 1984

Enquadramento: Urbano, destacado, isolado. A igreja ergue-se na zona norte*1 da vila da Ericeira, inserindo-se numa malha urbana composta por arruamentos de linhas desencontradas. Implanta-se no centro de um terreiro pavimentado a cubos de granito, que forma um adro com ligeiro declive e pontuado por algumas árvores. Em frente ao portal principal, ergue-se sobre uma plataforma de quatro degraus, um cruzeiro em calcário, composto por um plinto com inscrições encimado por cruz de trevo. Nas suas traseiras encontra-se um equipamento lúdico infantil, nas imediações situam-se a Capela de São Sebastião (v. IPA.00005590) e o Pelourinho da Ericeira.

Propriedade: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

 

 

CRONOLOGIA
1446 – autorização do arcebispo de Lisboa, D. Pedro de Noronha, para a existência de uma pia batismal na igreja; 1482, 29 julho – João Regalia, morador na Ericeira, doa ao círio de São Pedro uma herdade, denominada Carmujo, nos arredores da vila; séc. 16 – primeiras obras de ampliação da igreja; 1507, 01 setembro – elaboração de um inventário de toda a prata e paramentos da igreja por ordem do ouvidor *10; 1530 – os beneficiados da Igreja de Santo André de Mafra (v. IPA.00002340) são superiormente obrigados a colocar um capelão permanente na Igreja de São Pedro; passagem da igreja a matriz; séc. 16, 2ª metade – instituição da capela de Gonçalo Anes da Barba, com 5$000 réis de renda; 1578 – é publicada no interior da igreja a Bula da Cruzada pelo padre Frei Luís de Cácegas; o templo ganha estatuto de igreja paroquial; 1594 – demarcação judicial das propriedades pertencentes à igreja; séc. 17 – colocação de altares colaterais e do revestimento azulejar; séc. 17, 1ª metade – instituição da capela de Pêro Neto, assim como das Irmandades do Santíssimo Sacramento e de São Pedro; 1607 – reorganização do tombo da igreja e subsequente aforamento de muitas das suas propriedades pelo corregedor Tomás Pinheiro da Veiga; 1609 – é instituída a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição; 1615 / 1616 / 1617 – colocação de uma cobertura de madeira; 1622 – iniciam-se os registos de nascimentos, casamentos e óbitos; 1633 – o visitador, António Carvalho de Parada, incumbe o prior de mandar fazer um púlpito para a igreja por se tratar de uma obra necessária; 1648 – início da campanha de obras de remodelação e de ampliação; 1660 – realização de algumas obras na igreja e no arcaz da sacristia, por iniciativa do padre Manuel Maria Ferreira; 1678 – Vicente Carvalho de Rojas e a mulher, Josefa Pereira da Silva, deixaram todos os seus bens à Confraria de Nossa Senhora do Rosário; séc. 17, último quartel – obras de ampliação, construção do novo coro da igreja; 1678 – ladrilhamento do chão; 1693 – conclusão das obras de ampliação; por ordem do visitador, Sebastião Dias Camelo, é enterrada a imagem primitiva, de roca, de Santa Luzia, e executada uma de vulto para a substituir; séc. 18 – instituição das capelas de Bento Lopes, Francisco Franco e Manuel Lopes Baleia; zelavam pela decoração da capela-mor a Irmandade de São Pedro e a Irmandade do Santíssimo Sacramento *11; 1740 – reedificação; 1745 – celebração de um contrato entre o juiz e os oficiais da igreja e o entalhador lisboeta, Matias José de Faria, para a execução do trabalho de talha do altar-mor, pela quantia de 900 mil réis *12; 1746 – recibo relativo ao pagamento do trabalho de talha do retábulo do altar-mor, o qual devia estar então concluído; séc. 18, 2ª metade – colocação de painéis de azulejo na nave, retratando cenas da vida do orago; 1751 – conserto da lâmpada de prata do altar de Nossa Senhora da Conceição pelo ourives Manuel Martins Torres; 1763, 11 abril – celebração de um contrato com o mestre Manuel António de Góis para dourar e pintar o retábulo, pelo valor de 900 mil réis e pintar o teto da capela-mor; 1781 – registos da visita do visitador do arcebispado; 1782 – colocação do cruzeiro frente ao portal principal; 1784 / 1785 / 1787 / 1788 / 1789 – lajeamento dos pavimentos, colocação de vidros nas janelas, caiação da igreja, limpeza de pedraria, execução de novos retábulos para a capela-mor e altares colaterais; conservação e restauro no telhado e conceção do teto em caixotões; 1789 – redouramento do púlpito despendendo-se 4$800; 1789 / 1790 / 1791 / 1792 – assentamento dos painéis de azulejo da nave pela quantia de 960 réis, e sua decoração, executada pelo pintor Manuel João, pela quantia de 206$640 réis; 1791 – pintura do teto da nave e da capela-mor e respetivas paredes, pintura da sacristia, do cruzeiro, de todas as portas, do coro e do guarda-vento, pelo pintor Joaquim José da Rocha, no total de 884$475; séc. 19 – nova ampliação no sentido longitudinal, em cerca de quatro metros, avançando a fachada principal em relação à torre; apeamento de dois painéis de azulejo que flanqueavam o pórtico principal; obras nas coberturas realizadas pelo carpinteiro António Bernardino pela quantia de 15$220; construção do actual coro-alto e colocação do guarda-vento da porta principal; abertura da tribuna no muro norte da nave; edificação da atual capela batismal; execução do atual coro-alto; acrescentamento de uma fiada transversal de caixotões no teto, sobre a zona ampliada; supressão do altar de Nossa Senhora do Carmo, removido para a sacristia e ampliação desta última; redouramento do retábulo de Nossa Senhora do Rosário; 1802 – execução da teia da capela-mor por José António Colares *13; 1808, 10 de março – por ordem das chefias militares, são levadas, pelas tropas francesas, da igreja várias peças de prata: quatro lâmpadas, seis castiçais, dez cruzes, seis varas de Palium, um turíbulo, uma naveta, uma caldeirinha, um aspersório, duas lanternas, um purificador, uma concha de batizar e um vaso de lavatório; 1816 – encarnação da imagem de roca de Nossa Senhora da Conceição; 1819 – execução de uma maquineta para o altar de Nossa Senhora da Conceição no valor de 80 mil réis; séc. 19, década de 20 – concertos nos telhados, na sacristia e na torre, arranjo dos fogaréus e colunas, colocação de vidros nas janelas do coro, concerto do teto da igreja e respetivos painéis pela quantia de 9.440 réis; 1822 – construção do órgão de armário que se encontra no coro-alto pelo organeiro José Carlos de Sousa Machado; 1837, 27 outubro – Junta da Paróquia autoriza a construção do primeiro cemitério no terreno do lado nascente da igreja; 1839 – 1840 – restauro de três das quatro telas do conjunto “Pesca Milagrosa”, da capela-mor, por João Maria Casimiro pela quantia de 6.200 réis; 1864 – pároco da igreja pede à Biblioteca Nacional alguns quadros de temática religiosa, pertencentes ao depósito das livrarias dos conventos extintos, para adornar as paredes da igreja; 1869, 20 julho – falece o padre Octaviano Augusto Pereira Delgado, que se faz sepultar juntamente com outros membros da sua família, junto à porta da sacristia; 1870 – a igreja sofre reformas e acrescentamentos; 1876 – excussão da tela “O Batismo de Cristo” *14 para a capela batismal, por António Manuel da Fonseca; 1877 – extinção da Irmandade do Santíssimo Sacramento; séc. 19, década de 80 – foram edificadas algumas construções junto à cabeceira da igreja, com o custo total de 250 mil réis; 1880 – data da compra do arcaz da sacristia; 1884 – deixa-se de praticar enterramentos no cemitério paroquial; 1889 – as imagens de Nossa Senhora do Rosário e do Menino possuíam coroas de prata; séc. 20 – intervenção na tribuna com remoção de alguns elementos apainelados que decoravam o seu interior, com o objetivo de avançar com a estrutura do trono para construir um pequeno corredor entre os edifícios flanqueiam a capela-mor; nos espaços anexos funcionou durante seis anos uma escola, que posteriormente foi adaptada a habitação do pároco; 1902 – o altar de Santo António passa a ter duplicação de orago, tornando-se mais conhecido como altar do Coração de Jesus; substituição de algumas imagens dos altares colaterais; Junta da Paróquia exige o restauro do retábulo de Nossa Senhora do Rosário, desconhecendo-se se a intervenção se chegou efetuar; reforma geral do retábulo de Nossa Senhora da Conceição; excussão da imagem de Nossa Senhora da Conceição pela casa Párzeres; 1903 – a imagem de São Pedro já se encontrava, sobre o frontão do portal lateral direito; 1930 – obras de ampliação do adro paroquial; restauro, por ação da Comissão de Iniciativa e Turismo, de algumas telas da igreja que se encontravam abandonadas numa arrecadação, as quais foram depois colocadas, junto com outras obras de arte, numa sala anexa à igreja; 1950 – a Comissão de Festas de Nossa Senhora da Nazaré manda executar a grade da capela batismal com desenho do Dr. Bento Franco e trabalho de Julião Ferreira; séc. 20, décadas de 60 – 70 – obras na sacristia de que resultou a supressão de um nicho onde se encontrava a imagem de Cristo crucificado; acrescento do banco do altar lateral de Nossa Senhora do Rosário com um frontal constituído por painéis provenientes da tribuna do retábulo da capela-mor; repinte dos caixotões do tecto da sacristia; 1966 – execução da grade da Capela do Senhor dos Passos; 1981 – as telas da capela-mor encontram-se em mau estado de conservação; 24 fevereiro – a Câmara Municipal de Mafra propõe a sua classificação, a qual merecerá parecer favorável do IPPC para Valor Concelhio; 1986 – Comissão Paroquial encarregou António Simões de restaurar o órgão; 1995 – obras de restauro e conservação, procedendo-se designadamente á substituição da cobertura exterior, e da abóbada da capela-mor, restauro dos altares laterais da nave, substituição da instalação elétrica; 1995 – limpeza do conjunto de telas representando a “Pesca Milagrosa”, com óleo de linhaça; obras de restauro e conservação, procedendo-se designadamente á substituição da cobertura exterior, e da abóbada da capela-mor, restauro dos altares laterais da nave, substituição da instalação elétrica; 1998 – renovação da instalação elétrica, passando cada altar a ter luz própria; substituição de toda a armação do telhado e respectivas telhas; 2004 – 2006 – conservação e restauros dos caixotões e telas da nave pela empresa Tacula Marcenaria e Restauro.

[Fonte:DGPC]

 

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