OPINIÃO POLÍTICA | Mário de Sousa – O 1º de Maio, os Trabalhadores e as Eleições Europeias

O 1º de Maio, os Trabalhadores e as Eleições Europeias

 

Escrevo estas linhas no dia 1º de Maio quando se celebra ‘O TRABALHADOR’ e as suas conquistas no mundo do trabalho. Neste mesmo dia a Europa de que fazemos parte comemora os 15 anos do seu maior alargamento de sempre sem que o Sol que deveria brilhar não esteja escurecido pelas nuvens da deserção do Reino Unido e pela emergência de governos populistas um pouco por toda a parte no seu seio. A extrema-direita ganha terreno sendo o último exemplo, o de domingo passado em Espanha com o VOX a conseguir 10,3% dos votos expressos e 24 deputados

Significa isto que em termos de ‘futuros promissores’ para o direito a se trabalhar com dignidade, a se descansar sobre uma reforma digna e a não permitir o enfraquecimento dos direitos das gerações mais jovens a UE não está a dar passos convictos e positivos. A chamada economia GIG[i] que promete trabalho flexível e autonomia, com uma regulamentação deficiente, está a gerar forte controvérsia no modo como está a ser utilizada, ignorando e reduzindo direitos básicos que há décadas eram considerados adquiridos.

No Parlamento Europeu, a cooperação entre os grupos parlamentares nas decisões cruciais para a aprovação de diretivas que nos aproximem daquilo a que já se chama utopia “salário igual para trabalho igual“, é cada vez mais espartilhada por interesses lobistas de países tubarões. Políticas fiscais não comuns, problemas de uma banca derretida, interesses agrícolas e piscatórios, dívidas externas com ou sem deficits fabricados ou inventados e a falta de renovação dos quadros políticos e técnicos colocam o Parlamento Europeu e a Europa numa encruzilhada o que leva alguns mais pessimistas, a anunciarem o início de uma derrocada do Projeto Europeu atual.

E é assim que chegamos a estas eleições para o Parlamento Europeu que acontecerão a 26 de Maio, num clima quase frio, com os partidos institucionais a ensaiarem discursos tímidos, a contarem espingardas e a procurarem falar o menos possível para que não existam comprometimentos para a Eleições Legislativas que aí vem lá para o fim do ano. Um autêntico balão de ensaio a custo reduzido.

Ninguém quer admitir que após estas eleições europeias, a representação dos partidos de extrema-direita e populistas no Parlamento que vamos eleger ou permitir que outros, talvez uma minoria elejam por nós, pode aumentar marcando um momento decisivo para uma Europa com a qual vamos ter de viver e digerir o que resta dos efeitos da crise económica de 2008. A agenda neoliberal, mais errática que neoliberal, da União Europeia lembra-nos que muito pouco se aprendeu com a crise.

E por aqui no nosso Concelho? Como vive Mafra estas eleições? Nem se dá por elas. Os partidos com representação no Executivo e na Assembleia Municipal estão mudos até porque estas eleições em termos locais só têm interesse na satisfação de algum sonho europeu de um qualquer político cá do burgo e pouco mais. No fim de contas não é por se incomodarem que os fundos europeus serão despejados por aqui em maior quantidade. A comunicação Social porque só noticia factos(inhos), não teve até agora qualquer iniciativa de ordem esclarecedora da opinião pública no que concerne a este ato eleitoral e à sua importância. Um arzinho europeu não lhes ficava mal. Mas já lá vai o tempo do jornal que com independência, em artigo de fundo informava e esclarecia a opinião pública. Os chamados jornais de escola. Mas o vento mudou … E neste marasmo lá se vai caminhando com enfado e desrespeito pelo nosso futuro próximo.

Expoente esclarecedor dessa falta de respeito e a mostrar como a ideologia ou a falta dela pode gerar efeitos pouco dignos, foi o que aconteceu com as Juntas de Freguesia que ou não enviaram em tempo útil convocatórias para a reunião dos representantes das candidaturas para a seleção dos membros das mesas das Assembleias de Voto ou não enviaram de todo e a forma displicente como as forças políticas não reagiram a isso.

Refiro-me por exemplo, ao que aconteceu na Freguesia de Mafra. A convocatória foi enviada para as sedes nacionais dos Partidos Políticos no dia 29 de Abril pelas 16:00 horas a anunciarem a reunião no dia 30 pelas 21:00 horas. Falta de respeito do poder instituído, neste caso do PSD, para com todos os Cidadãos da Freguesia e do Concelho, representados pelas restantes forças políticas. Atitude inconsequente! Como cereja no cimo do bolo, à convocatória enviada pela Junta de Freguesa de Mafra apenas compareceram o PSD, o PS, O Aliança e o CDS. O Bloco de Esquerda já se sabia que tinha desertado desrespeitando quem neles tinha depositado o seu voto. O PAN, o partido do ‘nim’ esqueceu também ‘por agora’ os seus eleitores (nas Legislativas há-de voltar). Quanto à CDU talvez fosse interessante explicar, para além do calendário das greves, como é que vai garantir aos seus votantes que os números estarão corretos. Talvez procure uma justificação antecipada para um trambolhão nas urnas.

E é assim, com políticas pequeninas, que Mafra vai votar ou não, a 26 de Maio de 2019. Depois admirem-se e digam-se ‘preocupados’ com os níveis da abstenção.

Mafra, 1 de Maio de 2019Mário Jorge de Sousa

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[i] Economia GIG – https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/bem-vindos-a-gig-economy-155315

 

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