Vamos à Farmácia | Tudo sobre o Pé Diabético

Vamos à Farmácia | Ana Quintela

 

Tudo sobre o Pé Diabético

 

A Diabetes é uma doença causadora de múltiplas complicações de saúde, sendo o Pé Diabético o principal motivo de hospitalização dos diabéticos em Portugal.

Esta complicação grave é comum no diabético devido ao desenvolvimento de neuropatia sensitivo-motora e de doença vascular, ou seja, problemas de saúde que afectam os nervos e os vasos sanguíneos e que habitualmente atingem os membros inferiores. É habitual que o diabético tenha pouca sensibilidade nos pés e sofra falhas no aporte de oxigénio aos tecidos, devido ao comprometimento da circulação sanguínea. Assim sendo, quando se formam úlceras (feridas) no pé, estas tendem a ter uma maior dificuldade em cicatrizar podendo inclusivamente conduzir à morte dos tecidos (necrose).

E de facto, a maioria das amputações em Portugal são necessárias devido a complicações relacionadas com o Pé Diabético.

 

 

Examinar os pés diariamente
É essencial que o diabético (ou seu familiar/prestador de cuidados) inspeccione todos os dias cuidadosamente os seus pés. O objectivo desta análise é verificar se existem factores de risco que possam conduzir a lesões nos pés.
Durante esta examinação é importante avaliar o estado do pé na sua totalidade, ou seja, ver o estado das unhas, a planta do pé, a cor da pele, presença de edema (inchaço), deformidades ou rigidez nas articulações. Deve também observar se existe secura da pele, gretas, calosidades ou micoses (fungos na pele ou unhas).
(Dica: se for necessário use um espelho para visualizar melhor o pé todo.)


Utilizar calçado adequado
Os pés de um diabético devem estar sempre protegidos contra possíveis agressões externas que possam resultar em feridas ou lesões. Seja em casa, na praia ou na piscina, o diabético nunca deve andar descalço.
Antes de se calçar é importante verificar se não existem objectos, pequenas pedras ou areia no interior do sapato.
Os sapatos abertos, sapatos com salto alto ou sapatos muito apertados devem ser evitados. Idealmente deve optar-se por sapatos fechados, macios e correctamente ajustados ao pé com espaço suficiente para os dedos. No caso de deformações osteoarticulares é importante recorrer a lojas que façam sapatos à medida para cada situação específica.
Adicionalmente, é também importante a utilização de palmilhas individualizadas que permitam evitar uma pressão excessiva na planta do pé e que sejam amovíveis para que se possam arejar e limpar.
Mas, não é só importante usar um calçado adequado, como também meias apropriadas. As meias não devem possuir costuras nem elásticos fortes. Deve ser evitado o uso de meias com matérias sintéticos, preferindo sempre meias de algodão ou de lã.

 

Uma higienização correcta
É fulcral manter sempre os pés limpos, tendo em atenção ao facto de muitos diabéticos terem uma sensibilidade nos pés inferior devido ao desenvolvimento da neuropatia diabética.
Portanto, como pode existir menos sensibilidade, deve ser assegurado que a água se encontra a uma temperatura aceitável (água morna) e no final da lavagem deve limpar-se cuidadosamente os pés e entre os dedos com uma toalha suave, sem esfregar demasiado.
É essencial que após a lavagem os pés sejam impecavelmente secos e se necessário deve aplicar-se pó nas meias e sapatos para evitar produção excessiva de suor e prevenir a proliferação fúngica.
Os diabéticos não devem colocar os pés “de molho” em água, pois se o fizerem tornam a pele muito mais frágil aumentando assim o risco de aparecimento de lesões.
Quanto às unhas, é importante cortá-las direitas, mas com os cantos arredondados, idealmente com uma tesoura de pontas redondas e limando-as apenas com uma lima de cartão.

 

Hidratação sempre!
Após o banho ou lavagem dos pés é importante hidratá-los diariamente. Na escolha destes cremes é útil aconselhar-se com o seu farmacêutico, pois existem inclusivamente cremes para os pés especificamente formulados para os diabéticos.

Após a examinação e higienização dos pés
Se verificar a existência de calosidades não tente removê-las. O mais indicado é recorrer a um Podologista, que é o profissional mais indicado para limar e tratar os calos e calosidades. Não aguarde demasiado, quando se trata de um diabético todas as calosidades e outras doenças de pele devem ser rapidamente tratadas.
Atenção! Note-se que o uso de calicidas e afins está contra-indicado nos diabéticos. Sempre que comprar produtos para os pés é importante verificar os seus rótulos para garantir que não estão contra-indicados no diabético.

Comparecer às consultas do Pé Diabético
A consulta do Pé Diabético tem uma equipa multidisciplinar normalmente constituída por médicos, enfermeiros, podologistas. Nesta consulta é feita a observação do pé, análise da sensibilidade e identificação do risco de ulceração, ou no caso de já existir úlcera activa, o tratamento e vigilância da mesma.
Geralmente estas consultas fazem uma avaliação metódica do pé, atentando ao risco de ulceração e agrupando o doente em três possíveis categorias: baixo risco, médio risco ou alto risco.
É fulcral comparecer sempre às consultas do pé diabético, no entanto, em doentes com baixo a médico risco é suficiente uma consulta por ano ou a cada 6 meses, respectivamente. Em casos de úlceras já cicatrizadas ou de antigas amputações (alto risco) é aconselhado um seguimento nestas consultas todos os meses, ou pelo menos a cada 3 meses.

 

Tratamento
Quando ocorre lesão no pé, o acompanhamento e tratamento desta situação é absolutamente prioritário.
O primeiro passo nestas situações é verificar se a lesão está ulcerada ou não. Para lesões não ulceradas é essencial apostar no tratamento da pele seca, das calosidades e dos fungos na pele ou nas unhas.
Quando já se observa lesão ulcerada (com ferida) devemos preocupar-nos em controlar e evitar a expansão da infecção e é sempre vantajoso aliviar a pressão no pé (palmilhas e sapatos adequados.
Naturalmente que devem ser garantidos níveis de glicémia controlados, podendo ser necessário recorrer à toma da insulina.
Quando há aparecimento de úlceras (feridas) é comum que estes doentes sejam também referenciados para outras especialidades, designadamente quando são necessários cuidados a nível vascular (circulação sanguínea).

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É muito importante a prevenção e tratamento do pé diabético. E embora em Portugal já exista alguma consciencialização para esta complicação da diabetes, ainda continuamos a ter falta de profissionais de saúde com formação específica para a avaliação do Pé Diabético. Há falta de materiais para o tratamento e também dificuldade no acesso a determinados tratamentos por alguns doentes.

Infelizmente são ainda são comuns as falhas na comunicação entre diferentes profissionais de saúde. E no caso do Pé Diabético, como estes doentes passam por diversas áreas e variados profissionais de saúde, o trabalho em equipa é essencial e permite tomar decisões mais ponderadas, bem como apostar em linhas de prevenção e tratamento mais eficazes.

Seja o próprio doente, um familiar ou um prestador de cuidados de saúde informe-se e peça ajuda. Contacte, por exemplo, a APDP (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal). Faça perguntas e procure sempre acompanhamento médico.

 

 

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