Viagem pelo património classificado do município de Mafra | Igreja de Nossa Senhora do Ó

Situada na freguesia da Carvoeira, a Igreja de Nossa Senhora do Ó é de autor desconhecido.

A sua construção remonta, possivelmente, ao Séc. 16, com campanhas de obras, que lhe conferiram características maneiristas e barrocas, nos séculos 17 e 18.

Apresenta uma planta poligonal, composta por três corpos principais, galilé, nave e capela-mor. No topo do cunhal apresenta um relógio de sol em cantaria, ornado por motivos fitomórficos.

Descrição: Fachada principal em empena angular, antecedida por galilé fechada, possui os vãos rasgados em eixo, composto por portal de verga reta, emoldurado e encimado por friso e cornija e por janelão e óculo. No lado esquerdo, corpo anexo com escada exterior dá acesso a sineira de volta perfeita com remate recortado. Fachadas simples, rematadas em friso e beirada simples, a lateral direita rasgada por portal de verga reta, emoldurado, encimado por friso e cornija, antecedido por alpendre fechado. Interior com coberturas diferenciadas, de madeira em masseira na nave e em falsa abóbada de berço na capela-mor, é escassamente iluminado por janelas retilíneas rasgadas na fachada principal e lateral direita, apresenta coro-alto assente em colunas toscanas e guarda torneada, batistério inserido num pequeno ressalto e vão retilíneo, no lado do Evangelho, surgindo, no mesmo lado, o púlpito quadrangular com acesso por porta de verga reta. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, flanqueado por retábulos colaterais maneiristas em talha policroma com dourados e marmoreados fingidos, dispostos em ângulo. Capela-mor com supedâneo de degraus centrais, onde surge retábulo-mor em talha policroma com dourados e marmoreados fingidos, de estilo tardo-barroco.

Enquadramento: Rural, isolada, situa-se a norte da povoação da Carvoeira, no fundo de um vale, na margem direita do rio Lizandro, onde ocupa uma posição destacada, implantada num amplo adro de planta retangular irregular e horizontalizado artificialmente, protegido por muro de alvenaria, com acesso por portão frontal. No interior do adro, frente à fachada principal do templo surge um cruzeiro assente em plataforma quadrangular de um degrau, com a data “1668” na face frontal, que sustenta um plinto galbado, com a inscrição “AVE CRUX SPES VNICA”.

Materiais:
Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada de branco; pilastras, cruz, colunelos, banco, escada e respectiva guarda, modinaturas, relógio de sol, lavabo da sacristia, colunas, pia baptismal, caixa de esmolas, bacia do púlpito, pias de água benta em cantaria de calcário; portas, coberturas internas, coro-alto e respectiva guarda, confessionário, guarda do púlpito em madeira; portão e gradeamentos de ferro; silhar da nave e altares dos retábulos revestidos a azulejo; retábulo-mor e retábulos colaterais em talha policroma; coberturas exteriores em telha; janelas com vidro simples; pavimento em lajeado de calcário e tijoleira.

Cronologia:

1570 – a igreja é elevada a matriz, separando-se da de Cheleiros, a cuja paróquia pertencia, pela mesma altura é constituída a Junta de Paróquia de Nossa Senhora do Ó do Porto do Reguengo da Carvoeira;
1585 – ocorre um combate junto à igreja, onde participam duas companhias de infantaria espanhola, entre os mortos figuram Pêro Luís e João Roiz, sepultados no adro do templo;
1627 – colocação do lavabo da sacristia, conforme data inscrita no mesmo; 1668 – data na plataforma do cruzeiro que se encontra no adro, fronteiro à igreja; séc. 17, final – feitura dos retábulos colaterais;
1709 – abertura da porta lateral; séc. 18, meados – execução do retábulo-mor;
1732 – é redigido, pelo cardeal patriarca D. Tomás de Almeida, o Compromisso da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré da Pederneira, constituindo a base canónica do já praticado Círio da Prata Grande, que, entre as paróquias que desde quase o seu início recebem a imagem da Senhora, conta com a do Porto da Carvoeira;
1741 – aprovação formal do Compromisso da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré da Pederneira; 1763 – colocação do relógio de sol no seu cunhal sudoeste;
1814 – o templo recebe a imagem peregrina de Nossa Senhora da Nazaré da Pederneira; 1820 – a Carvoeira, que até ao Liberalismo fora reguengo, consta como concelho autónomo no Auto de Vereação Geral;
1830 – a igreja recebe uma campanha de restauro;
1839 – 1855 – o concelho da Carvoeira é integrado no da Ericeira;
1855 – com a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira, a Carvoeira é integrada no município de Mafra;
1983 – subida do nível das águas da ribeira (c. 4 metros) causando inundação e danos no interior do templo;
1988 – a igreja foi alvo de assalto, perdendo quase a totalidade das suas imagens incluindo a de Nossa Senhora do Ó.

[DGPC]

 

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