Vamos à Farmácia | A polémica da intolerância ao glúten

Vamos à Farmácia | Ana Quintela

 

A polémica da intolerância ao glúten

A intolerância ao glúten e o consumo de alimentos sem glúten continua a ser um tema polémico, pelo que hoje irei abordar algumas crenças e mitos que giram em torno do mesmo.

O mercado dos alimentos sem glúten tem crescido consideravelmente. Mas, afinal o que é o glúten?

O glúten é um composto de proteínas presente em diversos cereais, designadamente no trigo, que é o cereal mais consumido a nível mundial. Também está presente noutros cereais como a cevada e o centeio. Assim sendo, podemos encontrar este composto no pão, massas, bolos, bolachas, salgados e até mesmo na cerveja.

Nos últimos anos os hábitos alimentares têm sofrido algumas alterações, designadamente com o aumento do consumo dos carboidratos, cuja grande maioria contém glúten na sua composição. Com esta mudança dos hábitos alimentares tem-se verificado um aumento do consumo de alimentos com glúten e consequentemente um aumento dos casos de intolerância a este composto.

É verdade que o glúten deve ser completamente retirado da dieta, mas apenas em determinadas situações. Por exemplo, a doença celíaca é uma doença genética que provoca uma resposta autoimune ao glúten desencadeando alterações e sintomas graves a nível intestinal. Quanto à intolerância ao glúten, trata-se de uma situação de hipersensibilidade a algumas proteínas que constituem este composto.

Nos dias de hoje, quando se trata de doenças que impossibilitam a ingestão de glúten, já existem diversas alternativas comercializadas em alimentos já preparados. E quanto à confecção de massas ou de bolos também é possível recorrer à farinha de milho, arroz ou amêndoa.

Há benefícios em retirar o glúten da dieta?

Naturalmente que se existir hipersensibilidade ao glúten o no caso da doença celíaca, o glúten deve ser retirado da dieta. Mas, num contexto saudável não está comprovado existir benefício em retirar o glúten da dieta.

Embora não exista vantagem em remover o glúten da dieta, este composto de facto não é um nutriente essencial na nossa dieta e é verdade que os alimentos com elevado teor em glúten demoram mais tempo a ser digeridos.

Há opções alimentares que contêm glúten e são mais saudáveis, nomeadamente hidratos de carbono de libertação lenta, alimentos com um índice glicémico inferior, como os produtos integrais.

No fundo, um alimento sem glúten não é necessariamente mais saudável, pois muitos produtos alimentares gluten free são depois ricos em açúcar, sal e outros aditivos.

É um mito acreditar que a restrição do glúten na dieta provoca perda de peso porque na realidade não há nenhum estudo científico que o comprove. Embora na prática, quando nos esforçamos para retirar o glúten da dieta é habitual reduzirmos também o consumo de alimentos muito calóricos, industrializados e com poucas fibras (pão, massas com farinha refinada, bolachas, etc.) o que consequentemente acaba por levar a uma redução de peso devido à adopção de hábitos alimentares mais saudáveis.

Na realidade, consumir alimentos sem glúten não é sinónimo de uma alimentação equilibrada. O ideal é escolher alimentos nutritivos, manter uma alimentação equilibrada e regrada e praticar actividade física com regularidade.

 

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