Crónica de Psicologia por Filipa Marques | Família e Tecnologia

Crónica de Psicologia por Filipa Marques

 

Caros leitores,

A propósito da celebração dos 30 anos da internet (World Wide Web) no dia 12 de março, esta semana decidi escrever sobre um tema muito atual que entra (quase) evasivamente pelas nossas casas todos os dias: família e tecnologia!

Consideremos tecnologia os instrumentos de hardware como por exemplo o telemóvel, tablet, computador e também todo o software como a internet e outros sistemas subjacentes a esse tipo de aparelhos físicos. Nos últimos anos a tecnologia tem crescido de forma exponencial. Há mais tipos diferentes de tecnologia, cada vez mais é possível incluir num só aparelho um maior número de funcionalidades e até a sua utilização se tem vindo a tornar mais intuitiva. A tecnologia é atualmente uma aliada do homem no desenvolvimento do mundo e, para nós, utilizadores, traz uma série de vantagens. Permite-nos falar com quem está longe, ter momentos de descontração e de lazer ou até mesmo trabalhar. Tal como na vida pessoal, também na vida familiar a tecnologia está muito mais presente.

De acordo com diversos estudos de psicologia da família, a incorporação da tecnologia a nível familiar traz vantagens. O uso desta ferramenta permite a manutenção das relações familiares, concretamente quando há distância. Quantos de nós não falamos pela internet com familiares imigrados? Ou até mesmo quantos de nós pedimos aos nossos filhos e/ou pais para mandarem uma mensagem a dizer que chegaram bem a algum lugar aonde foram? Por isso mesmo, o uso da tecnologia pode reforçar a comunicação e a coesão familiar. Serve também para potenciar momentos positivos de interação familiar, por exemplo ver fotografias juntos e realizar jogos em comum. Para além disso, a tecnologia pode contribuir positivamente para o desenvolvimento cognitivo, através de jogos didáticos que puxem pelas nossas capacidades ou até mesmo porque permitem a aprendizagem de conhecimentos novos e a pesquisa de informação e isso faz-nos desenvolver enquanto pessoa. No entanto, também há estudos que apontam algumas desvantagens à utilização da tecnologia para o seio familiar. Uma das mais evidentes é a redução do tempo em família. Cada vez mais nos deparamos com cenários em que os vários membros da família estão juntos numa divisão, mas cada um no seu telemóvel e, com isso, reduzimos em muito a quantidade e qualidade daquele que é um tempo precioso de partilha e de crescimento. Consequentemente há a realização de menos atividades conjuntas. Especialmente quando há filhos pequenos ou adolescentes, é também uma desvantagem a dificuldade de controlo sobre os conteúdos e as interações virtuais realizadas pelos menores, o que leva muitas vezes a uma maior ocorrência de conflitos entre pais e filhos por causa deste tema.

Deixo um desafio! Pensar na nossa família e questionarmo-nos sobre as nossas rotinas, regras e hábitos relacionados com o uso da tecnologia dentro da nossa própria casa. Tenhamos a capacidade de olhar para os nossos hábitos pessoais e ser os primeiros a dar o exemplo dentro da nossa casa. Por exemplo, se queremos que os nossos filhos não estejam todo o tempo no telemóvel, dediquemos também nós menos tempo ao nosso telemóvel. Esta reflexão vai permitir-nos tirar o melhor proveito da tecnologia para a nossa própria família!

 

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