OPINIÃO POLÍTICA | Alexandre Seixas – Educação presente, mas para o futuro?

Educação presente, mas para o futuro?

Um dos assuntos que mais me tem inquietado é a educação. Se é verdade que todos nós vamos lidando com o novo mundo em que vivemos, também é verdade que lidamos, direta ou indiretamente, com alguém que esteja a frequentar uma Escola.

Por estes dias não é fácil acompanhar a evolução, parecendo que estamos sempre desatualizados, com o manancial de interfaces, de redes, de grupos de que fazemos parte. Mas será que a Escola está a acompanhar e pronta a responder a tantos desafios e outrossim, a preparar os estudantes para o que os espera?

Se é claro que a minha geração teve uma Escola completamente diferente da geração antecessora, em termos de conteúdos e da forma, pois o acesso a livros e a mais informação era uma realidade feliz, já não é tão claro que o mesmo esteja a acontecer com a geração seguinte.

Neste momento, as crianças têm acesso a dispositivos e à internet, com os quais convivem diariamente, com a naturalidade de quem só conheceu esta realidade. Por outro lado, a economia das empresas e do emprego, onde todos se terão de encaixar, procura competências diversas e ninguém sabe o que será o futuro, podendo apenas aventar cenários.

É comum referir a grande desatenção e a dificuldade de concentração que os nossos jovens manifestam. E para os nossos padrões, isso é facilmente verificável. Mas a nossa bitola talvez não seja a que deve ser usada para medir e valorizar isso. Não terão eles muito mais solicitações e alvos de dispersão de atenção, do que alguma vez alguém teve? O mundo mudou, mas parece que a forma de transmitir conhecimentos e mais importante que isso, o conteúdo do que é ou deve ser transmitido, permanece inalterado. As bases serão sempre as bases e nem precisam de ser tão simplistas, quanto ler, escrever e contar… Os dispositivos móveis e cada vez mais portáteis e ligados em rede, fazem e farão parte da nossa realidade. Os dados, e a informação que deles advém, está na palma das nossas mãos.

Novas formas de criatividade e de relacionamento em sociedade, como uma verdadeira educação para a cidadania e o reconhecimento de cada um enquanto cidadão do mundo, devem ser promovidas, com a necessária saída das zonas de conforto de cada um, que esse desafio encerra. A (r)evolução constante em que vivemos também tem de trazer uma (r)evolução à educação, que na sua imagem não dista muito da génese antiga de uma sala de aula com um preletor num lugar de estilo na sala e os alunos sentados nas suas carteiras, ouvindo e escrevendo, sabendo que teriam um teste final, para validar os conhecimentos passados e potencialmente adquiridos. Felizmente, hoje, nem todas as situações são assim, como está descrito…

O que me parece é que tem de ser promovido um debate profundo e alargado de que ninguém se pode eximir. E aqui os atores políticos têm de tomar a dianteira. Talvez as regras e os conceitos precisem de ser reescritos. Mais do que de cimento, precisamos de massa cinzenta, para nos fazer chegar a bom porto. E a política, enquanto arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados, tem um papel fulcral a desempenhar. Assim aconteça.

 

Alexandre Seixas, janeiro de 2019

 

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