OPINIÃO POLÍTICA | Alexandre Seixas – “Obrigado, Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mafra!!”. Uma das frases mais escutadas no nosso Concelho. Irra, que basta!!!

“Obrigado, Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mafra!!”

Uma das frases mais escutadas no nosso Concelho. Irra, que basta!!!

 

Quem estiver atento (atrevo-me a reforçar… até quem estiver desatento) ao que se passa em Mafra, facilmente perceberá que tudo o que por aqui acontece, que seja digno de realce e portanto positivo para os munícipes, se deve a uma entidade magnânima, munífica, generosa, dadivosa, quase superior e suprema, na presença da qual deveremos, porventura, estar em permanente genuflexão. Presumo que o leitor já saberá a quem me refiro… Isso mesmo, ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mafra. (note-se que a indicação do nome é irrelevante para o caso concreto, sendo que nem sempre é fácil discernir entre ser e estar, para quem está em cargos como este).

Este individualizar, esta personalização, desconsidera todos os agentes que estão no processo, reduzindo tudo a uma fórmula minimalista, que só pode ser negativa para a nossa vida. Isto é inaceitável.

Há pouco tempo, numa publicação de uma Associação de Pais, sobre a disponibilização de uns brinquedos para o recreio da Escola podia ler-se qualquer coisa do género (as formas por vezes divergem, mas o teor é sempre o mesmo) … Muito Obrigado, Sr. Presidente da Câmara Municipal de Mafra!

Isto se não fosse para rir, seria para chorar!! Então mas e os Pais?, os Professores?, o Coordenador do Estabelecimento?, o Diretor do Agrupamento? e até o Vereador da tutela???? São “vaquinhas de presépio”??, são meros “verbos de encher”??? O tom é exagerado, mas é propositado e certeiro.

Ao ler o texto, a imagem que desde logo me assaltou foi a do Sr. Presidente a ir ao terreno, percebendo essa falta, validando a sua valia pedagógica e a sua aplicação ao ambiente escolar, pedindo depois diversos orçamentos para a aquisição dos brinquedos, controlando a sua encomenda e finalmente entregando-os na Escola. Assim descrito pode parecer patético ou ridículo, mas apenas porque pretendo satirizar este culto imagético.

Talvez por ingenuidade pessoal eu prefira acreditar que cada um de nós tem um papel a desempenhar na cadeia de valor e que por isso cada um de nós pode fazer a diferença.

Bem sei que Mafra deve muito a um Rei grandioso, D. João V, apelidado de “o Magnânimo”, o “nosso Rei-Sol”, mas isso já foi no século XVIII, deixemos à história o que é da história. As cópias, normalmente, não são da mesma igualha que os originais.

Seja na vida particular, seja nas empresas, nas organizações, na política, cada um de nós, cada uma das peças, concorre para um bem maior e ulterior. Nada nem ninguém vale mais que o todo. Mesmo na natureza, para uma flor nascer, precisa de água, de sol, de terra…

Neste particular, atentando na realidade e dimensão nacional e reduzindo à escala de Mafra, vou pela teoria de um amigo, que defende que o melhor que pode acontecer aos partidos que não têm ideologia, nem família política e que gravitam à volta de figuras constritoras, é extinguirem-se, quiçá para renascerem e se reinventarem numa qualquer nova “Aliança”.

A ver vamos…

Alexandre Seixas, novembro de 2018

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