OPINIÃO POLÍTICA | José Martinez

“Tenho que lhe dizer uma coisa. Li o comunicado que me deu, vai para dois anos, no Campo Grande, sobre o Passe Social Intermodal. Achei a argumentação correcta e pertinente, mas, confesso que a pretensão me pareceu utópica. Algum tempo depois, lá estavam vocês com um baixo assinado reclamando o Passe Social Intermodal. Assinei pouco convicto da utilidade da minha assinatura. Agora, o vosso sonho, que desejei, mas em que não acreditei, parece que vai ser uma realidade. Não sou comunista…. Desculpe, mas tive que lhe dizer isto…”

Foi assim que fui abordado, em Mafra, à saída do Polo Norte, por um homem, homem novo, pouco passaria dos 30 anos, que como chegou, foi embora, não me dando qualquer oportunidade para dois dedos de conversa.

Gostaria de lhe ter dito aquela frase feita, nós gostamos de frases feitas, “Quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre”.

Gostaria de lhe ter dito que os nossos sonhos, imediatos, são concretos e possíveis, adequados ao momento e tendo em atenção a correlação de forças. Mais um chavão? Talvez, mas o que quero mesmo dizer é, mesmo com um governo que defende o capitalismo internacional, é sempre possível melhorar a vida dos trabalhadores. Cá dentro, no fundo do meu coração, o sonho, é a sociedade sem exploradores e explorados. As condições para a sua criação hão de chegar, mas até lá não vamos ficar de braços cruzados.

Gostaria de lhe ter dito que, com o passe social intermodal, a diferença de salários entre os trabalhadores dos concelhos com salários mais elevados e Mafra vai ter tendência a diminuir e, sem dúvida no sentido da subida dos salários em Mafra, se atendermos ao seu menor peso relativo.

Em Mafra, o passe social intermodal, na Assembleia Municipal, foi reclamado, primeiro, em 30 de Junho de 2016, por proposta da CDU, aprovada pela CDU, pelo PS e Bloco de Esquerda,  a abstenção do PSD e voto contra do CDS, (o PS não teve comportamento igual na Assembleia da República).

Posteriormente, em 23 de Fevereiro de 2017, pelo registo por parte da CDU da moção aprovada pela Câmara Municipal, por unanimidade, dando seguimento à moção anterior, de moção reivindicativa do alargamento do passe social intermodal a toda a Área Metropolitana de Lisboa.

Mas não se enganem os munícipes de Mafra, a criação do passe social intermodal é um primeiro passo, a atenção e luta dos munícipes vão ser fundamentais para o seu desenvolvimento:

Vamos ter de exigir que ao aumento de utentes que, sem dúvida se vai verificar, corresponda a um aumento da oferta de transportes, quantitativa e qualitativa;

Os transportes públicos dentro do concelho têm que ser repensados, atendendo às características do território, população relativamente pouco concentrada, o que vai exigir o aumento e criação de carreiras de ligação aos parques intermodais evitando o seu excessivo crescimento;

Vai ser necessária a criação de “navettes”, serviços de transportes, adequados a fins que não os transportes pendulares para e de Lisboa (saúde, abastecimento, cultura e laser);

O alargamento da oferta do transporte ferroviário, como alternativa ao transporte rodoviário parece estar longe, uma vez que a requalificação prevista não vai permitir reduções satisfatórias dos tempos de acesso à cidade .

Quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre”.

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