EDITORIAL | 4 anos que mudaram o panorama da comunicação social no concelho de Mafra

Há quatro anos atrás, por esta hora, estávamos a viver as primeiras horas do Jornal de Mafra, sem saber bem, o que o futuro nos reservaria.

As expectativas eram muito moderadas, o staff era pouco numeroso, o investimento muito limitado e o concelho era/é pequeno, menos de 100 000 habitantes, com um panorama cultural (no sentido mais lato do termo) pouco famoso, com um poder político dominante já consolidado há muitos decénios, e com uma comunicação social, a nossa concorrência, estagnada e há muito tempo no terreno.

Temos de confessar que, tendo em consideração os muitíssimo limitados recursos económicos disponíveis – há 4 anos e atualmente – para a operação do Jornal de Mafra, os resultados obtidos em termos de audiência são absolutamente surpreendentes.

As audiências, à data de hoje, podem resumir-se do seguinte modo:

 

Nº de Utilizadores (nos últimos 3 anos): 1 008 560

 

Nº de Page Views  (nos últimos 3 anos): 4 513 878

 

 

O panorama do concelho em termos culturais (no sentido mais lato do termo) constituiu a principal oportunidade de crescimento do Jornal de Mafra. O JM passou a constituir uma alternativa para todos os que ansiavam por um órgão de comunicação social (OCS) que acompanhasse a realidade política, cultural e desportiva do concelho de Mafra, fazendo-o de uma perspectiva moderna, culturalmente empenhada e economicamente independente de todos os poderes (políticos, económicos e culturais).

Demos (damos) voz às modalidades desportivas menos badaladas – andebol, judo, karaté, basquetebol, esgrima e patinagem – as exposições de artes plásticas passaram a ser notícia no concelho, os colóquios, as conferências, as peças de teatro e os concertos passaram a ser do conhecimento de todos e a actividade política passou a ser tratada de modo igual (durante e fora dos períodos eleitorais), independentemente das cores com que se vista, constituindo isto, pasme-se, uma novidade no concelho, uma novidade, entretanto já seguida, e bem, por outros OCS.

Com o Jornal de Mafra não há actividades ou opiniões proscritas (dentro da lei, naturalmente), tendo lançado um espaço de opinião que contempla todas as sensibilidades políticas com assento na Assembleia Municipal. O PSD, força esmagadormente maioritária no concelho, não aceitou esta participação. No actual modelo, o JM optou por não endereçar convites às forças partidárias, mas sim, a personalidades representativas das várias visões políticas em presença, tendo também nesta modalidade, recebido negativas das várias personalidades que contactámos, próximas dos sociais-democratas concelhios.

Porque é importante assegurar a expressão de todas as correntes de pensamento, porque são importantes todas as formas e todos os ângulos a partir dos quais se olha para o concelho de Mafra, deixamos aqui um apelo:  haverá por aí alguém com boa capacidade de expressão, que seja suficientemente próximo do pensamento social-democrata do concelho de Mafra, e que tenha a coragem – parece ser disso que se trata – de exprimir aqui, em plena e absoluta liberdade, o seu pensamento político?

Entramos neste novo ano editorial com vontade de fazer mais, com vontade de fazer melhor, embora sempre balizados por princípios éticos inultrapassáveis. Assim, não abdicaremos da nossa independência económica – embora isso nos dificulte a ultrapassagem de algumas barreiras funcionais –  não abandonaremos nunca, como premissa editorial, a assunção de que para além da informação, a imprensa deve contribuir para difundir cultura, para aproximar os cidadãos dos seus direitos e das suas obrigações de cidadania.  Em termos editoriais continuaremos a linha que temos seguido até aqui, uma linha que afirma a independência dos poderes, qualquer que seja a forma ou a cor que eles assumam, uma linha que define claramente o nosso trabalho como um contra-poder, sendo certo que só é possível avaliar quem faz, só é possível criticar quem faz, só é possível assumir-nos como contra-poder, se formos sempre o outro ângulo, independentemente da cor de quem faz a realidade do concelho – política, cultural, económica – num tempo histórico determinado.

Muito obrigado a todos/as os/as que se decidiram a fazer este caminho connosco. Continuem ao nosso lado, pois a vossa companhia é a nossa principal recompensa.

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