Dia do Município || Discursos e medalhas

A cerimónia do Dia do Município foi, como é tradicional, marcada pelos discursos do Presidente da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal, bem como, pela imposição de medalhas de mérito municipal a entidades, empresas e personalidades.

Perante uma assistência pouco numerosa, para além de funcionários da câmara, medalhados e respectivos acompanhantes, membros da Assembleia Municipal e convidados institucionais, poucos mais cidadãos/munícipes valorizaram o evento, a ponto de marcarem presença.

Para além das habituais notas de circunstância, que marcam sempre as intervenções politicas neste tipo de cerimónias, destacam-se as palavras de José Bizarro – Presidente da Assembleia Municipal – quando dedicou uma boa parte do seu discurso àquilo a que chamou “uma equilibrada gestão territorial e a necessária qualificação do capital humano para fazer de Mafra um Concelho cada vez mais competitivo”, elencando de seguida algumas razões fundadas na baixa taxa de desemprego, na diversificação da economia local, na referida pujança do movimento associativo, na segurança pública, concluindo assim que “por isso, é com orgulho que podemos afirmar, neste dia em que celebramos o nosso passado, que o Concelho de Mafra tem futuro”. Realce especial para aquilo a que chamou “uma palavra de compromisso”, compromisso no acompanhamento, por parte da Assembleia Municipal, dos dossiers da água e do saneamento, e do avanço, ainda por concretizar, do museu da música e do restauro dos carrilhões, bem como com a dinamização da Tapada Nacional de Mafra, “ativo que necessita de urgente preservação, que carece de uma visão estratégica e que muito ganharia com uma gestão de proximidade”, reafirmando o facto de a câmara estar a fazer tudo o que tem ao seu alcance para assumir o controlo da Tapada de Mafra. Um discurso que ficaria muito bem a um presidente de câmara, futuro, provavelmente.

Por seu lado, Hélder Silva iniciou o seu discurso repetindo o principal claim que suporta o actual marketing estratégico do município, “O Concelho de Mafra tem realmente tudo… nós temos tudo”, ou seja, para levar a afirmação à letra, já não precisamos de fazer nada, temos tudo, e para continuar na língua inglesa, este claim será muito interessante no plano do marketing puro e duro, mas não deixa de ser a political nonsense. “Fazer do Concelho de Mafra um permanente jardim” parece ter-se tornado também um objectivo estratégico, materializado na reabilitação urbana, na saúde, na educação, na música, afirmando mesmo que culturalmente “Mafra é Magnânima”, uma expressão quase monárquica, quase idílica.

Parte importante deste discurso foi dedicada à regionalização de competências e de verbas, um processo que se está a iniciar a nível nacional, no qual se depositam muitas esperanças e que poderá mostrar-se uma importante fonte de desenvolvimento, mas que encerra também muitos escolhos, sobretudo em regiões onde o velho caciquismo esteja ainda enraizado e a ele se associe o clientelismo político.

Ainda falta mandato e meio para que Hélder Silva dê lugar a outro militante social-democrata – não se vislumbram rasgos políticos da oposição capazes de virar o ciclo político, que, mais do que um ciclo, mais se assemelha a um parafuso sem-fim – no entanto, os discursos deste ano, quase que pareciam já um passar de testemunho do poder executivo para José Bizarro.

 

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