Hélder Silva dispara contra o governo – na mira, Ministro da Cultura e DGPC e Ministro da Agricultura

Sem papas na língua, sem travões ou filtros, o presidente da Câmara Municipal de Mafra dispara em todas as direcções contra o governo, não poupando António Costa, Luís Filipe Castro Mendes, Ministro da Cultura, Paula Silva, Directora Geral do Património Cultural, Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura e Paula Simões, Directora da Tapada Nacional de Mafra.

A propósito das contas da Tapada Nacional de Mafra, referentes a 2017, que, de resto, a câmara aprovou por unanimidade, e de uma intervenção de Rogério Costa (PS), Hélder Silva trouxe à liça a situação da tapada, referiu nomeadamente o seu estado de degradação, o facto, disse, de não terem sido lançados quaisquer trabalhos de reabilitação e a situação laboral que se viverá na tapada, com funcionários a abandonar o serviço, tendo referido o caso recente de um técnico florestal, situação que teria, segundo o presidente, graves implicação ao nível da acção dos sapadores florestais.

Hélder Silva afirma que está em causa a actividade dos sapadores florestas da Tapada de Mafra

Nem os resultados positivos da exploração da tapada durante o ano de 2017 e o aumento do número de visitantes, que o presidente atribuiu ao facto de ter chovido pouco, aplacaram a ira de Hélder Silva, ira que distribuiu pela anterior directora, natural de Ponte de Lima, nomeada por Assunção Cristas e pela actual directora, nomeada por Capoulas Santos, “uma jurista, lá de Évora”, “com uma grande experiência em gestão”, ironizou. O presidente referiu ainda um comunicado sindical, que distribuiu aos vereadores, em que o sindicato se queixa das condições laborais na tapada sob a direcção de Paula Simões, acrescentando que, em sua opinião, as reuniões na tapada “são surreais”, rematando com um “estou farto disto”.

As reuniões na tapada “são surreais”, “estou farto disto” [Hélder Silva, Presidente da Câmara de Mafra]

O presidente propôs uma visita da câmara à Tapada Nacional de Mafra, uma visita sem comunicação pública – ou seja, uma iniciativa secreta, tão ao gosto desta gestão camarária, sem testemunhas, sem imprensa, secreta.

Sérgio Santos (PS) mostrou-se partidário da constituição de um grupo de trabalho que incluísse todas as forças políticas e todas as entidades envolvidas e interessadas neste processo, de modo a estudar a situação e a apontar para soluções válidas. O presidente não deu saída a esta proposta.

O objectivo peremptório e não disfarçado da câmara de Mafra é assumir a gestão da Tapada Nacional de Mafra. Este objectivo está a ser muito facilitado pelo mau estado a que a habitual incúria nacional permitiu que as estruturas da tapada chegassem e pelos múltiplos problemas laborais surgidos durante a gestão de Paula Simões.

Câmara de Mafra quer assumir a gestão da Tapada Nacional de Mafra

Os atrasos e todas as vicissitudes que têm envolvido a reabilitação dos carrilhões, associados à nova reivindicação da câmara relativamente aos 120 mil euros necessários à manutenção dos órgãos da Basílica (cabendo 75 000 à DGPC e o restante à câmara municipal) deram o mote para mais uma troca azeda de palavras entre o presidente e Sérgio Santos (PS), tendo o segundo chamado “Pinóquio” ao primeiro, e tendo o primeiro sugerido que o segundo teria faltado à verdade num recente comunicado do PS em que se assacava ao PSD as culpas pelo prolongamento do processo que levou ao recente desbloqueio da verba destinada à requalificação dos carrilhões.

Neste processo, o presidente da câmara distribuiu críticas pelo Ministro da Cultura e pala Directora Geral do Património Cultural, Arquitecta Paula Silva, de resto, hoje especialmente visada.

Hélder Silva sugere que atrasos na requalificação dos carrilhões possam dever-se à vontade do governo de fazer coincidir o fim das obras com as eleições

Depois desta troca de palavras, Hélder Silva referiu nem querer acreditar que o atraso na requalificação dos carrilhões, da responsabilidade deste governo, se fique a dever a razões eleitorais, pretendendo o governo fazer coincidir o final das obras com as eleições.

Hélder Silva revelou ainda que, no decurso de uma recente reunião conjunta das áreas metropolitanos de Lisboa e do Porto, que teve lugar em Sintra, com a presença do primeiro ministro, pediu para ser recebido por ele, no sentido de lhe expor as suas preocupações relativas aos processos de manutenção dos órgãos, de reabilitação dos carrilhões, de instalação do pólo de Mafra do Museu da Música e, claro, de procurar uma solução para a situação de Tapada Nacional de Mafra.

 

 

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