Vírus Zika
por Ana Quintela

 

O que podemos saber sobre o Vírus Zika

Embora seja recentemente muito mencionado, o vírus Zika foi identificado em 1947 no Uganda. Mas foi em 2014, após um surto na Polinésia Francesa e no Brasil que este vírus ficou mais conhecido. Tendo inclusivamente o Brasil declarado a infecção pelo vírus Zika como uma emergência de saúde nacional.
Os surtos de Zika têm vindo a ser relacionados com o aumento de doentes com Síndrome de Guillain-Barré (doença auto-imune) e com casos de microcefalia congénita (cérebro da criança com dimensões reduzidas).
De momento estima-se que este vírus continua a disseminar-se. No entanto, é ainda difícil determinar as consequências da evolução desta disseminação.

 

Quais são os sintomas da infecção por Zika?

Muitos indivíduos são assintomáticos, o que quer dizer que nem todos os infectados manifestam sintomas. Ainda não se conhece o período de incubação do vírus, mas estima-se que apenas 1 em cada 5 pessoas infectadas com Zika fica doente.
Os sintomas mais comuns são febre, exantema ou rash (aparecimento de manchas vermelhas na pele), dores articulares e conjuntivite. Estes sintomas normalmente não são muito exacerbados e as mortes pela doença são raras.

 

Que medidas posso adoptar para não ser infectado?

Não existe ainda uma vacina para este vírus. As medidas preventivas estão focadas no uso de repelentes e na colocação de redes mosquiteiras nas janelas, à volta da cama e em redor dos carrinhos de bebé. Se viajar para países com o vírus use roupa comprida, aplique sempre o repelente depois do protector solar e trate também a sua roupa com repelente para tecidos.
Para um uso mais seguro dos repelentes nas crianças, evite de colocá-los nas mãos, olhos ou boca da criança e verifique sempre a partir de que idade pode aplicar o repelente que adquiriu. Não aplique repelentes a crianças com menos de 2 meses.

 

Como ocorre a transmissão?

O vírus é transmitido através da picada de um mosquito infectado denominado por Aedes aegypti. Normalmente estes mosquitos picam durante o dia e transmitem o vírus quando picam alguém infectado, disseminando assim a doença a outros indivíduos.
É possível uma transmissão de pessoa-a-pessoa, seja durante a gravidez, através de transfusões de sangue ou de contacto sexual.

 

Quais os perigos do Zika na gravidez?

O vírus pode ser transmitido para o feto durante a gravidez e esta transmissão tem vindo a ser associada a defeitos congénitos, como por exemplo a microcefalia. Por este motivo, não é recomendado que mulheres grávidas viajem para países de risco. No caso de ser estritamente necessário pede-se que adoptem todas as medidas preventivas e é essencial que contactem o médico assistente antes de viajar.
Mulheres a planear uma gravidez não devem engravidar até 8 semanas após viagem a paises de risco. Quanto a homens que tenham manifestado sintomas de infecção por Zika, estes devem proteger-se sexualmente durante pelo menos 6 meses.

 

Já há tratamentos disponíveis?

Não há ainda medicamentos específicos para tratar a infecção por Zika. É recomendado repouso, bebida de líquidos para prevenir a desidratação. A toma de anti-inflamatórios não é recomendada, mas pode ser tomado paracetamol para o alívio da febre e das dores articulares. Se ocorrer um agravamento dos sintomas procure ajuda médica.

 

O Zika em Portugal.

Em Portugal, a Direcção Geral de Saúde (DGS) publicou no passado dia 22 de Junho um plano nacional de prevenção e controlo dos mosquitos transmissores de Zika.
De momento, no nosso país temos apenas uma área de risco amarelo – a Madeira. Isto significa que na Madeira existem mosquitos desta espécie, mas que de momento não estão infectados com o vírus Zika. É de notar que o Algarve é uma zona a vigiar, pois embora nesta zona o mosquito não esteja presente, o Algarve está geograficamente perto do sul de Espanha que pode ter mosquitos desta espécie.
Em suma, de momento em Portugal é apenas necessária alguma atenção à importação do vírus por viajantes, pelo que as medidas preventivas devem ser cumpridas sempre que viajar.

 

Para mais informação relativamente a medidas preventivas e para obter uma lista dos países afectados pelo Zika, consulte o site do Instituto de Medicina Tropical.

http://www.ihmt.unl.pt/dossie-zika/

Publicado em 28 de Junho 2016

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