02 MAI 2017 | Vamos à Farmácia | Ana Quintela

Sarampo – tudo o que deve saber

 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que afecta principalmente as crianças e é provocada pelo vírus Paramyxovirus. Transmite-se facilmente através de secreções respiratórias, ou seja por aerossóis transmitidos pelo ar, pela tosse, espirros e saliva.

Estima-se que a incubação do vírus seja entre 7 a 21 dias, ou seja, se estiver em contacto com alguém infectado pode demorar alguns dias até apresentar sintomas.

 

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo caracteriza-se por febre alta, dor de cabeça, inflamação da garganta e nariz entupido, tosse, conjuntivite e fotofobia (sensibilidade aumentada à luz).

Quanto aos sinais que permitem mais facilmente diagnosticar o sarampo, inicialmente, na língua e bochechas dentro da boca aparecem manchas brancas rodeadas por vermelhidão que desaparecem rapidamente após 1 ou 2 dias. Estas manchas designam-se por sinal de Koplik. Depois aparecem as lesões na pele, que geralmente se localizam atrás das orelhas, no pescoço e no rosto e em 3 dias acabam por se estender ao resto do corpo e habitualmente ao final da primeira semana a pele começa a descamar.

 

Varicela ou Sarampo?

São duas doenças diferentes, não as confunda. As lesões que descrevi anteriormente são características do sarampo. Quanto às lesões da varicela, que tende a ser uma doença menos grave, estas lesões são completamente distintas. Na varicela aparecem bolhas na pele que se enchem de líquido e que rapidamente se transformam em crostas.

 

Não há tratamento para o sarampo.

É uma doença para a qual não há medicamentos disponíveis, pelo que apenas podemos procurar aliviar os sintomas. O doente deve repousar, tomar paracetamol para baixar a febre, beber muitos líquidos e efectuar uma boa higienização dos olhos com compressas molhadas em soro fisiológico ou água morna. Quando o sarampo não causa outras complicações, os sintomas duram cerca de 10 dias.

 

As complicações do sarampo

Infelizmente o sarampo pode causar muitas sequelas, particularmente em indivíduos com má nutrição ou com um sistema imunitário comprometido, como doentes com cancro, VIH ou transplantados. Ou seja, se o sistema imunitário está fragilizado, o vírus consegue invadir alguns tecidos e órgãos, tornando-os muitos susceptíveis à infecção por outros microrganismos, o que origina complicações graves.

De entre as complicações possíveis causadas pelo sarampo, destacam-se infecções do ouvido, perda de visão, pneumonia e encefalite. A febre alta provocada pelo vírus pode originar vómitos e convulsões que chegam a provocar alterações neurológicas permanentes.

Quanto à infecção em mulheres grávidas, é elevado o risco de sofrerem um aborto espontâneo ou um parto prematuro.

 

Os casos de Sarampo na Europa

Em Portugal e na maioria dos países europeus, o sarampo estava praticamente erradicado, no entanto, devido às migrações internacionais, é importante garantir a vacinação de todos os indivíduos contra o sarampo. E visto que na Europa os casos de sarampo na Roménia e em Itália têm triplicado nos últimos meses, o director regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um apelo para que sejam tomadas medidas urgentes de imunização de forma a travar a transmissão do sarampo.

 

A situação em Portugal

Em Portugal há diversas doenças de declaração obrigatória, de entre as quais se destaca o sarampo. Pelo que se sabe que os raros casos notificados são normalmente importados de outros países, o que nos permitiu receber um diploma da OMS em 2016 a oficializar o nosso país como livre de sarampo. No entanto, este ano de 2017 já foram registados mais casos do que nos últimos 10 anos.

Foi publicado no final do mês de Abril um diploma no Diário da República a recomendar que todas as escolas comuniquem aos delegados de saúde casos de alunos que não tenham boletins de vacinação actualizados ou evidenciem falhas na vacinação que consta no programa nacional de vacinação. O objectivo desta medida é o esclarecimento de questões e a sensibilização das famílias para os benefícios da vacinação, uma vez que a escolha de cumprir o esquema vacinal não é de cariz obrigatório e continua a ser uma decisão da família.

 

A vacinação contra o sarampo em Portugal

Em 2017 o nosso Programa Nacional de Vacinação recomenda a imunização de todos os indivíduos contra o sarampo. Esta vacinação é feita com a VASPR, que é a vacina tríplice contra o sarampo, parotidite (papeira) e rubéola.

A vacinação é recomendada através de duas doses, a primeira aos 12 meses de idade e a segunda aos 5 anos de idade.

Todavia, se viajar para áreas de risco para sarampo com uma criança com menos de um ano de idade, deve vacinar mais cedo. Nestes casos é possível vacinar entre os 6-12 meses de idade, sendo que terá que vacinar três vezes no total. Ou seja, para uma imunização eficaz, se vacinar antes dos 12 meses, tem de vacinar uma segunda dose aos 12 meses e uma terceira dose aos 5 anos.

Para adultos que não tenham tido sarampo nem tenham sido vacinados contra o vírus, devem vacinar-se o mais rapidamente possível e efectuar uma segunda dose da vacina passadas 4 semanas.

 

Esclarecimentos adicionais

No caso de necessitar de ajuda ou algum esclarecimento pode contactar a linha da Saúde 24 (808 24 24 24) e para os representantes da comunidade escolar foi também criado um email para onde podem ser enviadas questões (infosarampo@dgs.pt).

 

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