04 ABR 2017 | Vamos à Farmácia | Ana Quintela

A Infertilidade em Portugal

 

Nem todos os casais conseguem uma gravidez com sucesso, sendo que em determinados casos é mesmo necessária intervenção médica para o concretizar. A infertilidade é diagnosticada quando não se obtém uma gravidez após um ano a tentar com relações sexuais regulares. Sendo que após esses 12 meses é necessário começar a avaliar todos factores associados aos dois membros do casal que estão a impedir a gravidez.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera a infertilidade um problema de saúde pública e faz como sua missão conseguir garantir a todos os casais o acesso a serviços de saúde reprodutiva.

 

O que causa a infertilidade?

De modo geral, qualquer indivíduo que tenha um estilo de vida pouco saudável pode estar sujeito a problemas de fertilidade. São exemplos disso, um elevado consumo de álcool, de tabaco, determinadas drogas, grandes variações no peso e trabalhos muito stressantes.

Relativamente aos factores de infertilidade na mulher, destacam-se a sua idade, a existência de doenças ou desequilíbrios hormonais, malformações anatómicas, história de tuberculose, irregularidades nos ciclos menstruais, antecedentes de abortos de repetição ou interrupções voluntárias da gravidez com complicações, infecções sexualmente transmissíveis, doenças e cirurgias pélvicas, endometriose, ovário poliquístico, obstrução das trompas de Falópio, tumores malignos, a exposição a quimioterapia e a toma de antidepressivos ou de medicamentos imunossupressores.

Quanto à infertilidade no homem, esta pode estar relacionada com doenças como a diabetes e a hipertensão, malformações anatómicas, tumores malignos, descida incompleta dos testículos, anomalias nos espermatozoides, toma de medicamentos antidepressivos, história de infecções, toma de esteroides e exposição a agentes químicos como pesticidas, quimioterapia e radioterapia.

 

Quais os tratamentos disponíveis?

Os tratamentos disponíveis para a infertilidade são quase exclusivamente dirigidos à mulher, mesmo quando é um problema relacionado com o sistema reprodutor masculino.

Após múltiplos exames de diagnóstico aos dois membros do casal e após avaliação da história clínica de cada um, é possível decidir qual o tratamento mais adequado ao casal.

Naturalmente que se começa pelos tratamentos menos invasivos, como a calendarização das relações sexuais, determinando o momento exacto da ovulação. Progride-se então para técnicas de procriação medicamente assistida. Começando pela inseminação intra-uterina (IIU), depois pela fertilização in vitro (FIV), que é a técnica mais usada na infertilidade, a transferência intra-falopiana de gâmetas (GIFT) ou a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) para homens com baixa contagem e mobilidade dos espermatozoides. Estas técnicas têm normalmente taxas de sucesso de aproximadamente 20%, podendo chegar até aos 40%. No entanto, são técnicas mais agressivas para a mulher e que já requerem a toma de medicamentos como por exemplo hormonas que estimulam a produção de óvulos.

 

Como lidamos com a Infertilidade em Portugal?

Em Portugal temos ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito à infertilidade. Há longas listas de espera que fazem com que todo o processo seja extremamente lento. Desde o diagnóstico, às consultas, até às novas listas de espera para tratamentos, são anos de espera para muitos casais.

A Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) tem feito algumas propostas no sentido de melhorar o processo de apoio aos casais que procuram ajuda na infertilidade.

O Sul de Portugal não tem ainda nenhum Centro de Tratamentos, o que obriga à deslocação de muitos casais para a Grande Lisboa, aumentando ainda mais as listas de espera em Centros que para responderem às necessidades da população necessitariam de um aumento de pelo menos 50% dos profissionais.

Sabe-se que há casais que têm de recorrer a empréstimos para poderem pagar os tratamentos. E embora já se tenha finalmente conseguido comparticipação nos medicamentos para infertilidade, a APF defende que a actual comparticipação de apenas 69% deve aumentar para 90% e em determinados casos de carência económica do casal atingir os 100% de comparticipação.

Actualmente, nos Centros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são apenas permitidos 3 ciclos de tratamento e as mulheres só podem recorrer a estes até ao limite dos 39 anos de idade. A APF sugere um aumento para 5 ciclos de tratamento e um aumento da idade limite para os 41 anos, de forma a aumentar a possibilidade de sucesso dos tratamentos.

 

Objectivos da Direcção Geral de Saúde (DGS)

A DGS tem como objectivo conseguir prestar cuidados pré-concepcionais e cuidados preventivos de saúde reprodutiva associados ao planeamento familiar, de forma a antecipar ou prevenir determinados problemas mais tarde associados à infertilidade. São exemplos, o diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e programas de rastreio de cancro no colo do útero.

A DGS está a tentar melhorar o apoio a casais com infertilidade, avaliando a sua situação clínica, facultando informação científica adequada a resolver os factores que contribuem para a infertilidade no casal. Pretende também facilitar o referenciamento de situações de risco, como factores genéticos e doenças crónicas que necessitem de estudos ou de tratamentos especificamente adequados e diferenciados para o casal.

 

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