Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (7º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração (7º. Episódio) Medo teve também Berta, os olhos muito vivos a perscrutar as águas escuras, as margens escuras que se aproximavam, o miúdo agarrado a ela, a tremerem os dois, no silêncio só quebrado pelo chape-chape dos remos. Passado o rio, os pés em terra seca, os olhitos cheios de lágrimas de medo e de frio, lá foram levados pelo homem que afinal até parece que tinha coração e pegou o garoto ao colo, para que não…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (6º. Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração (6º. Episódio) Os olhos de Benvinda brilhavam como costumam brilhar os olhos das mães quando falam dos filhos. Seja por alegria, por saudade, por desgosto, brilham. Foi quando arranjei trabalho como “concierge” que tivemos direito a casa, pequena, mas uma casa, foi uma vida melhor, foi, depois daqueles dois anos tão maus, mas tão maus, que até me dói falar deles. Às vezes ainda tenho sonhos ruins de voltar a morar no contentor, de ver as crianças…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (5.º Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração (5º. Episódio)   – Tempo muito bera, senhora, muito bera mesmo. Perdidos no mundo, era como a gente se sentia. O melhor que arranjámos foi um contentor de obras para fazer de casa, muito calor, muito frio ali se passou. O trabalho apareceu, os “chantiers” eram muitos e eles gostavam dos portugueses que trabalhavam bem e refilavam pouco. Moirinhos de trabalho, é o que éramos. Eu arranjei umas senhoras onde fazer a “ménage”, passei a chamar-me Maria,…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (4.º Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração 4º. Episódio – Tiveram pena de nós. A gente não falava a língua deles nem eles a nossa, mas a gente entendeu-se, ainda hoje estou para saber como. Trouxeram-nos pão e queijo e água com picos, lembro-me como se fosse hoje e já lá vão tantos anos. A senhora que nos trouxe o pão perguntou-me se eu tinha filhos pequenos, fez assim com a mão à altura deles e a outra mão no peito, do lado coração.…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (3º Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração 3º. Episódio Quantos dias foram os da viagem por essa Espanha fora é o que Benvinda não sabe contar porque não foram dias de vida verdadeira, tão somente dias de passagem por terras ora ardentes ora gélidas, a fugirem dos povoados, quantas vezes por chão mal pisado, como se fosse caminho. Benvinda, Bento, assim se chama o seu homem, e os outros. Talvez fossem uns dez, apinhados nos bancos de tábua, na parte da carrinha que devia…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração (2º Episódio)

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração 2º Episódio   Primeiro foram eles, tinham que ir, os miúdos ficaram com a mãe dela, à espera que eles assentassem casa e trabalho, o passador dizia que isso não havia de faltar, foi cobrando o serviço, a prestações mensais, durante quase um ano, até fazer a conta que entretanto já tinha subido, havia muita gente pelo meio a quem ele ia ter de untar as mãos, era como ele dizia, ao guarda-fiscal, ao guarda-republicano, a muitos,…

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Folhetim | Benvinda – Uma História de Emigração

FOLHETIM | Uma rubrica de Licínia Quitério   BENVINDA – Uma História de Emigração 1º. episódio   Benvinda é hoje uma mulher de ancas opulentas e pernas ligeiramente arqueadas, as mesmas que em nova eram de boa medida a atraírem os olhares gulosos dos rapazes da aldeia, e que o peso das cargas e dos anos deformou, alargou, em abundâncias de moleza e desconsolo. Duros, os trabalhos do campo, dura a terra no longo Verão que queimava o restolho e a pele, que aumentava nos homens a sede de vinho e…

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Poemas e Poetas | Rui Knopfli

01 Ago 2017 | Poemas e Poetas | Licínia Quitério RUI KNOPFLI (1932-1997), nasceu em Moçambique onde viveu até se fixar em Londres, em 1972. Assume-se como continuador da lírica ocidental de Camões, Carlos Drumond de Andrade, Fernando Pessoa, T. S. Eliot. A sua linguagem é rigorosa, distanciada das correntes literárias da época. Sendo um poeta de voz essencialmente urbana, acaba por se sentir desolado com o cosmopolitismo intenso e intensificar o sentimento de exílio. A sua sólida obra poética está coligida no volume “Memória Consentida-20 Anos de Poesia e…

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