03 Jul 2017 | DESTAQUES| JM

O Jornal de Mafra passou hoje uma boa parte da tarde na localidade do Sobreiro. O Sobreiro é uma localidade a poucos minutos de Mafra, uma localidade atravessada pela N116, estrada que liga Mafra à Ericeira, estrada que passa pela chamada “aldeia” de José Franco, local muito visitado pelos turistas.

Quando atravessa as duas principais localidades próximas de Mafra, Achada e Sobreiro, a N116 não tem passeios, isto embora esteja a ser construída uma ciclovia destinada a ligar a Ericeira a Mafra, via que as atravessará necessariamente – cremos que não ao nível da N116 – uma vez que os habitantes metem o pé na estrada nacional logo que cruzam a porta de casa.

Percorremos a parte da N116 que cruza o Sobreiro, mas limitamos-nos às áreas interiores do Sobreiro mais próximas da estrada.

O que vimos, embora não constituindo verdadeiramente uma surpresa, deixou-nos perplexos e preocupados.

O Sobreiro parece ter sido bombardeado. Em quase todas as ruas que percorremos, e foram muitas, vemos clareiras constituídas por habitações em ruína, casas desabitadas há muito, paredes caídas, telhados desaparecidos, vigas à mostra. Casas em que a construção foi interrompida, onde nasceram charcos que são viveiros de rãs, garagens improvisadas de um modo tal que custa a crer que possam estar conformes com a lei que regula este tipo de edificações, e casas tomadas por arbustos secos, altamente inflamáveis, paredes meias com casas onde vive gente. Para além do perigo de incêndio urbano que esta situação potencia – há também terrenos maiores, sem habitações mas com muito mato seco, muito próximos de casas onde vive gente – destaca-se desde logo o aspecto de degradação urbana que estas muitas ruínas conferem ao Sobreiro, parecendo que a localidade saiu de um filme de guerra.

O contraste entre este panorama de desolação e perigo, e algumas pérolas que o Sobreiro tem – belas casas pintadas de branco e azul com floreiras e poços antigos bem conservados, belos painéis de azulejo, chaminés antigas, as instalações do Motoclube de Mafra, a igreja e, claro está, a “aldeia” de José Franco – tornam ainda mais parente e incompreensível o estado a que deixou chegar este património, sem que as autoridades tenham recorrido aos meios legais que têm à sua disposição, para por fim a este estado de coisas.

Temos assim dois Sobreiros, um Sobreiro Degradado e um Sobreiro Aprazível. Ei-los.

Sobreiro Degradado

Sobreiro Aprazível

Pub

Achou este artigo interessante, partilhe-o com os seus amigos!

VISITE TAMBÉM A PRIMEIRA PÁGINA DO JORNAL DE MAFRA

Partilhe com os seus amigos!