Realizou-se ontem, com a presença de muito público, no pavilhão desportivo municipal da Malveira, uma sessão pública de esclarecimentos sobre o concurso de ideias para a requalificação do Largo da feira.

Depois de alguns esclarecimentos genéricos prestados pelo Presidente da CMM, por Bruno Miranda, funcionário da CMM e por José Costa Pinheiro, Presidente da Junta da União de Freguesias da Malveira e S. Miguel de Alcainça, a quem ouvimos uma frase que caracteriza bem o alcance desta iniciativa, quando, dizendo que pessoalmente não aprecia feiras, referiu, muito justamente, que ” a feira está para a Malveira, como o convento está para Mafra, ou o mar está para a Ericeira”.

Chegou depois o momento de ouvir o público presente na sala em número bem significativo.

Falou-se do medo, o medo de que requalificação signifique o fim da feira, circunstância desmentida prontamente por Hélder Silva, da utilização do espaço nos restantes dias da semana (quando não há feira), da valorização do chafariz, do enquadramento da casa da família Canas – cujo negócio estará fechado, passando para a propriedade do município – falou-se nos prémios do concurso de ideias, 5.000 € à espera de uma proposta certamente apresentada por um atelier de arquitectos, vamos ver se habitués ou não.

Desfilaram depois vários fregueses/munícipes, com as mais variadas preocupações, com as mais variadas ideias. Distinguiam-se na assistência alguns vendedores da feira. Um deles tentou ensaiar um discurso de defesa de interesses mas foi prontamente interrompido, que não estávamos ali para isso, mas para dar ideias para a requalificação do largo. Mais tarde, quando os doutores e doutoras (simples licenciados, na verdade) decidiram produzir opinião, já foi possível ouvir opiniões a sair do tema.

Ouvimos reclamar que o prazo de apresentação de propostas é curto, pedir poucas mudanças, indagar dos limites, perguntando se haverá um pré-projecto, ouvimos dizer que a feira de há 60 anos é que era boa, que a feira actual é a feira dos ciganos e dos roubos. Ouvimos clamar por projectos que tragam pessoas ao centro da vila, que o centro que morreu quando apareceram as grandes superfícies comerciais.

Falou-se de taxas e de executivos actuais e anteriores, falou-se da regulação do trânsito e dos parquímetros, falou-se de moínhos e de galerias de arte, falou-se de projectos já antigos a quem ninguém terá dado andamento. Vieram à baila os buracos na estrada e nos passeios e foi muito falado o modo menos próprio como o peixe é comercializado na feira.

Houve também elogios à iniciativa a às tradições saloias, destacamos nestes elogios o senhor presidente da Assembleia de Freguesia. Elogiosa também a intervenção do funcionário da RCM, senhor António Galambas.

Alguém perguntou se havia um estudo de impacto ou critérios a seguir. A resposta veio rápida, “não complique, queremos fazer isto com celeridade e facilidade”. Encaixará aqui também o modo informal e displicente como tudo isto é tratado. A sessão parecia mais um encontro de velhos amigos, tratamento por tu incluído, com pedidos individualizados de intervenção e tudo. Ficou a faltar, no final, o repasto de torresmos e vinho tinto.

Normas de participação – Pense fora do quadrado e parcicipe

 

Publicado em 29 de Junho de 2016

 

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